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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XIII • 1996-10-31 • nº 5 • Setembro/Outubro
Economia e Bem Comum
 
palavra-chave
 
   

artigos
Economia e bem comum • pág 389
Stilwell, Peter
Haverá uma ética para a economia? • pág 393
Silva, Manuela
Exigências da moral da finança • pág 404
Salins, Antoine de
Galhau, François V.
Religião, cultura e desenvolvimento • pág 410
Silva, Augusto Santos
Sobre a autoridade da Igreja para falar • pág 417
Pureza, José Manuel
A economia mundial na transição do milénio • pág 421
Pintado, Valentim Xavier
As desilusões da vitória • pág 433
Cabral, Francisco Sarsfield
Sobre o liberalismo civil e o pós-modernismo anti-religioso • pág 441
Espada, João Carlos
A ciência económica e o bem comum • pág 451
Fonseca, Fernando Adão da
A corrupção é necessária ao bom funcionamento da economia? • pág 465
Xenophon
As finanças da Santa Sé. Entrevista • pág 474
Lara, Castillo
Gestão económica da família. Depoimento • pág 478
Anónimo


apresentação

MARIA C. LOBÃO – PETER STILWELL


Nos seus vinte anos de existência é esta a primeira vez que ao nível internacional a revista COMMUNIO dedica um número inteiro à Economia. E podemos dizer que se tratou de uma proposta da edição portuguesa. Foi preciso vencermos alguma resistência por parte de quem não via necessidade de uma revista católica tratar temas tão profanos, bem como as hesitações de quem considerava difícil abordar assuntos económicos de forma acessível ao leitor não especializado. Mas pensamos que a aposta foi bem sucedida. Apesar de nos ter faltado uma palavra sobre os avanços significativos na humanização das economias nacionais e internacionais, e uma introdução às formas alternativas de agir que vão surgindo ao nível micro-económico, ressalta a cada passo dos artigos publicados a importância que no campo económico se atribui hoje à ética, aos valores religiosos, ao sentido da participação e da solidariedade; ou seja, a ideia, tantas vezes reafirmada pela doutrina social católica, de que a economia se autodestrói se nela não forem introduzidas continuamente perspectivas humanizantes e se o desenvolvimento promovido não visar o bem comum.
Quanto aos artigos em si, o primeiro limita-se a enunciar sinteticamente certos princípios da antropologia cristã e do magistério social da Igreja que dizem respeito à economia e à noção de Bem comum. No segundo, Manuela Silva empreende uma análise histórica da articulação entre ética e economia e prevê um interesse renovado pela ética na vida empresarial em virtude da emergência de uma nova cultura da participação e da solidariedade. Publicamos, de seguida, parte de um texto proposto para discussão pelo Conselho Pontifício “Justiça e Paz” em que é abordada em termos morais a área das Finanças — hoje, um mundo praticamente autónomo dentro da Economia, mas pouco trabalhado ainda pelo magistério da Igreja. Augusto Santos Silva, por seu lado, introduz na equação do desenvolvimento o factor religioso. Partindo da desconfiança própria de quem cursou estudos de economia e de sociologia históricas, descobre no terreno, junto daqueles com quem se faz de facto o desenvolvimento económico, o sentido humanizante da religião: fonte de Sentido que “em cada gesto reinventam e concretizam”. José Manuel Pureza estabelece uma ponte entre ética, religião e economia ao sugerir que a auctoritas, ou credibilidade, da Igreja lhe advirá hoje do saber propor uma visão alternativa da realidade, caracterizada pelos valores da “completude”, da “transformação” e da “participação”.
Entrando na avaliação objectiva da economia mundial, Xavier Pintado e Sarsfield Cabral alertam para os perigos iminentes que espreitam o Bem comum das nações. Para Xavier Pintado, faltam “mecanismos de equilíbrio e de controlo, de humanização e solidariedade” numa economia que se internacionaliza de forma acelerada, enquanto Sarsfield Cabral denuncia a hipocrisia dos novos proteccionismos a que recorrem os países desenvolvidos, cedendo à lógica de que “o mercado e a concorrência são óptimos, excepto quando ameaçam a minha empresa, o meu sector, o meu país…”
A questão está em saber como equilibrar — a nível nacional e internacional — o respeito pela liberdade dos indivíduos, grupos e nações e a promoção do bem comum. Remetendo para as raízes morais da tradição liberal, João Carlos Espada denuncia o perigo dum pós-modernismo relativista, anti-religioso e libertário que considera arbitrária toda a escolha de valores. A alternativa encontra-a na noção da liberdade como virtude, fardo e responsabilidade, com raízes na tradição judaica e cristã. Independentemente das circunstâncias, a cada um cabe pessoalmente a vocação de procurar a verdade e praticar o bem. Fernando Adão da Fonseca, por sua vez, procura estabelecer como, em regimes de economia de mercado, se hão-de definir os contornos do bem comum, ou seja, “a quem compete ser juiz do bem de cada homem”. Optando pelas “hipóteses individualista e subjectiva”, conclui que só pode afirmar-se com poder vinculativo como sendo do bem comum aquilo em torno do qual se gerou previamente algum consenso.
Noutro quadro de ideias, procurando enfrentar um dos males crónicos do nosso tempo, um grupo de altos funcionários públicos franceses, que escreve sob pseudónimo, aborda o grave problema da corrupção, as distorções que introduz na racionalidade da economia, os caminhos possíveis e as dificuldades que há em combatê-la.
Dois testemunhos completam o número. O primeiro, uma entrevista com o Cardeal Castillo Lara sobre as finanças da Santa Sé. O segundo, um depoimento sobre a gestão das economias na vida de um casal.

 
  KEOPS multimedia - 2006