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Autor
Ano XIV • 1997-08-31 • nº 4 • Julho/Agosto
Peregrinações
 
palavra-chave
 
   

artigos
Abraão e o povo de Deus peregrino • pág 293
Ravasi, Gianfranco
Jerusalém para o tempo e para a eternidade • pág 303
Perrier, Jacques
O universo das peregrinações.Aspectos religiosos e culturais • pág 310
Ries, Julien
A peregrinação, fenómeno humano e religioso • pág 316
Pereira, Fernando Micael
A construção da memória nos centros de peregrinação • pág 329
Penteado, Pedro
Santuários, lugares de peregrinação em Portugal • pág 345
Lima, José da Silva
O tempo hispânico e a “invenção” de São Tiago • pág 363
Mattoso, José
Congresso Internacional de Fátima. “Fenomenologia e Teologia das Aparições” • pág 375
Farias, José Jacinto Ferreira de
Taizé. “Peregrinação de confiança através da terra”. Depoimento • pág 380
João, Irmão


apresentação

H. NORONHA GALVÃO


Num momento em que ganha relevo a espiritualidade e a prática das peregrinações, para que se sentem atraídas sensibilidades religiosas das mais diversas, a revista COMMUNIO dedica este número a alguns aspectos desta realidade que tem particular significado para a fé cristã.
A percepção do próprio carácter itinerante da condição humana está intimamente ligada à consciência bíblico-cristã do tempo. Este deixa de ser concebido, miticamente, na circularidade fechada do eterno retorno, para ser entendido na linearidade histórica que só o gesto criador de Deus pode inaugurar e levar à consumação.
Não admira, assim, que Israel se entenda como povo peregrinante, respondendo à vocação própria de Abraão (como nos expõe G. Ravasi). Com David é instituído o reino, e Jerusalém escolhida para capital onde se guarda a Arca da Aliança (a qual, após a construção do Templo, é neste venerada). Assumindo o valor de lugar sagrado, Jerusalém constitui-se o lugar para onde se “sobe” em peregrinação. O Novo Povo de Deus, a Igreja de Jesus Cristo, terá o itinerário da sua condição peregrinante dirigido para a Jerusalém celeste, que é a própria realidade de Cristo ressuscitado (artigo de J. Perrier). A Igreja é um povo peregrino, na sua caminhada para a plenitude, crescendo em santidade e verdade. E que o ecumenismo é um dos maiores contributos para esse crescimento fica ilustrado pelo depoimento de um Irmão português da comunidade de Taizé. O Irmão João conta-nos como, desde finais dos anos cinquenta, gerações sucessivas de jovens têm sido aí acolhidas, resultado do movimento espontâneo de uma juventude que se revê no ideal ecuménico dessa comunidade.
O vasto “universo das peregrinações” inclui, porém, mundos muito diversos, consoante as várias religiões e culturas (J. Ries), e nele podemos analisar aspectos antropológicos, com relevância nomeadamente para a modernidade (F. Micael Pereira).
Das peregrinações não se podem dissociar os lugares sagrados que as polarizam e onde se constrói a sua memória (Pedro Penteado). O que nos conduz aos santuários de Portugal, com o significado próprio das suas invocações e distribuição geográfica (J. Silva Lima); e também ao caso histórico, de profunda repercussão na Península Ibérica, de Santiago de Compostela (José Mattoso).
Se a teologia e pastoral respeitantes a Fátima já mereceram a atenção da COMMUNIO,1 não podíamos deixar de referir a preparação em curso do Congresso Internacional comemorativo dos 80 anos decorridos sobre os acontecimentos da Cova da Iria. J.J. Ferreira de Farias introduz-nos no sentido desta iniciativa que se insere também no espírito de peregrinação.

 

1 Cf. H. NORONHA GALVÃO, Para uma Teologia de Fátima, in: Communio 4 (1987/6) 542-549, e Luciano GUERRA, Pastoral de Fátima. Elementos fundamentais, ibid., 563-   -572.

 
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