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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XVI • 1999-04-30 • nº 2 • Março/Abril
Deus Pai
 
palavra-chave
 
   

artigos
O Pai na revelação cristã • pág 101
Bagnard, Guy
O “acesso ao Pai” em St. Inácio de Antioquia • pág 108
Young, Robert
Creio em Deus Pai, Senhor do universo. Perspectivas • pág 118
Galvão, Henrique de Noronha
Criador do céu e da terra. Relação entre fé e ciência • pág 127
Leclerc, Marc
A paternidade divina. Tradição hindu e cristianismo • pág 140
Souza, Teotónio R. de
Deus Pai e a crise da paternidade • pág 151
Alessandri, Hernán
Paternidade-maternidade espiritual • pág 165
Sudbrack, Josef
Philosophari in Maria. Uma leitura da carta encíclica A Fé e a Razão • pág 176
Silva, Carlos
A paternidade em Pai Américo • pág 187
Galamba, Carlos
Recensão de Jean Delumeau e Daniel Roch (Dir) - Histoire des pères et de la paternité • pág 191
Branco, Maria C.


apresentação

H. NORONHA GALVÃO

Só Deus manifesta para connosco uma fidelidade absoluta, e apenas a caritas, o amor de generosidade que aprendemos de Deus, nunca desilude. Estas conclusões do convertido que viria a ser St. Agostinho, nas suas Confissões, colocam-nos perante o mistério de Deus Pai. Ele é o Amor (1Jo 4,8) infinito. Sempre nova força criadora jorra dessa Fonte última do ser, da verdade e do bem; essa a Providência que de tudo e todos cuida pois tudo e todos dela provêm.
Da paternidade divina há imagens criadas. Entre o sentido equívoco e o unívoco existe o sentido analógico, em que, numa fundamental dissemelhança, se alberga uma semelhança real. Da nossa experiência de paternidade podemos elevar-nos, analogicamente, à fé em Deus Pai. Nesse movimento, é já a fé que nos eleva, dando-nos a luz necessária para, na dissemelhança, encontrarmos essa Paternidade de que o criado conserva real semelhança. Não é, por isso, de admirar que no Novo Testamento se afirme que só Deus pode ser considerado como verdadeiro Pai (Mt 23, 9), ao mesmo tempo que, por exemplo, S. Paulo assuma claramente a sua paternidade para com as comunidades (cf. 1Co 4,15), fruto do seu zelo apostólico e objecto permanente do seu cuidado.
Propriamente, só com Jesus Cristo se revela a paternidade de Deus, pois só há verdadeira paternidade onde existe a intimidade última com o Pai que o Filho revela (Mt 11,25ss). Dito em linguagem actual, revela-se aí uma relação existencial que, de forma decisiva, transpõe para um plano pessoal insuspeitado tudo o que antes se sabia de Deus.
Neste ano de preparação do grande Jubileu do terceiro milénio, dedicado a Deus Pai, alguns aspectos desta doutrina são-nos apresentados neste número da COMMUNIO através de uma ampla colaboração internacional. Mons. Guy Bagnard introduz-nos no mistério de uma Paternidade divina que só o Filho nos pode revelar. Robert Young detém-se nos primórdios da Tradição cristã para nos mostrar, no bispo mártir St. Inácio de Antioquia († ca. 117), como o Pai está presente na Igreja pelo ministério do bispo, e como se Lhe pode ter acesso pela participação no sacrifício de Jesus Cristo.
Tendo presente todo o mistério trinitário de Deus, qual a via para nos dirigirmos para o Pai? A Liturgia, sobretudo depois da reforma na sequência do concílio Vaticano II, coloca-nos na perspectiva paulina da oikonomia, segundo a qual a unidade eclesial realizada pelo Espírito é o lugar que nos permite ter acesso ao Pai por Jesus glorificado. Idêntica perspectiva é a que nos é proposta pelas Confissões de fé. Pretende-o mostrar o texto de H. Noronha Galvão, com um título que é uma tradução possível do primeiro artigo do Símbolo dos Apóstolos: “Creio em Deus Pai, Senhor do Universo”. A expressão “Criador do Céu e da Terra”, que foi acrescentada posteriormente a este artigo de fé, serve de título ao estudo de Marc Leclerc sobre as relações entre a fé e as ciências positivas. Se o cientista permanece sempre um homem, como nos é recordado, e se “todos os homens procuram naturalmente saber” (Aristóteles), não lhes pode ser vedado procurar a inteligibilidade do real, para além do que é facultado pelo método positivo. Filosofia e fé têm aqui uma palavra necessária a dizer.
No campo religioso, é interessante comparar a concepção de paternidade divina, no sentido específico cristão, com a plurissecular tradição hindu. Este o tema de Teotónio de Sousa.
O nosso tempo é caracterizado por uma crise da paternidade. Hernán Alessandri, num estilo vivo latino-americano, descreve-a no seu artigo; a fé cristã em Deus Pai permite interpretar e superar essa crise. De forma complementar, Josef Sudbrack abre-nos o vasto horizonte das múltiplas tradições cristãs de paternidade–maternidade espiritual, completando-o com as sugestões, tão presentes e influentes na nossa cultura, que derivam das diversas religiões orientais e das novas formas de religiosidade. No nosso meio português, o testemunho do Padre Carlos Galamba coloca-nos perante a riqueza da experiência e do testemunho de paternidade espiritual que nos deixou o Pai Américo.
A questão das relações entre Fé e Razão é retomada por Carlos Silva, a propósito da última encíclica do papa João Paulo II. Aí se propõe tomar a Mãe de Jesus Cristo como modelo de acolhimento da Verdade “na consciência humilde de uma escuta e verdadeira obediência à Vida”.

 
  KEOPS multimedia - 2006