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Autor
Ano XIV • 1997-10-31 • nº 5 • Setembro/Outubro
A audácia da Prudência
 
palavra-chave
 
   

artigos
Vihls. Declinações do rosto humano. Notas de um espectador • pág 197
Caeiro, Mário
Prudência, previdência e Providência • pág 389
Brague, Rémi
Prudentes como serpentes • pág 399
Palos, José António Morais
Sede prudentes, não estúpidos • pág 409
Michon, Cyrille
A audácia da prudência na Regra de S. Bento • pág 423
Canals, Josep Soler i
Para lá da lei, em nome da justiça. A virtude da epikeia • pág 437
Trigo, Jerónimo dos Santos
Da prudência à jurisprudência • pág 449
Silva, Germano Marques da
Os pilares da nova genética. Eficácia, prudência, razão • pág 453
Santos, Agostinho Almeida
A Igreja católica na Rússia I • pág 461
Kondrusiewicz, Taddeus
Com prudência, sem cautelas. Depoimento • pág 471
Pureza, José Manuel
Audácias e prudências na educação. Depoimento • pág 475
Monteiro, M. Isabel
Monteiro, Valdemiro Líbano


apresentação

MARIA C. BRANCO – MARIA LUÍSA FALCÃO


Vivemos hoje a era do “radical”, tudo é um permanente arriscar; dir-se-ia que o tempo é curto, não há tempo para ser prudente. Usa-se eufemisticamente este termo para significar cauteloso, temeroso quando não cobarde.
À primeira vista parecerá ir contra-corrente, dedicar um número da COMMUNIO à prudência, e designando-a como virtude cristã.
Contudo, é necessário ter presente uma longa tradição.
Originariamente, a virtude da prudência é um conceito antropológico; a sua primeira análise é feita por Aristóteles. Com o Evangelho e os Padres da Igreja é-lhe conferida dimensão cristã. Num e noutro plano ela é designada como a virtude da razão prática, a recta razão na ordem do agir. A prudência é o que nos torna capazes de fazer a escolha boa em vista de um fim bom (o justo meio). Para o cristão, o fim bom é a santidade. Aquele que escolhe os meios bons com uma má finalidade pode ser astucioso, mas não é prudente. A prudência vê longe e vê alto. É bem diferente da atitude cautelosa que hoje, frequentemente, se associa à prudência.
A prudência é, de facto, a virtude dos fortes. Mas sem a força transgressora da audácia a prudência pode ser confundida com cautela. No plano da fé, é pela audácia que a prudência se revela confiança fundamental. E esta confiança confere à audácia uma serenidade própria da fé que é fruto da graça. Assim se justifica o título que demos ao número: A audácia da prudência. Será o primeiro de uma série de quatro fascículos dedicados às virtudes cardeais (seguir-se-ão: a fortaleza, a temperança e a justiça).
O número abre com um artigo de Rémi Brague, “Prudência, previdência e Providência”, que nos adverte como a prudência é a virtude daquele que se sabe cordeiro entre lobos, e a vive como resposta à Providência divina. “Prudentes como serpentes”, é o título do texto de José M. Palos. A frase bíblica (Mt 10,16) implica o conhecimento prático das situações e a capacidade de as prever e discernir com bom senso. Cyrille Michon expõe-nos, no seu texto, como S. Tomás mostra que a “mãe de todas as virtudes”, a prudência, rege as nossas acções tendo como finalidade o império da caridade sobre a nossa vida. O dom do conselho leva-a à perfeição criando em nós a docilidade à influência do Espírito Santo.
Audácia da prudência é expressão atribuída a S. Bento. Dele nos fala o artigo de Josep Soler i Canals que analisa a prudência e a audácia de que o pai do monaquismo do Ocidente dá mostras ao redigir a Regra que deixou à Ordem que fundou. Jerónimo Trigo mostra-nos como a epikeia é uma autêntica virtude estreitamente ligada à prudência. Actua quando há um desfasamento real entre a melhor justiça e o que é imposto pela legalidade; é forma de audácia da prudência na procura da justiça, para lá da letra da lei.
Temos, em seguida, duas aplicações práticas da virtude da prudência em áreas da vida de grande significado para o homem moderno: na jurisprudência (Germano Marques da Silva) e na investigação genética (Agostinho Almeida Santos). José M. Pureza, no primeiro depoimento, chama a nossa atenção para a diferença entre prudência e cautela, tomando como ponto de partida atitudes que devem ser assumidas de forma ousada pelos cidadãos, na vida pública; o segundo depoimento, de um casal cristão, dá-nos testemunho das audácias e prudências na sua vida de casados e, sobretudo, na educação dos filhos.
A terminar, fica a referência a um artigo fora do tema. Trata-se de uma exposição sobre a história da Igreja católica na Rússia, apresentada por Taddeus Kondrusiewicz, arcebispo de Moscovo. Numa altura em que na Rússia foi aprovada a nova lei de liberdade religiosa, que não reconhece a Igreja católica como uma das mais antigas formas de religião implantadas em território russo, pensamos ser importante apresentar aos nossos leitores este texto. Dada a sua extensão, publicamos apenas a primeira parte seguindo-se a segunda e última no próximo número.

 
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