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Autor
Ano V • 1988-09-15 • nº 5 • Setembro/Outubro
Bem-aventurados os puros de coração
 
palavra-chave
 
   

artigos
Bem-aventurados os puros de coração • pág 389
Gnilka, Joachim
Para uma leitura cristológica da sexta bem-aventurança • pág 397
Sicari, Antonio
A sexta bem-aventurança e a consciência de Cristo • pág 406
Tilliette, Xavier
A pureza de coração • pág 416
Andia, Ysabel de
O olhar e o fogo • pág 433
Bedouelle, Guy
Procura da verdade e purificação do coração • pág 444
Schaeffler, Richard
Casamento e família em África • pág 456
Adoukonou, Barthélémy
A teologia da libertação em África • pág 469
Nunes, José
Pureza de coração e vida política. Depoimentos • pág 475
Roseta, Pedro
Pires, Francisco Lucas
Guterres, António


apresentação

M. ISIDRO ALVES – H. NORONHA GALVÃO

De importância capital na mensagem bíblica e no pensamento cristão ao longo da vida da Igreja, "a pureza de coração" e a sua bem-aventurança de "ver a Deus", poderá parecer que perderam hoje a sua actualidade. Trata-se de uma temática que não encontra grande reflexo nos documentos do Vaticano II, ao contrário do que acontece com outras bem-aventuranças, certamente em maior correspondência com as preocupações de momento. E, no entanto, os artigos do presente número da COMMUNIO mostram como é urgente reavivar este lado fundamental da tradição bíblica e cristã. Ele permite-nos não só penetrar em dimensões essenciais à realidade da nossa Fé, mas também ver, à sua luz, qual o horizonte religioso e o sentido ético de importantes domínios da realidade imediata em que vivemos. O conhecido exegeta alemão J. Gnilka ajuda-nos a entender o sentido evangélico da bem-aventurança referida por S. Mateus no contexto do Sermão da Montanha e de toda a tradição veterotestamentária. É à luz do mistério de Jesus Cristo que a "pureza de coração" revela o seu mais profundo significado. Os artigos de A. Sicari e de X. Tilliette convergem no propósito de explicar este sentido, invocando o pensamento de grandes teólogos recentes. As posições destes nem sempre são idênticas, o que não deixa de servir de estímulo para novas reflexões, em ordem a conferir-se maior rigor à nossa linguagem na expressão de um mistério, que apenas como mistério pode ser contemplado pela inteligência. O sentido da pureza de coração é estudado por Y. de Andia, numa meditação que se estende desde o AT até aos Padres da Igreja. G. Bedouelle retoma o tema, analisando a sua incidência nas regras monásticas, onde persiste o espírito dos Padres do deserto e dos grandes santos da Idade Média. Mas também o filósofo e historiador das religiões, R. Schaeffler, tem uma perspectiva própria sobre a pureza de coração que leva à visão de Deus. Mais concretamente, a questão que o ocupa é a dos pressupostos éticos para a procura da verdade, e do alcance religioso dessa procura. Os depoimentos finais de personalidades representativas da vida política portuguesa são resposta corajosa a um desafio que, de antemão, se apresentava difícil: como conservar a rectidão do coração na vida política, em que é necessário tanto cálculo e em que a tentação do calculismo é um perigo real. Dois artigos fogem a uma ligação directa com o tema central deste número, embora a problemática da inculturação da Fé, que abordam, tenha muito a ver com o poder de discernir os seus verdadeiros valores – o que supõe uma profunda transparência de coração. Trata-se aqui das preocupações dos que, em África, partilham da nossa língua; preocupações que, desde o início da edição portuguesa da COMMUNIO, têm sido também as nossas. Os dois estudos de B. Adoukonou (Benin) e de J. Nunes (que tem trabalhado em Angola) dão-nos uma ideia da riqueza de vida nas Igrejas africanas, e também da complexidade dos caminhos que se abrem aos dinamismos da sua Fé.

 
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