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Autor
Ano XVIII • 2001-04-30 • nº 2 • Março/Abril
Vocação para o Serviço
 
palavra-chave
 
   

artigos
Jesus Cristo à luz do “Servo do Senhor” • pág 101
Alves, Herculano
Comunhão eclesial e diaconia • pág 116
Pinho, José Eduardo Borges de
Diáconos. Ordenados para o serviço • pág 130
Galvão, Henrique de Noronha
Diaconia no feminino • pág 144
Silva, Manuela
Acção Católica. Serviço da sociedade • pág 156
Sousa, José Carlos da Silva
Das confrarias medievais às Misericórdias. Salvação da alma, solidariedade e serviço aos despro • pág 162
Penteado, Pedro
Está a Igreja em Portugal desperta para o serviço? Entrevista • pág 175
Nunes, Tomaz Pedro Barbosa Silva
Um povo que foge de um estigma. Bairro do do Aldoar • pág 179
Maia, Lino Silva
Centro comunitário da Paróquia de Carcavelos • pág 183
Fernando, Conceição
Misericórdia de Mora. Uma cultura de serviço • pág 188
Almeida, Manuel Caldas de


apresentação

H. NORONHA GALVÃO
ALICE MASCARENHAS

Vocação para o serviço é a vocação que a Igreja recebeu de Jesus Cristo, o qual, sendo o seu Senhor, cumpriu a sua missão de Servo de Deus fazendo-se servo de todos os homens, como nos expõe Herculano Alves. A Igreja tem com critério decisivo a fidelidade a Jesus Cristo, pois a realização, na força do Espírito, da missão que Jesus Cristo recebeu do Pai é o seu único objectivo. Missão de diaconia é, assim, também a de todos os cristãos, não de modo sectorial ou esporádico, mas abrangendo toda a vida e actuação da fé, o que é desenvolvido por J. E. Borges de Pinho.

Na humildade aprendida com o Servo de Deus, cada cristão fiel tem a cumprir a tarefa que lhe cabe no Corpo de Cristo, com o carisma próprio que lhe vem do Espírito de Jesus ressuscitado, presente continuamente à Igreja. É no retorno constante à inspiração originária da comunidade   crente, sua razão de ser, que a Igreja encontra a força profética para ir ao encontro das reais necessidades das pessoas em cada situação histórica e, simultaneamente, se distanciar de moldes civilizacionais e correntes ideológicas, por vezes sedutores, mas menos conformes afinal ao mistério cristão. Por isso toda a Igreja e cada um dos fiéis é convidado continuamente pelo seu Senhor a converter-se, na humilde fidelidade à sua vocação de serviço.

Nesta perspectiva se poderá entender a restauração, pelo Vaticano II, do diaconado que em determinadas condicionantes históricas se tinha perdido como ministério efectivamente exercido. Nele ganha especial relevo a vocação de serviço da Igreja, em geral, e dos ministérios ordenados, em particular, como recorda o artigo de H. Noronha Galvão. Manuela Silva dedica a sua atenção, de forma particular, à vocação de serviço vivida pela mulher na Igreja, colhendo de duas mulheres – Marta e Maria – o ensinamento de Jesus, destinado a todos os cristãos, de que só pela contemplação o serviço se enraíza na fé. Haverá uma forma específica de diaconia no feminino? Esta a questão discutida e sobre a qual se apre-senta uma posição. Mas não se pode deixar de respeitar o ensinamento do Papa de que é uma questão de fidelidade ao fundador e Senhor da Igre-ja, os ministérios sacerdotais continuarem a ser exercidos apenas por varões, como foi o caso dos Doze escolhidos por Jesus.(1)

A entrevista com D. Tomaz da Silva Nunes, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, abre-nos as grandes perspectivas da acção da Igreja entre nós, em que todos os cristãos são chamados a um serviço esclarecido num mundo de rápidas e profundas mudanças, também no contexto da unificação europeia. Para isso muito contribuem Movimentos eclesiais de formação recente e novas Comunidades, aos quais João Paulo II propõe um caminho de maturidade eclesial crescente. José Carlos da Silva Sousa introduz-nos na natureza e método da Acção Católica, entendida como serviço cristão à sociedade pelo ver, julgar e agir. Na sua mais recente Carta Apostólica, o Papa sublinha, ao falar da vocação dos leigos, que “a vertente ético-social é uma dimensão imprescindível do testemunho cristão” (TMI 52).

Mas outras formas organizadas de acção caritativa existem há séculos, nomeadamente em Portugal, como as confrarias medievais e as Misericórdias a que se refere Pedro Penteado. Depois de descrever a sua génese e a sua história, conclui: “Embora as exigências sociais tenham mudado, bem como as concepções de caridade e bem-fazer, hoje, como ontem, a vitalidade destas notáveis instituições seculares continua a assentar, em grande parte, na solidariedade e disponibilidade dos leigos para o serviço aos desprotegidos, com base no sempre renovado ideal evangélico de ajuda ao próximo.” Exemplo disso é a Misericórdia de Mora de que nos fala o seu Provedor, Manuel Caldas de Almeida. Mas outras iniciativas provêm da mesma inspiração cristã de serviço, como a Associação Interinstitucional de Desenvolvimento de Aldoar (AIDA), no Porto, de cuja vitalidade, “ao serviço de um povo que foge de um estigma”, nos testemunha o seu dinamizador, o Pároco Lino Silva Maia; ou o Centro Comunitário da Paróquia de Carcavelos que tem por objectivo a solidariedade intergeracional, apresentado pela sua Directora Conceição Fernando.


(1) JOÃO PAULO II, Ordinatio sacerdotalis 2; Enchiridion Vaticanum 14, p. 736, n. 1343.

 
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