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Autor
Ano XV • 1998-10-31 • nº 5 • Setembro/Outubro
A virtude da Fortaleza
 
palavra-chave
 
   

artigos
O ideal grego da virilidade e a fortaleza do cristão • pág 389
Eijk, Willem J.
Quem são os fortes no Antigo Testamento? Os resistentes e o servo de Deus • pág 404
Rebic, Adalbert
A força da cruz • pág 414
Carvalho, Maria Manuela da Conceição Dias de
O testemunho dos mártires ontem e hoje • pág 421
Barbosa, David Sampaio
Pensar a fé no cativeiro. Dietrich Bonhoeffer • pág 434
Ferreira, Maria Luísa Ribeiro
O tema da fortaleza na liturgia • pág 449
Rocha, Pedro Romano
Resistência não-violenta. Onde está a verdadeira fortaleza? • pág 460
Hanssens, Jozef
Abstenção no referendo sobre o aborto • pág 473
Stilwell, Peter
A fortaleza do povo timorense. Depoimento • pág 477
Pires, Paulo


apresentação

JERÓNIMO TRIGO – JUAN AMBROSIO


A fortaleza pode ser entendida como característica e como virtude. No primeiro caso é um traço do carácter e do temperamento, uma realidade psicológica, que tanto serve para o bem como para o mal. Implica a segurança de si mesmo, a valentia, a firmeza de ânimo, o entusiasmo. Pode ser admirada, mas só é moralmente digna de estima ao colocar-se ao serviço do bem. É, então, uma virtude moral.
É uma virtude cardeal; à sua volta giram todas as outras. É uma modalidade perfectiva presente em todo o âmbito do agir moral; entra como constitutiva de todos os comportamentos virtuosos; sem ela não haveria vida moral. É condição necessária, embora não suficiente, de todas as virtudes e de toda a moralidade. A fortaleza aparece enumerada no núcleo das virtudes morais fundamentais em Platão (Rep. II,7) e Aristóteles (EN, 1115-1130). A sua perspectiva foi recebida e transmitida pela tradição filosófica e teológica ocidental (S. Tomás de Aquino, S. Th. Ia-IIae, q. 66, a.4; IIa-IIae, q. 123).
Como virtude moral assegura, no meio das dificuldades e obstáculos, que podem chegar a ser muito grandes, a firmeza e a constância na promoção e na prática do bem. Faz com que a pessoa domine o medo e a temeridade, nas situações de dificuldade e de perigo. Perante os males, mantém a vontade no bem; pode chegar ao sacrifício da própria vida, na defesa da causa justa.
Ao lado da fortaleza como virtude humana, está a fortaleza, dom do Espírito Santo, que a aperfeiçoa. É um dom que excede as forças da natureza humana, impele à prática das virtudes, imprime confiança invencível para superar dificuldades, proporciona energia inquebrantável para realizar o bem, destrói a mediocridade para suportar as piores tribulações, capacita para o heroísmo. O martírio é a sua forma mais elevada.
A fortaleza exprime-se em dupla acção: no acometer ou empreender, ao procurar positivamente o bem; e no resistir, ao não retroceder, mesmo com graves sacrifícios, na sua prossecução.
Neste número da COMMUNIO, dedicado à virtude da fortaleza, apresenta-se em primeiro lugar as duas vertentes complementares: a virtude humana e o dom do Espírito (Willem J. Eijk). Depois, destaca-se como a fortaleza é entendida no Antigo Testamento: um atributo de Deus que o manifesta ao intervir na história dos homens (Adalbert Rebic). Por seu lado, o homem sendo fraco, é fortalecido por Deus. O artigo de Maria Manuela de Carvalho versa sobre a força da cruz de Cristo: o que humanamente é mais desprezível torna-se força de salvação.
É em virtude da fortaleza que se viveu e vive de modo heróico, às vezes até à entrega da própria vida, no testemunho supremo do martírio. David Sampaio Barbosa apresenta-nos uma perspectiva panorâmica da história; M. Luísa Ribeiro Ferreira centra-se num “mártir” do nosso tempo: Dietrich Bonhoeffer.
A referência à virtude e ao dom da fortaleza é recorrente na liturgia. A unção com óleo é o sinal sacramental que nos revela o dom do Espírito de fortaleza nos crentes; desse aspecto se ocupa Pedro Romano Rocha.
A fortaleza foi vivida de modos diferentes, consoante os tempos e as culturas. Nalguns casos há uma alteração significativa; por exemplo, antes exaltava-se a fortaleza do guerreiro, agora a do lutador não violento e do pacifista. Personalidades como Gandhi e Luther King, testemunhos na Argélia, no Ruanda e na ex-Jugoslávia, organizações como a Pax Christi e a Amnistia Internacional são disso exemplo. Este o assunto do artigo de Jozef Hanssens.
 Âmbito da virtude da fortaleza é, actualmente, entre outros, o empenhamento na construção de um mundo mais humano, nomeada mente na resistência a situações de injustiça e escravidão. Deste modo se exprime o testemunho do timorense Paulo Pires.
Ainda a respeito do referendo sobre o aborto, Peter Stilwell analisa o fenómeno da abstenção, retirando daí uma lição para o combate a empreender, de modo dialogante e positivo, contra esse flagelo social.


 

 
  KEOPS multimedia - 2006