Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano X • 1993-12-30 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Racionalidade e Cristianismo
 
palavra-chave
 
   

artigos
Fé, razão e retórica • pág 501
Duarte, Joaquim Cardozo
Fé, razão e conhecimento de Deus no Vaticano I e no Vaticano II • pág 510
Clemente, Manuel
Racionalidade e fundamentalismo na interpretação da Bíblia • pág 514
Neves, Joaquim Carreira das
Apologia do argumento • pág 526
Marion, Jean-Luc
Imaginação e assentimento. O que John Newman poderia querer dizer • pág 541
Sumares, Manuel
A Razão no plural • pág 556
Greisch, Jean
Falar de Deus ao homem de hoje • pág 556
Farias, José Jacinto Ferreira de
Vida cristã e actividade científica Depoimentos • pág 584
Neves, Jorge C. das


apresentação

H. NORONHA GALVÃO


O Logos de Deus, Criador de todas as coisas, incarnou em Jesus Cristo (Jo 1, 1-14) para nos conduzir à plenitude da Verdade (Jo 16, 13). Desde os primeiros tempos da Igreja, os cristãos sabem que não é possível ter fé sem a procura apaixonada do que é real e verdadeiro. Daí a aliança, constitutiva de toda a história do Cristianismo, entre fé e conhecimento; daí o interesse pela filosofia, pelo amor da sabedoria já presente nos últimos livros do AT, ditos sapienciais; e que se torna uma constante a partir do momento em que a comunidade cristã se expande para o mundo de cultura helenística. Deste modo a Igreja conservou e transmitiu à civilização, nascida na Europa cristã, toda a riqueza da cultura antiga.
Isto não significa que não tenha havido e não continue a haver tensões, fruto, muitas vezes, de falta de diálogo; diálogo que se deve iniciar no próprio interior do filósofo e do cientista crente e do crente que procura o conhecimento e a sabedoria.
É no intuito de contribuir para esse mútuo entendimento que a revista COMMUNIO propõe este número dedicado a Racionalidade e Cristianismo. No seu artigo, Joaquim Cardozo Duarte, alarga o diálogo entre fé e razão à retórica, cujo retorno mediante a linguística caracteriza o presente momento cultural. Manuel Clemente recorda a doutrina dos concílios Vaticano I e II que, em dois contextos diversos, estabeleceram a relação entre a possibilidade da razão conhecer a Deus e o acontecimento da Revelação que O dá a conhecer no Seu mistério íntimo.
A relação entre interpretação racional e acolhimento na fé da Palavra de Deus já na leitura da Bíblia tem de estar presente — como nos diz Joaquim Carreira das Neves, alertando para o perigo do fundamentalismo. Um outro perigo, o do niilismo actual, pode constituir, segundo Jean-Luc Marion, a oportunidade de a fé cristã entrar no debate, em que apenas argumentos são aceites; se, deste modo, a fé é convidada à racionalidade, também a racionalidade é enriquecida pela fé. Diferente tipo de acesso racional à fé é-nos proposto por Newman, cuja obra A Grammar of Assent é analisada por Manuel Sumares. Jean Greisch, no seu artigo, remete-nos para o pluralismo de racionalidades que tomou o lugar do racionalismo. Deverá concluir-se que a razão é apenas a arte de construir “planos de imanência” (G. Deleuze)? A questão da Transcendência permanece como questão, remetendo para toda a riqueza racional que a fé cristã dela faz derivar. É neste contexto que Jacinto Farias nos propõe algumas orientações para o Falar de Deus ao homem de hoje.
A partir da experiência de vida cristã e de actividade científica, os depoimentos — de Jorge César das Neves, Teresa Monteiro Fernandes e Ana Maria Eiró — mostram-nos como é possível, concretamente, entrar no diálogo íntimo entre racionalidade e cristianismo.

 
  KEOPS multimedia - 2006