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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XV • 1998-08-31 • nº 4 • Julho/Agosto
O sentido do Trabalho
 
palavra-chave
 
   

artigos
Trabalho e condição itinerante do homem • pág 293
Freitas, Manuel Barbosa da Costa
Sentido(s) do trabalho na Doutrina Social da Igreja • pág 298
Patrício, José Simões
Tempo para trabalhar e tempo para viver. Mudança psico-social • pág 308
Oberreuter, Heinrich
Existe um direito humano ao trabalho? • pág 317
Wissen, G. van
Trabalho do futuro e responsabilidade da empresa • pág 332
Felix, António Bagão
Trabalho degradante e sua superação • pág 340
Catarino, Acácio
“Para uma Sociedade Activa”. Trabalho e família • pág 352
Graal
Trabalho infantil. Entre a hipocrisia e o quixotismo • pág 358
Fernandes, António Monteiro
Lugar das mulheres no desenvolvimento sustentável • pág 368
Cruz, A. Braga da
Uma reforma realista da Segurança Social • pág 373
Ferreira, Sílvia
Santos, Boaventura Sousa
Renúncia ao trabalho remunerado • pág 378
Moniz, Lígia Botelho
“Ajuda Personalizada”. A integração profissional da pessoa com deficiência • pág 381
Pereira, Irene


apresentação

M. LUÍSA RIBEIRO FERREIRA – M. LUÍSA FALCÃO


Porquê um número da COMMUNIO sobre o sentido do trabalho? Este tema surge pelo facto de o trabalho não poder ser só encarado como direito, mas também como responsabilidade que sobre todos recai de assumir a nossa actividade como uma contribuição para fazer progredir e crescer o mundo em que vivemos. Manuel da Costa Freitas entende o trabalho como “actividade de transformação e de espiritualização da matéria”, acentuando nele a dimensão de alegria, inerente à produção e realização criativa de uma obra. José Patrício toma o texto da Laborem exercens como ponto de partida para a reflexão que empreende sobre a Doutrina Social da Igreja neste século, analisando as diferentes encíclicas que se debruçaram sobre esta temática. A tónica dominante é colocada numa concepção subjectiva do trabalho, sendo este entendido como elemento fundamental da realização humana.
Heinrich Oberreuter reflecte sobre as consequências, para o futuro das empresas e a vida dos trabalhadores, da mudança psico-social que ultimamente se operou. Se o emprego não perdeu a sua importância, é preciso no entanto situá-lo no novo contexto em que lazer e “vida activa” ganharam relevância. Gerard v. Wissen interroga-se sobre o direito ao trabalho, levantando alternativas interessantes para o problema do desemprego nas sociedades industrializadas. Depois de analisar as profundas mutações sofridas desde a Grécia aos nossos dias, analisa o trabalho como um “direito fundamental social” do homem.
Ao abordar “Trabalho do futuro e responsabilidade social da empresa”, A. Bagão Félix alerta-nos para as mutações que nesta se deram a partir dos anos 70. A tónica é agora colocada na empresa como comunidade de pessoas, centrando-se as estratégias nos recursos humanos e cimentando-se a tese de que a finalidade das empresas não reside nelas próprias mas sim na realização social de quem nelas trabalha.
Acácio Catarino aponta os factores de instrumentalização, passividade e inadequação que tornam degradantes muitas situações laborais. Ao atentar nas causas das mesmas, depara com o desfasamento entre os interesses dos trabalhadores e as tarefas que desempenham, bem como com o (ainda actual) antagonismo entre capital e trabalho. A desejada superação destes aspectos negativos exige o esforço concertado de pessoas, grupos, empresas e organizações.
O artigo “Para uma sociedade activa”, da responsabilidade do Graal, desafia-nos a repensar a forma como vivemos. Este “projecto” internacional tem vindo a questionar o modelo actual da organização do trabalho, e propõe-nos uma mudança de mentalidades, de atitudes e comportamentos que nos leve a enveredar por uma vida mais humana.
A. Monteiro Fernandes analisa o complexo problema do trabalho infantil, e denuncia-o como fenómeno intolerável, “sintoma de doença do tecido social,” mas aceita que mais do que de crueldade se trata de ignorância, incultura, consumismo e falência da missão escolar.
A propósito do trabalho feminino, Ana Maria Braga da Cruz fala-nos de como é possível promover o desenvolvimento local de modo específico, atendendo às raízes humanas e culturais.
Boaventura Sousa Santos e Sílvia Ferreira analisam vectores importantes da problemática do sistema português de Segurança Social, contrapondo essencialmente duas visões desta questão — a que defende a insustentabilidade do actual sistema público de protecção social e a que refere a possibilidade de reforma do sistema segundo a Lei de Bases do Ministério do Trabalho e da Solidariedade.
Por fim os depoimentos. Lígia Botelho Moniz fala-nos das razões que a levaram a trocar um emprego interessante e bem pago, por um trabalho não remunerado que a fez descobrir uma forma mais humana de estar com os outros e se realizar. Irene Pereira chama-nos a atenção para o trabalho dos deficientes. Este pode muitas vezes processar-se sem problemas, desde que devidamente assistido através de uma “ajuda personalizada”, algo que é praticado em muitos países europeus mas que Portugal por enquanto ainda ignora.

 
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