Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XIV • 1997-04-30 • nº 2 • Março/Abril
Fidelidade e Sexualidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
O matrimónio à luz da metáfora nupcial bíblica • pág 101
Vaz, Armindo
O matrimónio cristão como sacramento • pág 113
Lehmann, Karl
Corporeidade e tensão bipolar da sexualidade • pág 122
Reimão, Cassiano
Paradigmas de ética sexual • pág 134
Trigo, Jerónimo dos Santos
A fidelidade criadora em Gabriel Marcel • pág 146
Ganho, M. Lourdes Sirgado
Celibato ou sedução da beleza. Paixão pelo Reino de Deus • pág 155
Rey, Jose Cristo
Interpretação de comportamentos sexuais no Antigo Testamento • pág 167
Neves, Joaquim Carreira das
Desenvolvimento psico-sexual e afectividade • pág 178
Fonseca, Alexandra
Fidelidade e sexualidade no cinema • pág 182
Perestrello, Francisco
Casais cristãos a viver novo casamento não sacramental • pág 188
Paes, Carlos
Equipas de Santa Isabel • pág 191
Cunha, Casal Arriaga e


apresentação

JERÓNIMO TRIGO


“Não cometerás adultério” (Ex 20, 14; Dt 5, 17). É esta a formulação do sexto preceito do decálogo. Na proposta de sistematização dos Manuais de Teologia Moral, cuja influência foi determinante e que ainda perdura, incluíam-se nele os assuntos concernentes não só à sexualidade conjugal (que era também tratada a propósito do Sacramento do Matrimónio), mas também à sexualidade em geral (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2331-2400).
A formulação negativa do preceito levou frequentemente a uma perspectiva redutora, proibitiva e até repressiva da sexualidade. A virtude da castidade foi entendida sobretudo como continência, a contenção da pulsão sexual e das suas manifestações. Não se valorizou e não foi apresentada como proposta positiva de integração na vida pessoal, conjugal e interpessoal. Castidade é, para lá de autodomínio, capacidade de doação, ternura, sensibilidade, harmonia corpóreo-espiritual…
É este entendimento que queremos exprimir neste fascículo da COMMUNIO. Por isso o intitulamos “fidelidade e sexualidade”. A fidelidade é, antes de mais, uma virtude humana; é uma das colunas nas quais assenta a possibilidade de relacionamento interpessoal. Em perspectiva religiosa e teológica, a fidelidade conjugal adquire um significado ulterior: é expressão da fidelidade de Deus com o seu povo e de Cristo com a sua Igreja. Daqui retira um novo dinamismo e uma nova perspectiva de sentido que a dinamiza para uma vivência positiva em criatividade que pode ter expressões muito variadas. A sexualidade tem uma relação directa com ela. É um campo privilegiado em que se manifesta.
Abeiramo-nos desta problemática sobretudo a partir das perspectivas bíblicas, teológicas, antropológicas, psicológicas, teológico-morais e até na dimensão artística.
As perspectivas bíblicas sobre o matrimónio e a sexualidade entendidas no contexto da fidelidade de Deus à aliança que estabeleceu com o seu povo são apresentadas por Armindo Vaz. Karl Lehmann trata do matrimónio como sacramento. Estimulante a reflexão de Maria de Lourdes Sirgado Ganho sobre a fidelidade criadora; é matriz da relação com os outros e com Deus. Tal relação aponta para o amor, como forma de construção de um “nós”. A fidelidade criadora é princípio de espiritualização, factor de personalização e de dignidade humana.
Cassiano Reimão fala-nos da corporeidade e da tensão bipolar da sexualidade. A condição sexuada do homem e da mulher é uma característica pessoal, afecta a vida de cada um, mas é também condição de conjugalidade. A vida pessoal e conjugal vive-se a partir dessa realidade e nessa tensão. Por seu lado, Alexandra Fonseca refere-se ao desenvolvimento psico-sexual e afectividade. Uma visão integral da sexualidade humana deve contemplar as vertentes psico-biológica e antropológica e/ou sociológica.
Quando se trata de avaliar moralmente os comportamentos sexuais são necessários critérios para o fazer. Quais? Verificamos uma mudança paradigmática na ética sexual. De velhos e novos paradigmas de ética sexual trata Jerónimo Trigo.
A Escritura propõe a fidelidade conjugal. Contudo, encontramos aí comportamentos sexuais que parecem serem contraditórios com ela: adultério, poligamia, rapto, violação, etc.. Como interpretar? Joaquim Carreira da Neves esclarece-nos.
A vivência da afectividade e da sexualidade tem, na tradição cristã, duas formas: o matrimónio e o celibato de consagração. Que motivação e que sentido pode ter este último? Só pela sedução do Reino de Deus, explica José Cristo Rey.
Muitos comportamentos sexuais são abordados nos meios de comunicação social; realce especial tem o cinema, onde, desde o início, a sexualidade e a afectividade tomam lugar de destaque, de modo expresso ou sugerido, tratado com elevação ou de modo grosseiro e agressivo. Francisco Perestrello oferece-nos alguns dados sobre isso.
Finalmente um testemunho sobre o acompanhamento cristão das pessoas que, depois de um divórcio, se tornaram a casar; é uma questão particularmente sentida.

 
  KEOPS multimedia - 2006