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Titulo do Artigo
Autor
Ano XIV • 1997-12-31 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Sedução actual da Gnose
 
palavra-chave
 
   

artigos
Gnose e fragmento no multiverso para-religioso • pág 485
Diaz, Carlos
As novas gnoses • pág 493
Neves, Joaquim Carreira das
A Igreja perante os novos desafios da gnose • pág 524
Figura, Michael
Falar hoje da ressurreição. “O sinal de Jonas”em Ireneu de Lyon • pág 533
Antoine, Agnès
Joaquim de Flora e a Idade do Espírito Santo • pág 544
Franco, José Eduardo
A Igreja católica na Rússia II • pág 553
Kondrusiewicz, Taddeus
O mundo em que realmente vivemos? O mundo verdadeiro? • pág 562
Jorge, João Miguel Fernandes
O Santo e o Maravilhoso na obra de Olivier Messiaen • pág 567
Teixeira, Alfredo


apresentação

ALFREDO TEIXEIRA – JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA


No termo de mais um ano de actividade editorial, a revista COMMUNIO reuniu neste número um conjunto diverso de olhares sobre a sedução actual da gnose, no contexto das sociedades ocidentais. O que está em causa não é tanto a reedição daquelas heterodoxias gnósticas que habitaram a conflituosidade eclesial do cristianismo dos primeiros séculos, mas sobretudo o recorte gnóstico de múltiplas religiosidades contemporâneas, num território de fronteiras imprecisas — como impreciso é o conceito de “nebulosa místico-esotérica” que François Champion forjou para as designar.
No percurso em que, no Ocidente, se aprofundou a experiência de fragmentação do universo cristão, os significados religiosos surgem, frequentemente, como um repertório de fragmentos que podem ser recompostos segundo a lógica do consumismo dominante. Carlos Díaz procura mostrar que este, agora, pluriverso religioso, resultante do desmoronamento das tradicionais megavisões religiosas, corresponde aos desenvolvimentos pós-modernos de uma sociedade que fez do autocentrismo a normalidade. Carlos Silva prefere reconhecer neste folclore de espiritualidades confusas, o contraponto do hiper-racionalismo que o Ocidente experimentou, e o grito de insatisfação perante os meios habituais da religiosidade comum.
Joaquim Carreira das Neves insere, no quadro desta sedução actual da gnose, o hermetismo de Umberto Eco na obra O pêndulo de Foucault, a espiritualidade do perdão que conduzirá à unidade fraterna e cósmica que o livro A Course in Miracles divulgou, e a leitura fundamentalista e milenarista de um outro êxito editorial, O Código da Bíblia. Este último é um bom exemplo das frequentes alianças entre significados religiosos e dados científicos que o sincretismo religioso actual celebra. Nestes fragmentos neognósticos, Joaquim Carreira das Neves descobre os traços de uma demanda de sentido que prefere a via iniciática do conhecimento à fé.
As tendências gnósticas lançaram desafios importantes às Igrejas nascentes. Tal resulta evidente da leitura que Dimas de Almeida faz do “enigma joanino” e do confronto com a espantosa actualidade do pensamento de Ireneu de Lião aqui abordado por Agnès Antoine. Mas o apelo gnóstico não se circunscreveu aos limites históricos dos primeiros séculos cristãos. Tornou-se uma sedução recorrente, e disso dá testemunho o artigo de José Eduardo Franco sobre Joaquim de Flora e a Idade do Espírito Santo. A posteridade das profecias deste abade cisterciense acerca de uma terceira idade tiveram uma ampla posteridade. A figura da Idade do Espírito Santo serviu, frequentemente, a construção simbólica de um cristianismo sem Igreja, um cristianismo feito religião perfeita da humanidade.
Tal como no passado, as Igrejas não poderão deixar de responder, hoje, à interpelação gnóstica. A esse desafio procura dar resposta Michael Figura, descobrindo que, na nebulosa gnóstica contemporânea, se podem encontrar as grandes figuras daquele conflito que as Igrejas nascentes experimentaram: as interrogações acerca da humanidade e da historicidade de Jesus Cristo; as indagações acerca da imagem cristã da pessoa humana; o conflito entre a escatologia cristã e as doutrinas reencarnacionistas. Neste percurso, Michael Figura resume no conceito largo de New Age grande parte das tendências gnósticas hodiernas, sobretudo aquelas que se inscrevem numa mística panteísta da natureza e do cosmos, através da compenetração do próprio “eu”.
Traduzindo, a seu modo, as emergentes procuras de sentido que vagueiam na cultura contemporânea, não poderiam as expressões estéticas permanecer alheias à sedução actual da gnose. João Miguel Fernandes Jorge interroga as artes plásticas no âmbito daquele questionamento eminentemente estético acerca da realidade e da consistência do Mundo, e Alfredo Teixeira deixa-nos um depoimento sobre o sincretismo que relaciona o Santo e o Maravilhoso na obra musical de Olivier Messiaen.
O presente fascículo da revista inclui, ainda, a segunda e última parte do artigo sobre a Igreja Católica na Rússia, cuja publicação iniciámos no número anterior.

 
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