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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano VII • 1990-05-15 • nº 3 • Maio/Junho
Vocação, Consagração, Missão
 
palavra-chave
 
   

artigos
Estar no mundo sem ser do mundo • pág 197
Stilwell, Peter
A missão de Jesus e os discípulos no Evangelho de João • pág 217
Waldstein, Michael
Igreja. Ministérios e carismas • pág 234
Alves, Manuel Isidro
Missão, ascese e crise • pág 244
Sicari, Antonio
Vocação e missão em Teilhard de Chardin • pág 250
Nunes, José Paulo
A missão nos séculos XV e XVI. Condicionalismos históricos de uma evangelização • pág 266
Barbosa, David Sampaio
Consagração religiosa. Testemunho • pág 281
Pires, M. Fernanda dos Anjos Rafael
Uma experiência de missão em África • pág 286
Bento, Custódio M.


apresentação

LUÍS FILIPE THOMAZ – TERESA MARTINHO PEREIRA


O 3.° número da COMMUNIO propõe aos seus leitores uma reflexão sobre o trinómio: vocação – missão – consagração. Apesar de estarmos familiarizados com tais conceitos e com a sua expressão concreta na pluralidade de formas de existência eclesial, o nosso propósito neste número não é tanto insistir na problemática vocacional e missionária, sobre a qual existe, aliás, abundante bibliografia. Apontamos, sobretudo, para a radicação do seu fundamento na pessoa e missão de Jesus Cristo. Trata-se, antes de mais, de procurar descobrir que toda a existência é vocacionada, porque é dada por Deus. Ao contrário de uma leitura marcada pelo vazio e sem sentido, acreditamos que Deus nos chama a uma realização pessoal e única, situada num caminho histórico convergente para um fim. Uma visão cristã da vida leva-nos a reconhecer que a “Esperança que anunciamos ao mundo nasce precisamente deste olhar de atenção amorosa com que nos debruçamos sobre ele e nele descobrimos reflectida de mil formas surpreendentes a imagem do seu Criador”, no dizer de Peter Stilwell.
Uma visão cristã do sentido da existência supõe a sua realização na missão, isto é num dinamismo de compromisso com esta intencionalidade de vida posta no coração do crente por Jesus Cristo. Ele aponta-nos o caminho da unificação de toda a existência pessoal na relação com Deus traduzi da na relação com os irmãos. Cristo é a imagem perfeita desta unidade pessoa – missão. De facto, de acordo com o evangelho de S. João, a missão de Jesus brota da sua relação com o Pai, para fazer todos irmãos. Sendo assim, a missão dos cristãos, no seguimento de Cristo, radica na sua relação com Deus, em Jesus Cristo, e leva à fraternidade universal. Como tal, existência pessoal e missão não podem separar-se, como diz Michael Waldstein.
A missão está antes de todas as “missões” e de todos os serviços na Igreja, como realidade que os suporta e justifica. Todos os serviços e carismas são concretizações – na pluralidade suscitada pelo Espírito Santo – da mesma vocação e missão fundamentais. O artigo da autoria de Isidro Alves contribui para o esclarecimento da compreensão neotestamentária destes carismas e ministérios eclesiais.
A unidade entre vocação e missão, realizada plenamente em Jesus Cristo e experimentada desde já na Igreja, deve estar presente na educação da fé e no discernimento das formas específicas da sua realização, na opinião reflectida de Sicari. O mesmo autor avança numa interpretação da crise do impulso missionário relacionada com a crise da identidade cristã e aponta para a unidade entre estes dois pólos como forma de a ultrapassar.
Apesar deste número da nossa revista não ser especificamente dedicado à problemática das missões, questão que em si mesma mereceria tratamento ao longo de todo um fascículo, não queremos deixar de referir a importância histórica e sempre actual do dinamismo das missões na Igreja. Para tanto, apresentamos aos leitores um texto de David Sampaio sobre alguns aspectos da história das missões.
Paulo Nunes oferece-nos uma reflexão acompanhada de alguns textos do próprio autor sobre a perspectiva de Teilhard de Chardin acerca do sentido impresso por Deus num mundo chamado a atingir a sua plenitude de realização no ponto Ómega.
Como é habitual, a COMMUNIO publica também dois testemunhos relacionados com o tema geral do número. Assim, temos oportunidade de conhecer a reflexão de uma religiosa dominicana, Ir. Fernanda Rafael Pires, sobre uma outra vertente da temática do número: a questão da consagração, neste caso, a consagração religiosa. O segundo testemunho refere-se a uma experiência missionária feita por um leigo português em Angola, em si mesma desafiadora no sentido de uma compreensão da missão como sendo parte integrante de todas as formas de existência cristã.
Esperamos que este número contribua para crescermos na consciência de que, como cristãos, somos convidados a viver a nossa existência como missão, tarefa, exigência, em todas as circunstâncias e momentos da vida.

 
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