Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XV • 1998-04-30 • nº 2 • Março/Abril
O Espírito que dá a Vida
 
palavra-chave
 
   

artigos
Jesus e o dom do Espírito • pág 101
Antunes, Virgílio
Mistério pessoal do Espírito Santo • pág 112
Ouellet, Marc
O Espírito Santo na teologia contemporânea • pág 128
Farias, José Jacinto Ferreira de
O crisma, sacramento do Espírito Santo • pág 143
Henrici, Peter
O sacramento do crisma no diálogo entre o Ocidente e o Oriente • pág 152
McPartlan, Paul
A esperança é para todos? Comunhão, universalidade e apocatástase • pág 163
Servais, Jacques
As festas do Espírito Santo nos Açores • pág 175
Leal, João
O Espírito Santo, humildade de Deus • pág 187
Nadal, Emília
O Espírito Santo na vivência da fé • pág 189
Miguel, António M. Martins


apresentação

H. NORONHA GALVÃO – LUÍS M. PEREIRA DA SILVA


Insere-se este número da COMMUNIO na preparação do Jubileu da passagem do segundo para o terceiro milénio, no presente ano dedicado ao Espírito Santo. Mas, como nos mostra o artigo de Virgílio Antunes, o dom do Espírito apenas se entende na sua íntima relação com a missão de Jesus Cristo, a qual culmina na glorificação da ressurreição, após a morte de cruz.
Como entender, porém, o mistério dessa Pessoa divina? A resposta tem sido dada em diversos contextos culturais, como nos expõem os textos de Marc Ouellet e Jacinto Farias.
Ao nível da vida sacramental da comunidade cristã, falar do dom do Espírito é falar do sacramento do Crisma ou Confirmação. Os sacramentos são lugares privilegiados de diálogo entre Deus e o homem salvo por Jesus Cristo, no qual a anterioridade da Graça — em relação a qualquer mérito humano — se exprime, no entanto, num contexto antropológico concreto, marcado por um acontecimento particular na vida do crente. Se alguns teólogos e pastores sublinham a anterioridade da Graça, como Paul McPartlan no seu artigo sobre o  Crisma, outros mostram-se sensíveis ao contexto antropológico, como Peter Henrici escrevendo acerca do mesmo sacramento. E nada resolve se os primeiros cederem à tentação de chamarem pelagianos aos segundos (como se estes fizessem depender a Graça do mérito humano), e os segundos acusarem os primeiros de uma concepção mágica dos sacramentos (para a qual seria irrelevante a situação e a atitude humanas de quem os recebe). O tema em discussão é a idade em que se deve receber o Crisma, com os valores que uma ou outra solução pode salvaguardar ou tem de sacrificar. Mas a solução a adoptar há-de supor um juízo prudencial dos pastores, tendo em conta todos os dados da questão: teológicos, pastorais e ecuménicos. E não se pode esquecer que a prática da iniciação cristã dos adultos se alterou precisamente ao ter deixado de ser de adultos. O baptismo, como nascimento para a Graça, foi aproximado, logo nos primeiros séculos, do nascimento para a vida, numa acentuação clara do aspecto antropológico do sacramento. Não é de admirar que, a seguir, seja este mesmo aspecto antropológico que vá aproximar o sacramento do Crisma da maturidade humana. Mas tal maturidade poderá muito bem ser a da infância, a da chamada “criança adulta” (como o admitia Mons. Peter Henrici em conversa pessoal), tornando deste modo mais fácil conservar a ordenação tradicional Baptismo-Crisma-Eucaristia.
Como também nos propõe João Paulo II, ligada ao Espírito Santo surge-nos a virtude da Esperança. É ela que nos projecta para a consumação final do Reino de Deus, em que desejaríamos ver unidos em comunhão e perfeitamente felizes todas as pessoas humanas. Se esperar assim nos é lícito, é o assunto tratado por Jacques Servais. E essa mesma abundância da plenitude final é também o tema e a mensagem do Culto do Espírito Santo, tal como se pratica nos Açores. Ao olhar do antropólogo João Leal, que o analisa detalhadamente, seria necessário juntar a do teólogo que vê o Dom de Deus — outro nome do Espírito Santo — a exprimir-se eloquentemente pelas generosas dádivas aos pobres, fruto da caridade cristã. É, com efeito, a caridade que o Espírito Santo infunde nos corações (Rm 5,5). Se o carácter interesseiro da contra-dádiva, oferecida a Deus pelo favor recebido, pode contaminar rituais que se afastaram da sua inspiração evangélica, será missão de uma pastoral atenta evangelizar de novo o que se paganizou. Contudo, não parece que toda a expressão de gratidão possa ser, indiscriminadamente, interpretada como dádiva interesseira.
Dois testemunhos finais, de Emília Nadal e de António Miguel, mostram-nos como a presença do Espírito Santo na vida concreta dos crentes a pode transfigurar e transformar numa resposta desperta e criativa ao Dom de Deus.
Água Fonte de Vida será o tema do pavilhão da Santa Sé na Expo’98, como se anuncia no final deste fascículo.

 

 
  KEOPS multimedia - 2006