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Titulo do Artigo
Autor
Ano XIV • 1997-02-28 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Os valores na vida
 
palavra-chave
 
   

artigos
Estado da questão moral na Europa de hoje • pág 005
Kerkhofs, Jan
A pessoa como valor absoluto na Bíblia • pág 018
Mendonça, José Tolentino
Facto e valor • pág 024
Beckert, Cristina
Crítica da razão axiológica • pág 034
Correia, Carlos João
Valor, cultura e direitos humanos • pág 043
Cunha, Jorge Teixeira da
Orientação, responsabilidade e consenso fundamental nas sociedades livres • pág 052
Lehmann, Karl
A forma que tomam os valores.A problemática do educador cristão • pág 063
Sumares, Manuel
A opção fundamental • pág 070
Gomes, Marco
Os valores e o nosso tempo • pág 085
Neves, João César das
Do bom uso do pluralismo • pág 092
Cabral, Roque


apresentação

M. LUÍSA RIBEIRO FERREIRA – JUAN FRANCISCO  AMBROSIO


Na generalidade todos estamos de acordo em que a vida humana é muito mais que um simples conjunto de reacções químicas e de processos meramente biológicos, fisiológicos ou outros. Todos intuímos que o específico da vida humana não reside simplesmente nestes processos, mas requer um acessor a outro nível. Com efeito, o ser humano não se contenta simplesmente em viver mas quer sempre encontrar um sentido para esse mesmo viver. Apesar das mais diversas condicionantes, procura pautar a sua existência por um determinado conjunto de valores, nos quais fundamenta as suas decisões, e com os quais tenta encontrar um sentido mais profundo para a sua vida.
Neste primeiro número de 1997, a revista COMMUNIO quer ajudar a reflectir a vida nesta perspectiva. Qual a importância dos valores na vida? Que valores? Será que estes são absolutos e universais? Estas e outras questões são o pano de fundo sobre o qual o número se vai desenvolvendo.
O primeiro artigo, da autoria de Jan Kerkhofs, analisa o resultado de dois inquéritos empreendidos pela Fundação European Value Studies, tendo como referência espácio-temporal a Europa Ocidental nos anos oitenta e noventa. O texto não só nos alerta para as consequências comportamentais de certos valores — a liberdade, a igualdade e a tolerância — como também evidencia as dificuldades de uma educação que se processa num contexto pluralista em que a necessidade de guias orientadores é cada vez mais premente.
A partir de “três territórios narrativos” (a passagem da escravidão à liberdade para ser, da pobreza à experiência da solidariedade, e da inimizade ao amor), Tolentino de Mendonça mostra-nos como a pessoa humana é um valor absoluto na Bíblia.
Os dois textos que se seguem situam os valores num terreno filosófico. No primeiro, Cristina Beckert discute as perspectivas continuistas e descontinuistas do binómio facto/valor. Criticam-se quer as teses da cisão quer as da identificação, por ambas ignorarem a tensão essencial entre ser e valor, inviabilizando uma axiologia. A crítica da razão axiológica empreendida por Carlos João Correia tem como objectivo analisar as condições de possibilidade de um discurso racional sobre os valores.
Jorge Teixeira da Cunha debruça-se sobre “Valor, cultura e direitos humanos”, discutindo as hipóteses da relatividade e/ou absolutidade do valor moral face à cultura. A pessoa e a dignidade a ela inerente colocam-se como fundamento de toda a realidade axiológica, apelando para uma justa visão do ser humano dentro de um contexto ecológico e cósmico. Karl Lehmann transporta a problemática axiológica para o plano institucional. Se os Estados são neutrais no que respeita aos pontos de vista religioso e ideológico, as Constituições não são eticamente neutras. A grande dificuldade é transformar uma aparente arbitrariedade não vinculativa em algo de empenhado e dinâmico — uma tarefa na qual a Igreja poderá desempenhar papel de relevo.
Com a problemática do educador cristão, Manuel Sumares considera as perspectivas pessimistas e nostálgicas, típicas de um universo cultural pós-moderno. A elas opõe a mensagem de esperança contida na tradição judeo-cristã, cujas virtualidades pedagógicas interessa ter presentes. Marco Gomes trata no seu artigo a questão da “opção fundamental”. É a partir desta opção que o ser humano livre e responsavelmente se vai construindo, e encontra sentido para o seu existir. Com “Os valores e o nosso tempo”, João César das Neves retoma o tema do relativismo e subjectividade na ética hodierna, contrastando-o, no entanto, com os inegáveis avanços que abrem espaços de liberdade, de promoção cultural e de solidariedade.
A terminar, em jeito de apelo existencial, o artigo de Roque Cabral distingue pluralismo e pluralidade. Sendo a verdade una mas não única porque plural, há que transformar a pluralidade de opções num esforço para a unidade, tendo presente que os adversários de hoje poderão ser os possíveis parceiros de amanhã. O realce deve pois ser dado ao diálogo e à instituição de condições de escuta.

 
  KEOPS multimedia - 2006