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Autor
Ano XIII • 1996-04-30 • nº 2 • Março/Abril
“Não matarás”
 
palavra-chave
 
   

artigos
Vim para que tenham a vida.Aproximações ao mistério de Jesus • pág 101
Mendonça, José Tolentino
“O Evangelho da vida”. Algumas reflexões • pág 110
McCormick, Richard
Pena de morte. Aproximação teológica • pág 124
Trigo, Jerónimo dos Santos
“Assistimos à suprema blasfémia”. Carta a Shimon Peres • pág 137
Sirat, Rabino René-Samuel
A força da razão e o consolo da religião contra o suicídio • pág 142
Cunha, Jorge Teixeira da
O direito à vida no Direito Português • pág 153
Pascoal, M. Rosário
Martírio e seguimento de Cristo • pág 165
Figura, Michael
Pastoral da vida e da saúde • pág 176
Roseiro, Alice
Partilhar o fim. Depoimento • pág 186
Jorge, Helena
Notas para o diálogo. Depoimento • pág 189
Galvão, Henrique de Noronha


apresentação

M. LUÍSA FALCÃO – JERÓNIMO  TRIGO


A proibição ancestral de dar a morte a alguém surge na sequência da afirmação da verdade moral que todo o homem leva dentro de si. O direito à vida é o primeiro dos direitos do homem. É sobre ele que repousam os outros. Matar é privar do bem pessoal maior. É enfraquecer ainda os laços da comunhão humana, já que a vida pessoal é também um bem da comunidade.
Em perspectiva religiosa e teológica provocar a morte a uma pessoa é radicalmente imoral, porque a vida humana é sagrada. Não foi o homem quem a conferiu a si mesmo nem aos outros, mas foi conferida a todos pelo próprio Deus. Ele é o Senhor absoluto da vida, o dom divino mais importante feito à humanidade. O homem a quem foi confiada para que viva, há-de acolhê-la, defendê-la e promovê-la. Não tem qualquer poder para a destruir.
O respeito pela vida deriva, em última instância, da fé na criação. A vida humana é intocável por resultar de um acto de amor particular de Deus por cada homem, que ele próprio cria e que é Sua imagem. Assim, toda a pessoa humana tem direito à vida até que Deus lhe dê a morte: “Só eu é que dou a vida e dou a morte”(Dt 32, 39; cf. 1Sam 2,6). É este contexto que dá sentido à palavra do Decálogo: “Tu não matarás!”(Ex 20, 13) Assassinar é usurpar o poder do Deus da vida e da morte.
No Novo Testamento (cf. Mt 5, 21-26; 1Jo 3, 15) reafirma-se e aprofunda-se a perspectiva anterior: não basta não tirar a vida física, é preciso excluir a origem do homicídio: o ódio, a raiva e a falta de respeito por toda e qualquer pessoa. A insistência é posta na dignidade pessoal de cada homem.
Perante a vida, a responsabilidade dos cristãos é uma responsabilidade acrescida. A confissão de fé no Senhor da vida e da morte é esclarecedora das mentes e motivadora da vontade.
O presente número da COMMUNIO sobre o quinto mandamento trata, precisamente, desta problemática. No primeiro artigo Tolentino Mendonça introduz a questão aproximando-a ao mistério de Cristo que “veio para que tenhamos a vida”.
A perspectiva clássica na ética cristã é novamente reafirmada na encíclica Evangelium Vitæ, 1995, do Papa João Paulo II, “sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana”; Richard McCormick faz-nos a sua apresentação; indica também alguns aspectos que, do ponto de vista teológico, continuam a ser debatidos.
Dos temas mais importantes que tradicionalmente são tratados no âmbito do quinto mandamento, o homicídio, o aborto, a eutanásia, a pena de morte e o suicídio, elegemos os últimos dois. Deles se tem falado muito ultimamente, por motivos diferentes. A pena de morte é uma questão que circula entre nós e dentro de nós, assim como circulou e circula na história; dela se ocupa Jerónimo Trigo. O homicídio de Isaac Rabin, ocorrido há poucos meses, abalou o mundo. Realizado de judeu contra judeu põe bem em evidência como as paixões políticas ou outras se sobrepõem ao mandamento divino. O rabino Sirat, de Paris, numa carta a Shimon Peres, oferece-nos uma reflexão sobre o respeito pela vida, segundo a fé judaica.
Sobre o suicídio, realidade passível de várias abordagens, debruça-se, do ponto de vista ético-teológico, Jorge Cunha.
A questão do respeito pela vida, própria e dos outros, tem também uma importante relevância jurídica; concretamente importa conhecer como é que o direito à vida é garantido e defendido no actual direito português; Rosário Pascoal dá-nos uma informação sintética. Não podemos, contudo, deixar de considerar a dimensão pastoral, que intervém fundamentalmente no âmbito da saúde, entendida em sentido amplo. Alice Roseiro situa-nos nesse campo.
Michael Figura trata da questão de, por um lado, se defender a vida e, por outro, de a entregar no martírio. Este foi e é aceite como prova de fé e disponibilidade total no seguimento de Cristo crucificado e ressuscitado.
Por fim, os depoimentos. Helena Jorge escreve sobre a partilha do fim com doentes terminais; H. Noronha Galvão dá um contributo ao debate a que actualmente se assiste e que é levantado pelo quinto mandamento.

 
  KEOPS multimedia - 2006