Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XI • 1994-08-31 • nº 4 • Julho/Agosto
Porquê a Nação?
 
palavra-chave
 
   

artigos
Babel. Identidade das nações através da oposição • pág 293
Krasovec, Joze
Pentecostes. Apresentação de um texto de Jacques Maritain sobre democracia e nacionalismo • pág 302
Stilwell, Peter
Teologia das nações na patrística. Três perspectivas • pág 309
Azevedo, Carlos A. Moreira
Os papas do século XX perante os nacionalismos • pág 317
Hilaire, Yves-Marie
De Serajevo a Serajevo • pág 327
Chaline, Olivier
As Igrejas e o nascer da unidade da Europa • pág 339
Pannenberg, Wohlfart
Portugal: história ou profecia ? • pág 352
Clemente, Manuel
Encontro Communio em Fátima. Por ocasião dos dez primeiros anos da edição portuguesa • pág 356
Falcão, Maria Luísa
A Europa das racionalidades • pág 358
Brague, Rémi
Arte e cultura artística europeia. Um património a reconhecer • pág 365
Crippa, Maria Antonietta
Qual o sentido da nação na Europa do futuro? Depoimento • pág 381
Henriques, António Mendo Castro


apresentação

JORGE CÉSAR DAS NEVES – MARIA C. BRANCO


A escolha do tema “Porquê a nação?” para um número da COMMUNIO surge da actual percepção da sua particular importância para a cultura cristã. Com efeito, o significado político e cultural da nação constitui, de há muito, um legado clássico e fundamental para o Ocidente; bem demonstrativo, de resto, da sua importância é o facto desse tema sempre se ter revestido de um não menos fundamental significado religioso e teológico.
Mas, se o tema se afirma pelo lugar que ocupa no passado da história das ideias, muito mais se impõe pela sua actualidade pondendo-se até afirmar, sem receio de exagero, que existe hoje uma particular urgência em repensá-lo perante a evolução mais recente da ordem política mundial. Os inesperados acontecimentos ocorridos nesta última década do nosso século trazem de novo à ribalta do debate de ideias a questão do papel político e cultural da nação e, mormente, a necessidade de a discutir de novo num contexto religioso e teológico.
O aceno a algumas das radicais transformações que vieram baralhar totalmente as cartas com que se jogavam as relações internacionais no sec. XX bastaria para demonstrar que o papel a desempenhar pela comunidade política e cultural de raiz nacional, no mundo de hoje e do futuro, está ainda no seu núcleo por definir.
Urge, assim, relançar a problemática da nação, reflectindo sobre as diferentes dimensões nela implicadas. Foi este o repto que a COMMUNIO, enquanto revista de reflexão e cultura cristã, quis aceitar ao propor-se este tema para o presente número.
A abrir o fascículo, J. Krasovec mostra-nos como Deus dispersa os povos com o propósito de frustrar o desejo que tinham em tornarem absolutos os seus interesses. Mas a dispersão das nações é só o primeiro resultado deste gesto da hybris humana (cf. Gn 11,1-9); segue-se-lhe o chamamento por Deus de Abraão e a sua benção em favor das nações, inaugurando assim a história da salvação.
Se, porém, em Babel o pecado dispersara as nações, no Pentecostes, em Jerusalém, o Espírito reúne-as na Igreja. É a reconciliação da humanidade por acção do Espírito no respeito das suas diversidades. É do que nos dá conta P. Stilwell na apresentação de um texto de Jacques Maritain — escrito em 1926, a propósito da Action française de Charles Maurras — em que se fazia eco da preocupante emergência dos nacionalismos europeus.
Carlos Azevedo trata da união dos povos  e do respeito pelos estrangeiros partindo da novidade da reflexão dos Padres da Igreja, da sua atitude de abertura universalista. Essa abertura ao mundo, no entanto, não põe em causa o respeito pelas nacionalidades embore condene firmemente o nacionalismo e o totalitarismo, posição claramente manifestada pelas atitudes que os papas deste século tomaram em momentos de conflito, como refere Y.-M. Hilaire. Serajevo é uma cidade que marcou o início de dois trágicos conflitos em que os nacionalismos tiveram grande resposabilidade: a Iª Guerra mundial e a guerra da Bósnia-Herzegovina. Está aqui em causa o direito de autodeterminação dos povos, mas este tem de ter em conta  as realidades geopolíticas, como nos diz O. Chaline; se a pátria, a nação e o Estado fazem sentido para os cidadãos, ao mesmo tempo é necessário encontrar um equilíbrio com uma ordem internacional justa e estável.
Wohlfart Pannenberg, conhecido teólogo protestante, interroga-se sobre a situação das nações europeias. A sua divisão resultou das cisões entre Oriente e Ocidente, e entre catolicismo e protestantismo; hoje, a sua unificação deve também chegar mediante a reconciliação das duas confissões.
A interpretação providencialista da história portuguesa foi, até Alexandre Herculano, a leitura que prevaleceu sobre o destino comum dos portugueses. O século XIX submeteu esta interpretação ao exame da ciência positivista, deixando a questão da identidade do país sem significado transcendente; mas Fátima, em 1917, veio de novo colocar a questão da vocação providencial de Portugal. Dos passos mais significativos de que tem sido feito este debate nos dá conta M. Clemente. A terminar esta temática, um depoimento de Mendo C. Henriques sobre o sentido da nação na nova Europa unida.
Como foi anunciado, realizou-se em Maio um painel sobre “Fé cristã e Europa das diferenças. Um desafio à comunhão”, no âmbito das comemorações dos dez primeiros anos de publicação da edição portuguesa da COMMUNIO. Das conferências proferidas, é-nos possível apresentar o texto integral de Rémi Brague e M. Antonietta Crippa.

 
  KEOPS multimedia - 2006