Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XI • 1994-06-15 • nº 3 • Maio/Junho
A Espiritualidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
Que é a espiritualidade? • pág 197
Melo, Luís Rocha e
Teologia, espiritualidade e experiência mística. Oração, jejum e esmola • pág 204
Reis, Manuel
Maria e a espiritualidade cristã • pág 221
Policarpo, D. José da Cruz
O conceito de repouso na mística da Idade Média • pág 225
Bammel, Elisabeth
Da douta ignorância e do silêncio dos espirituais • pág 233
Thomaz, Luís Filipe Rodrigues
Por beleza e formosura • pág 250
Cruz, S. João da
Sopros de divino. Espiritualidades beneditina, franciscana, dominicana, carmelita e inaciana • pág 252
Pedroso, Dário
Dificuldades e pistas para a espiritualidade no mundo de hoje • pág 265
Barbosa, Adérito Gomes
Experiências de vida espiritual. Depoimentos • pág 279
Lobão, Maria Cortez de
Costa, José Pedro
Silva, Margarida
Sínodo Africano. Fogo de África iluminou Roma • pág 285
Rego, António


apresentação

LUÍS FILIPE THOMAZ – MARIA CORTEZ DE LOBÃO


A religião não é uma doutrina que se aprende nem uma ciência que se estuda — mas uma vida que se vive: “Anunciamo-vos a vida eterna que era junto do Pai e se nos manifestou. O que vimos e ouvimos nós vo-lo anunciamos para que também vós estejais em comunhão connosco e a nossa comunhão seja com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.” (cf. 1Jo 1) A plenitude dessa comunhão só é possível na vida eterna, mas a vida neste mundo pode e deve ser uma antecipação do céu. Isto só é possível graças à acção santificadora do Espírito Santo. Quem com ela coopera, torna-se, à imagem do Verbo encarnado, divinamente humano. É a experiência de S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.”
A espiritualidade não é, assim, apanágio dos excêntricos mas a vocação de todo o cristão. Na definição dos Padres da Igreja, christianus alter Christus, o cristão é um outro Cristo, e assim como Cristo enviado pelo Pai da vida vive pelo Pai, assim quem come a carne de Cristo vive d’Ele (cf. Jo 6,57). A vida espiritual é inseparável da vida sacramental. Do mesmo modo, sem espiritualidade a moral perde o sentido, ficando apenas regras e proibições desligadas do que lhes dá razão de ser.
A vida espiritual requer uma atitude que não se atinge por meios meramente humanos sem a assistência do Espírito. “Não te aproximes jamais das palavras dos mistérios que estão na Sagrada Escritura sem orar nem pedir o socorro de Deus, — escreve S. João o Sírio — mas diz: Senhor, deixai-me sentir o poder que reside nela. Considera que a oração é a chave que abre o verdadeiro sentido da Escritura”. Mas a espiritualidade tão-pouco é quietismo: se é necessário ser-se dócil à graça e fiel às suas exigências, o crescimento espiritual postula a livre opção pela comunhão verdadeiramente libertadora. É um diálogo constante entre o ser humano e Deus.
Assim, existem tantas espiritualidades quantas as pessoas. O Salmo 32 diz que “Deus modelou um a um os corações dos homens”; cada ser humano é por isso único e irrepetível. É o Espírito Santo que, sem se despojar da sua natureza divina, se amolda à personalidade de cada um. Assim, cada singularidade irrepetível é levada à perfeição sem se despersonalizar. A Trindade vive e compraz-se na riqueza da diferença.
No primeiro artigo, Luís Rocha e Melo dá-nos uma definição de espiritualidade, situando-a no todo da vida de fé. A ligação entre a vertente individual da vida no Espírito e a consequência inevitável da sua interiorização que é a dimensão altruísta é-nos apresentada por Manuel Reis. D. José Policarpo apresenta-nos Maria como exemplo, não de mais um tipo de espiritualidade mas sim do que é constitutivo de verdadeira vida de fé. Elisabeth Bammel leva-nos à Idade Média a encontrar um mestre da oração, Mestre Eckart, na sua visão sobre o repouso. Luís Filipe Thomaz faz uma incursão no silêncio da interioridade. Dário Raposo mostra-nos exemplos de como a espiritualidade se concretizou em várias escolas. Finalmente, as dificuldades que a ideia e a prática da espiritualidade encontram no mundo de hoje, assim como os caminhos para o futuro são sugeridos por Adérito Barbosa. Os depoimentos apresentam a caminhada que fazem três leigos em direcção à santidade. Fora de tema propomos os comentários de António Rego sobre o Sínodo Africano, a que assistiu em Roma.

 
  KEOPS multimedia - 2006