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Titulo do Artigo
Autor
Ano XI • 1994-02-28 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Viver na cidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
Edição portuguesa da Communio. Os dez primeiros anos • pág 005
Galvão, Henrique de Noronha
Habitar na cidade labiríntica • pág 008
Serra, José Pedro S.
Fundamentos teológicos da cidade • pág 015
Carvalho, Maria Manuela da Conceição Dias de
O fascínio da cidade • pág 021
Lobo, Manuel da Costa
A cidade, palimpsesto da História. A tradição cultural da cidade • pág 035
Teixeira, Manuel C.
A utopia de uma cidade diferente • pág 045
Telles, Gonçalo Ribeiro
A pastoral na cidade • pág 056
Janela, António
Alguns problemas sociais da vida urbana • pág 074
Silva, Manuela
Igreja e sociedade em debate nos EUA • pág 080
Stilwell, Peter
Uma cidade diferente? O caso de Munique • pág 091
Gerbert, Madalena
O cidadão e a cidade. Depoimentos • pág 094
Alves, Manuel Carlos Sousa
Soares, José Luiz


apresentação

MARIA C. BRANCO – MARIA LUÍSA FALCÃO

A vida é feita de duas ordens de coisas: as urgentes e as importantes. As urgentes são aquelas cuja realização imediata se impõe, por vezes mesmo à custa de um desejável grau de perfeição. As importantes, pelo contrário, começam por crescer dentro do homem, na sua inteligência e, talvez mais ainda, no seu coração, até se objectivarem através de persistente esforço de pesquisa, de repetidas recusas e de escolhas cuidadosas.
O homem, ser feito para a relação com Deus e com os outros, organiza-se em sociedade e em cidades, para aí viver, na competição, é certo, mas também na partilha com o seu semelhante. No entanto, o modo como ele constrói e se serve da cidade determina a sua verdadeira qualidade de vida.
De facto, a cidade que ele próprio vai moldando no seu dia-a-dia corre o risco de esmagá-lo na urgência anónima e desumana dos aglomerados que tornam impossível qualquer encontro. No entanto, pode também revelar-lhe como é importante crescer na consciência de si próprio como ser político e cívico, co-responsável pela vida da sua cidade e de quem nela habita.
Realidade com muitos rostos, a cidade responde aos diversos olhares de quem a procura por necessidade ou por prazer, com amor ou desencanto. Falar da cidade é revelar a nossa ligação com ela; é, de certo modo, pôr ou tirar uma pedra nos alicerces que a sustentam.
O objectivo deste fascículo da COMMUNIO não é apresentar um pensamento sistemático sobre o tema, mas sim participar num dado momento cultural com a sua especificidade própria. Lamentamos, apenas, que não tenham chegado a tempo de poderem ser incluídas contribuições de outros autores de cidades que não Lisboa. Cada um dos artigos que se seguem falam da cidade de um ponto de vista particular, mas todos contribuem para que a olhemos na sua dimensão ética essencial, que é a de fazer crescer no homem o sentido da sua relação com os outros e, desse modo, com Deus.
A abrir temos o artigo Habitar na cidade labiríntica, de J. Pedro Serra, que nos chama a atenção para a perda do sentido do habitar na cidade, como lugar onde se está na procura do que se é; para recuperar este sentido, dá-nos o exemplo da antiga pólis, que aponta aos cidadãos a prática política enquanto construção do humano. É neste mesmo plano ético que se distinguem as duas cidades de que nos fala St. Agostinho: a cidade dos homens que é de Deus, e aquela que apenas pretende ser dos homens esquecendo Deus. Quem quer participar da construção da cidade celeste — lembra-nos M. Manuela Carvalho, em Fundamentos teológicos da cidade — não pode esquecer que é na cidade terrena que se farão presentes os sinais da cidade de Deus.
Dois arquitectos (Manuel Teixeira e Gonçalo Ribeiro Telles) e um engenheiro civil (Manuel da Costa Lobo), há muito dedicado às questões do urbanismo, falam-nos, respectivamente: da importância da memória da tradição à medida que se vai transformando o tecido urbano; da “utopia da cidade diferente”, do futuro, que procurará traduzir o desejado reencontro com o paraíso terrestre; e do primeiro dos múltiplos motivos por que a cidade a muitos fascina — o poder constituir um ponto alto da cultura do espírito.
A pastoral na cidade, de António Janela, sublinha a necessidade de formar uma nova consciência eclesial à luz de um autêntico sinal dos tempos que é a urbanização. No imaginário da maioria dos cidadãos, viver na cidade é sinónimo de progresso, de promoção social e maior qualidade de vida. Contudo, como nos diz Manuela Silva, a vida urbana não está isenta de contradições e problemas sociais graves.
A responsabilidade da dupla cidadania dos cristãos torna-se patente na discussão sobre o dever de a Igreja influir na vida social e política de uma sociedade plural, no caso aqui expresso, a americana. Dos contornos desse debate nos dá conta Peter Stilwell.
A terminar, três depoimentos. Dois sobre a forma como o cidadão sente a sua cidade; um terceiro, de uma portuguesa radicada na Alemanha, que nos fala de como mesmo uma cidade, Munique, onde parece por vezes estar em vias de realização a utopia da cidade verde, tem as suas contradições.
Este número inicia a segunda década de publicação da edição portuguesa da revista COMMUNIO. Do que tem sido o seu caminho, e da forma como pretendemos comemorar estes dez primeiros anos, fala-nos H. Noronha Galvão.

 
  KEOPS multimedia - 2006