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Autor
Ano XIII • 1996-12-31 • nº 6 • Novembro/Dezembro
A Esperança
 
palavra-chave
 
   

artigos
Esperança, a dinâmica da história • pág 485
Gonçalves, Joaquim Cerqueira
O que é o fim da história? • pág 494
Henriques, António Mendo Castro
Abraão e a esperança do povo judeu • pág 510
Lourenço, João
Teologia da esperança • pág 517
Farias, José Jacinto Ferreira de
A salvação pela esperança em Gabriel Marcel. Uma visão de alcance teológico • pág 527
Galvão, Henrique de Noronha
Viver a esperança em Angola. Contra os fabricantes e os profetas da desgraça • pág 543
Neves, Tony
O sinal de Caná. Homilia • pág 553
Ratzinger, Joseph
Hans Urs von Balthasar e a Communio • pág 559
Henrici, Peter
“Um assunto pessoal” • pág 567
Fernandes, Teresa Monteiro


apresentação

M. TERESA MONTEIRO FERNANDES


Neste último número do ano, em pleno Advento, a COMMUNIO debruça-se sobre a Esperança, virtude teologal, após ter tratado a Caridade e a Fé. E com pertinência:  A Esperança é uma atitude íntima, inseparável da Fé, mas não individual: não haverá esperança para uns e desespero para outros. Por isso mesmo, a Esperança é também inseparável da Caridade. Não se trata de um equivalente religioso da necessidade de sonhar, de fazer projectos, de aprender e descobrir, manifestação evoluída do instinto natural de sobrevivência. Se assim fosse, que olhar podemos lançar sobre o futuro, em particular o que já não será nosso, se os avanços da ciência e a esfuziante actividade criadora são acompanhados, e por vezes cúmplices, dos maiores crimes contra o próprio Homem? Será, então, a nossa vida, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, aceitável ou mesmo possível, se não estivermos certos de que continuamos a caminhar, por vezes cambaleando ou tropeçando, e de que essa caminhada nos leva para Deus?
No primeiro artigo, J. Cerqueira Gonçalves analisa o papel da Esperança no movimento da História, reflexão particularmente oportuna neste fim de milénio, observando que a categoria da Esperança confere um sentido positivo a esse movimento, sem sacrifício do passado e do presente. Reconhecendo que poderá haver antagonismo entre cultura e esperança, como acontece com a tese do “Fim da História”, conclui que a realização da História não é, no entanto, possível sem a Esperança. Mendo de Castro Henriques analisa, de seguida, essa mesma tese, explicando-nos detalhadamente as origens histórico-filosóficas das ideias de Fukuyama, e examinando com particular profundidade a obra de Hegel, Fenomenologia do espírito. Contrapõe, em conclusão, o aspecto negativo desse fim da história, com todo o rol de crimes cometidos em nome de saberes absolutos, e que para sair deste impasse, ou deste vazio espiritual, não há outra alternativa senão a Esperança.
João Lourenço debruça-se sobre a figura de Abraão, esperança do povo judeu, pois que interlocutor da aliança com Deus, substanciada na promessa de uma terra e de numerosa descendência. À luz do Novo Testamento, esta esperança passa a ser entendida plenamente como a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. Jacinto Farias faz a análise teológica da Esperança. Sublinha que, enquanto virtude de mediação entre a fé e o amor, ela é a possibilidade de confiar, com gratuidade, como força interior que resulta da comunhão com Deus, dando sentido ao presente e abrindo perspectivas infinitas para o futuro. Esta abordagem teológica é prolongada no artigo de H. Noronha Galvão sobre o pensamento do filósofo Gabriel Marcel. Deus é a esperança do Homem, o que faz a diferença com o simples optimismo. Optimismo e pessimismo são alheios ao mistério da Fé, e só a Fé permite a Esperança. Em particular, esta implica que a realidade seja vivida sem recusa das suas dores, ultrapassando infinitamente a aceitação, e assumindo-se como total disponibilidade para participar na acção criadora de Deus.
A experiência missionária vivida por Tony Neves em Angola, apesar da tragédia, fá-lo insurgir-se contra o sensacionalismo derrotista dos profetas da desgraça. Sublinha que em Angola há muita vida e as igrejas locais têm sido uma voz corajosa e firme como, de alguma forma, protecção das populações contra as arbitrariedades da guerra.Conclui que o afro-pessimismo é profundamente injusto, pois nega a esperança da reconstrução.
Publica-se, em seguida, a homilia proferida pelo Cardeal Ratzinger a 13 de Outubro último, em Fátima, sobre a Boda de Caná. A mudança da água em vinho é sinal da manifestação da glória de Jesus,um estímulo para a fé dos discípulos. A atitude de Maria, ao colocar tudo nas mãos de Jesus, é o sinal da confiança própria da fé e da esperança.
Apresentamos, ainda, um texto fora do tema, de Peter Henrici, para recordarmos as profundas intuições de Hans Urs von Balthasar, impulsionador e fundador da revista COMMUNIO. Para ele, as realidades culturais são não só ponto de partida para um discurso teológico, como verdadeiro “lugar teológico”. É então papel da Communio não só fazer ver que a fé se encarna em fenómenos culturais, mas também refectir sobre todos os aspectos da cultura. A encerrar, algumas reflexões despertadas pela leitura do livro Não matem o bebé, de Kensaburo Oé, em que é flagrante, no contexto de uma outra civilização, o efeito salvífico da Esperança.

 
  KEOPS multimedia - 2006