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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XII • 1995-02-28 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Missionação
 
palavra-chave
 
   

artigos
Fundamento bíblico da missão • pág 005
Couto, António
Teologias da missão • pág 013
Neiva, Adélio Torres
Novos rostos da missão • pág 028
Amaladoss, Michael
Inculturação do Evangelho em África. Desafio para a nova evangelização • pág 041
Kahinga, Jerónimo
Os institutos missionários na Igreja • pág 055
Afonso, Manuel Castro
Panorama missionário português • pág 067
Gomes, Claudini
Pinto, Arlindo
Liturgia moçárabe. Pequena antologia comentada • pág 075
Thomaz, Luís Filipe Rodrigues
Exposição “Encontro de culturas - Oito séculos de missionação” Depoimento • pág 087
Guedes, Maria Natália Correia
Experiências de missão. Depoimentos • pág 092
Monteiro, Pedro Líbano
Cima, Fernando
Cachada, Firmino


apresentação

H. NORONHA GALVÃO – JERÓNIMO TRIGO


Jesus Cristo, enviado pelo Pai aos homens para lhes anunciar a Boa Nova, ele próprio enviou os seus discípulos para continuarem, em seu nome, a sua missão. São várias as passagens dos Evangelhos que falam deste envio e que podem ser consideradas “textos missionários”. “Aproximando-se dos discípulos Jesus disse-lhes: ‘Foi-me dado todo o poder no céu e na terra: ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos’.” (Mt 28,18-20; cf. Mt 9,35-10,42; Mc 6,7-13; 16,14-20; Lc 9,1-6; 10,1-12; 24,44-49; Act 1,8). É o “mandato missionário”.
O livro dos Actos dos Apóstolos, por seu lado, testemunha o desenvolvimento da actividade missionária, sobretudo entre os gentios, aqueles que não eram judeus, levada a cabo por S. Paulo e seus colaboradores.
A Igreja, corpo de Cristo, continua essa missão. No concílio Vaticano II, no Decreto sobre a Actividade Missionária da Igreja, Ad gentes, reconhece e reafirma a sua razão de ser no anúncio do Evangelho a todos os homens. Tem consciência de ser “enviada por Deus a todas as gentes para ser sacramento universal de salvação” (1). Existe para ser missionária: “A Igreja é, por sua natureza, missionária.” (2)
Esta perspectiva tem sido reafirmada e aprofundada no período pós-conciliar. O Papa Paulo VI, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi, insiste, com frequência, em que “evangelizar é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda” (14). Também João Paulo II dá um forte alento à missionação. Para lá das suas viagens, fá-lo na Encíclica Redemptoris Missio, “sobre a validade permanente do mandato missionário”. A actividade missionária, diz, brota de dentro, da pessoa que foi alcançada pela Boa Nova da salvação em Jesus Cristo. É a “fé que gera entusiasmo e ardor missionário” (45). A missionação é compromisso de toda a Igreja; nela todos têm que sentir a urgência da missão como consequência do baptismo. Dentro dela, contudo, por dons e causas particulares, alguns dos seus membros têm uma vocação “especial” e “específica” para a vida missionária (cf. 27, 64, 65). É neste contexto que se insere a vocação e o serviço missionário dos Institutos de vida missionária (cf. 69). A encíclica recorda a validade  e a urgência da missão ad gentes, definida como “actividade primária e essencial da Igreja, jamais concluída” (31).
Para lá das dimensões religiosas e teológicas, apenas indicadas, outras, bem importantes, se ligam também à missionação. Basta apontar o diálogo intercultural e inter-religioso e a relação entre evangelização, promoção humana e luta pela justiça e pela paz.
É desta temática que trata o presente número da revista COMMUNIO. Para nós, portugueses, o tema tem uma ressonância eclesial, mas também histórica, cultural e celebrativa.
Dos fundamentos bíblicos da missão ocupa-se António Couto. Adélio Torres Neiva expõe-nos diferentes teologias da missão, que se foram sucedendo, enquadradas em antropologias, eclesiologias e concepções culturais e históricas diferenciadas. Às novas realidades, desafios e oportunidades hão-de responder novas prioridades, novos métodos e novos modos de entender e de exercer a missão. É o que nos propõe Michael Amaladoss. Sobre a inculturação e a sua importância na evangelização trata Jerónimo Kahinga. M. Castro Afonso reflecte sobre o carisma e serviço dos Institutos missionários na Igreja. Arlindo Pinto e Claudino Gomes falam-nos do actual panorama missionário português. Luís Filipe Thomaz chama a atenção para efeitos, muitas vezes negativos, que uma cultura, mesmo religiosa e teológica, importada, acaba por ter na expressão de fé de um povo. Exemplo paradigmático foi a substituição da liturgia moçárabe na Península Ibérica, pela liturgia de além-Perinéus. A Comissária Geral da Exposição “Encontro de Culturas, Oito Séculos de Missionação Portuguesa”, Natália Correia Guedes, dá-nos uma retrospectiva sobre a sua realização e alcance e lança perspectivas para o futuro. O número conclui com três testemunhos de vivência missionária.

 
  KEOPS multimedia - 2006