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Autor
Ano XVII • 2000-02-29 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Jubileu - Tempo de mudança
 
palavra-chave
 
   

artigos
Tempo de mudança

Ano jubilar ou ano santo na Bíblia • pág 005
Orsatti, Mauro
Um Papa na última fronteira. João Paulo II • pág 012
Clemente, Manuel
Igreja em busca de fidelidade e autenticidade. A tarefa de uma recepção criativa no horizonte do n • pág 017
Pinho, José Eduardo Borges de
Jubileu - conversão e mudança. Notas à margem das celebrações • pág 033
Domingues, Bento
Identidade e conversão. Chave para uma linguagem • pág 039
Dombes, Grupo de
As unidades pastorais. Numa eclesiologia de comunhão uma pastoral de corresponsabilidade • pág 052
Paes, Carlos
A missão nas fronteiras e as fronteiras da missão • pág 057
Schouver, Pierre
“Nenhum de vós prejudique o irmão”. Jubileu e perdão da dívida externa aos países mais pobr • pág 069
Cristiani, Claudio
Angola, 25 anos de independência. Dizer “Justiça e Paz” em tempo de guerra. A guerra serve par • pág 076
Neves, Tony
A amnistia, o perdão de penas e a sua teleologia • pág 088
Afonso, Orlando
Associação para a Inserção Social e o Desenvolvimento. Entrevista • pág 091
Pardal, Carlos


apresentação

INTRODUÇÃO

ALFREDO TEIXEIRA – LUÍS MANUEL PEREIRA DA SILVA


O primeiro fascículo da revista COMMUNIO, neste ano 2000, não podia deixar de fazer eco dos interesses que mobilizam as Igrejas durante este tempo de celebração jubilar. No entanto, exigia-se a escolha de um ponto de vista: “Jubileu, tempo de mudança”. Desde as suas raízes bíblicas, até às suas versões actuais, passando pela sua restauração, em 1300, por Bonifácio VIII, o ano jubilar pretendeu abrir um tempo excepcional de conversão e reconciliação, tempo esse, umas vezes marcado sobretudo pelas figuras da piedade individual, outras vezes mais disponível para grandes projectos colectivos (Mauro Orsatti). Na situação actual, pareceu-nos importante recordar, por um lado, que este Jubileu, está profundamente marcado pela personalidade do Papa João Paulo II, por outro, que ele é vivido num contexto histórico que exige das Igrejas um extraordinário esforço criativo.
O empenhamento de João Paulo II na celebração do Grande Jubileu do Ano 2000 foi anunciado logo na sua primeira encíclica, a Redemptor hominis. Nesse anúncio, estava a vontade de afirmação do cristianismo nas culturas, empreendimento que se traduziu em diversas linhas de acção e se concretizou em muitos gestos inéditos: o apelo à dimensão heróica do cristianismo, a resistência perante as tendências que favoreciam a diluição social do catolicismo, a vontade de vencer fronteiras religiosas (visita à sinagoga de Roma, e encontro inter-religioso de Assis), a persistente afirmação da sacralidade da vida, etc. (D. Manuel Clemente). Mas no tempo da mudança acelerada, este pontificado tem sido também um permanente apelo à memória: memória cristã da Europa, mas também memória religiosa da humanidade. Esta celebração da memória exprime-se, também, na vontade de colocar a Igreja perante o seu pecado, perante as vítimas da sua história (Frei Bento Domingues).
Se o Jubileu só acontece quando há viragem, reforma interior, então ele terá que se exprimir no rosto das Igrejas. Pode ser, pois, uma ocasião propícia a um aprofundamento da consciência de que algumas absolutizações do passado não têm já sentido, que algumas respostas dadas num determinado momento estavam marcadas pelos limites do seu tempo. A inovação que é pedida aos cristãos não é inimiga da fidelidade, é mesmo um dos caminhos da conversão (José Eduardo Borges de Pinho). Estas relações entre identidade e conversão constituíram o nó da reflexão ecuménica do Grupo de Dombes; pareceu-nos, por isso, oportuno traduzir a primeira parte do documento que este grupo ecuménico produziu em 1991 (“Para a conversão das Igrejas: identidade e mudança na dinâmica da comunhão”).
Por vezes, a fidelidade exige mesmo profundas modificações da organização sócio-pastoral das comunidades crentes. A actual reflexão sobre as “unidades pastorais” é um bom exemplo. Apesar dessa reflexão ter sido apressada pela situação actual de escassez de clero, ela pode ser uma ocasião de aprofundamento de aspectos não cumpridos de algumas das linhas-força do Vaticano II, em particular, quando este sublinha que qualquer baptizado participa do múnus evangelizador, santificador e pastoral de Jesus Cristo Salvador. Nestas transformações que se avizinham joga-se, portanto, a própria identidade da Igreja (Carlos Paes).
E não são menores as mudanças que, no dealbar do terceiro milénio, afectam as práticas missionárias da Igreja. Procurámos, por isso, o testemunho de alguém que tivesse um conhecimento amplo dessa actividade missionária, que não se reduz já à geografia de outrora, antes cruza novas fronteiras. Pierre Schouver, Superior Geral dos missionários espiritanos, aceitou este desafio.
Se este deve ser um tempo de sinais, então é necessário que as Igrejas, e outros grupos na sociedade, se envolvam em iniciativas concretas que contribuam para a dignificação de todos. Seja o desafio de encontrar uma solução para corrigir o crescente fosso entre países pobres e países ricos (Claudio Cristiani); seja a vontade de continuar a dizer, neste “ano da cultura da paz”, que a guerra não é solução e a justiça e a paz são possíveis, mesmo num país como Angola, onde a violência teima em vencer (Tony Neves); seja a necessidade de cultivar, na sociedade, gestos de perdão (Orlando Afonso); seja ainda o esforço criativo de que dão testemunho novas formas de intervenção dos cristãos nos meios sociais em que vivem (Carlos Pardal); em qualquer um destes exemplos, é possível discernir sentidos vários para a viragem que o tempo jubilar exige.

 

 
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