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Autor
Ano XVI • 1999-06-30 • nº 3 • Maio/Junho
Não mentirás
 
palavra-chave
 
   

artigos
Não mentirás. Sentido do mandamento no Antigo Testamento • pág 197
Couto, António
A Revelação como triunfo da verdade sobre a mentira • pág 202
Sobrino, Jon
Mentira, verdade, caridade • pág 208
Trigo, Jerónimo dos Santos
Dimensões da verdade. O oitavo mandamento nos novos catecismos • pág 223
Schlögel, Herbert
“Nem mentir, nem trair”. O repto de St. Agostinho • pág 233
Silva, Paula Oliveira
Testemunha, juramento e verdade. “… toda a verdade, e só a verdade” • pág 248
Branquinho, José
Toda a verdade ao doente? • pág 259
Osswald, Walter
Mentiras, media e comunicação • pág 263
Wolton, Dominique
Publicidade e direito dos consumidores • pág 274
Gouveia, Sara
“A vida é bela” ? • pág 278
Stilwell, Peter
“Nem a mim próprio me julgo…” • pág 282
Carvalho, Miguel Ponces de
Educar para a verdade • pág 285
Ataíde, Maria João Avillez


apresentação

M. LUÍSA RIBEIRO FERREIRA – JERÓNIMO TRIGO

A verdade, como bem e como valor, está inscrita na consciência pessoal e colectiva; é uma das seguranças necessárias da sociedade humana. Esta  tem um dos seus pilares na confiança recíproca entre as pessoas: considera-se que na comunicação interpessoal todos se sentem obrigados a transmitir pela linguagem a verdade que têm no pensamento. Sem esta base a convivência humana fica gravemente afectada; cada um passa a desconfiar de todos os outros. Por outro lado, é a partir do amor à verdade que se pode construir uma personalidade autêntica e coerente.
Assim, ser verazes no comunicar, através de qualquer tipo de linguagem, decorre da própria natureza desta como veículo de comunicação. A veracidade, o dizer aquilo que se pensa ser a verdade, torna-se, então, uma das principais virtudes humanas e sociais.
Em oposição à verdade e à veracidade está a mentira. É um dos maiores males da humanidade: faz perder a credibilidade no outro, mina a confiança interpessoal, deteriora as relações sociais. Cada vez mais, por motivo da sociedade mediatizada, adquire uma amplitude colectiva e pública. Mente-se facilmente, de muitos modos; é detectável um clima de intrigas, de equívocos provocados, de falsidades… falta-se à “palavra de honra”.
Com frequência, a linguagem é utilizada de forma voluntariamente arbitrária e pouco comprometida. É um facto que acontece nos comportamentos quotidianos e tem cada vez maior extensão, deseducando as pessoas, em campanhas publicitárias enganosas e eleitorais, nas quais descaradamente se ocultam ou deturpam factos e afirmações e se fazem promessas que os próprios proponentes sabem não poder cumprir. A própria comunicação social de massas manipula acontecimentos, ampliando-os sensacionalisticamente, diminuindo-os vergonhosamente ou silenciando-os numa lógica de audiências, conveniências, orientação ideológica, económica ou política.
Este número da COMMUNIO pretende ser um subsídio que ajude a assumir o compromisso pela verdade e veracidade. António Couto apresenta o sentido do mandamento “não mentirás” no decálogo: originariamente referia-se ao falso testemunho em tribunal, depois o sentido foi alargado. Jon Sobrino destaca como no Evangelho de S. João, numa perspectiva válida para hoje, a dificuldade em aceitar a revelação de Deus não está tanto na ignorância, mas no fechamento à verdade. Assim, triunfar sobre a mentira é mais importante que vencer a ignorância.
Mentir é sempre mal? A tradição teológica tem acentuado a perspectiva do mal absoluto; contudo outras são possíveis, sobretudo quando se reflecte sobre a verdade a partir da caridade; é este assunto abordado por Jerónimo Trigo. Os diferentes catecismos publicados nos últimos anos tratam de vários aspectos relativos ao oitavo mandamento; Herbert Schlögel apresenta-os. Santo Agostinho aborda a problemática moral da mentira. Paula O. e Silva destaca o repto que ele deixa: “nem mentir, nem trair”, contextualizando a reflexão agostiniana como resposta à heresia priscilianista e simultaneamente demonstrando a actualidade das suas teses.
Em tribunal, para a descoberta da verdade é central a veracidade das testemunhas, as quais por juramento se obrigam a “dizer a verdade e só a verdade”; o seu significado e alcance é tratado por José Branquinho. Walter Osswald reflecte sobre a questão do direito do doente à verdade do seu estado de saúde e, consequentemente, se o médico tem o dever de a comunicar. Dominique Wolton traz-nos uma arguta reflexão sobre o papel e a responsabilidade da comunicação e dos mass media no mundo e na era da globalização. Há regras que visam disciplinar a expressão e conteúdos da mensagem publicitária e proteger o consumidor; Sara Gouveia apresenta-as.
Miguel Ponces de Carvalho testemunha uma experiência pessoal de conflito de valores na afirmação da verdade. Maria João Ataíde escreve sobre o melhor modo de iniciar as crianças na procura da verdade. O número inclui ainda uma recensão de Peter Stilwell sobre o filme “A vida é bela”, de Roberto Benigni, no qual a realidade ficcionada se torna possibilidade de sobrevivência.

 
  KEOPS multimedia - 2006