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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano X • 1993-08-15 • nº 4 • Julho/Agosto
Acto litúrgico
 
palavra-chave
 
   

artigos
A Liturgia na vida da comunidade eclesial • pág 309
Oliveira, Luís Ribeiro
Celebração da Palavra • pág 322
Ferreira, Pedro L.
A fé cristã. Pequena introdução ao Símbolo dos Apóstolos • pág 334
Lubac, Henri de
Celebração eucarística, fonte sacramental da vida em Cristo • pág 343
Bernardo, Bonifácio dos Santos
O ministério da presidência na acção litúrgica • pág 354
Ferreira, José da Costa
A música na Liturgia • pág 364
Sousa, Teodoro Dias de
A versão portuguesa do Missal Romano • pág 370
Cordeiro, José de Leão
A educação em Portugal de D. João III à expulsão dos Jesuítas, em 1759 (II) • pág 379
Lopes, António
O edifício de culto como signo da visibilidade do mistério eclesial, ontem e hoje • pág 388
Crippa, Maria Antonietta
A casa de Deus é a casa dos homens. Depoimento • pág 397
Cunha, Nuno Higino T. da


apresentação

H. NORONHA GALVÃO


Em 22 de Novembro de 1963, era votada a redacção definitiva da Constituição sobre a Liturgia, Sacrosanctum Concilium (SC)1, que iria dar o impulso decisivo para a renovação litúrgica no nosso século. Como observa Luís R. Oliveira no seu artigo, A Liturgia na vida da comunidade eclesial, ela “em muitos aspectos antecipou a Constituição dogmática sobre a Igreja. … Ao insistir na participação activa dos fiéis, a Constituição Litúrgica preparava já… a tese da Igreja como Povo de Deus.” José Ferreira, a propósito do ministério central da presidência, recorda que, em vez de “cerimónias”, se começou, em consequência, a falar de acções  litúrgicas, para a realização das quais intervêm agora diversos actores  com diferentes ministérios.
Foi para acentuar esta nova visão conciliar da Liturgia, que a revista COMMUNIO escolheu o título Acto Litúrgico para este fascículo. A par de aspectos tão fundamentais da acção litúrgica, como A celebração da Palavra (Pedro Ferreira) e A celebração eucarística, fonte sacramental da vida em Cristo (Bonifácio dos Santos Bernardo), são também tratados aspectos concretos do acto litúrgico, como a música (Teodoro Dias de Sousa), o Missal Romano na sua recente versão em língua portuguesa (José de Leão Cordeiro), e o próprio edifício de culto como expressão artística de uma visão de fé (M. Antonietta Crippa). A este propósito, publicamos o depoimento de Nuno Higino P.T. Cunha, pároco de Fornos, Marco de Canaveses, que tem vindo a promover e preparar a construção da igreja paroquial por um dos nossos maiores arquitectos, Álvaro Siza Vieira.
Inserimos também neste número um texto inédito, entre nós, de Henri de Lubac, escrito por ocasião da tradução alemã (1975) do seu livro sobre o Símbolo dos Apóstolos.2 Nesta sua notável obra pós-conciliar, o teólogo francês retoma e aprofunda, à sua maneira, os resultados da investigação histórica então recente, sobre este Símbolo da fé, cuja origem baptismal e estrutura trinitária ficaram comprovadas com a reconstituição do Ritual romano do sec. III.3 Se nos alegra a sua introdução no ordinário da celebração da Eucaristia, causa alguma estranheza a disposição gráfica adoptada para o 1º artigo. Segundo as últimas investigações parece-me claro que este diz respeito a Deus Pai, como nos foi revelado por Jesus Cristo, seu Filho (2º artigo), e que como tal é dado na fé aos neófitos; só então é identificado com o “Senhor de todas as coisas” da fé veterotestamentária, o Pantocrator (expressão do original grego, que o latim omnipotens traduz de maneira mais débil). De modo semelhante se estranha que, no final das orações, se não sugira graficamente a estrutura da oração segundo a Oikonomia, tradição restaurada pela reforma litúrgica em todo o seu vigor e consequência. A invocação do Espírito Santo é apresentada na perspectiva do “Deus trinitário em si”, em vez de se respeitar a estrutura “económica” da oração: “… é por Ele (Cristo) que… temos acesso ao Pai num mesmo Espírito” (Ef 2, 18); perspectiva que, logo no início da celebração eucarística, surge programaticamente pela citação de 2Co 13,13: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus (Pai) e a comunhão do Espírito Santo…” É a esta comunhão eclesial que, em primeiro lugar, se refere a unidade do Espírito, numa oração que se dirige a Deus Pai por Jesus Cristo.
Também há vírgulas e pausas teológicas! Se estes são pormenores que, a meu ver, deveriam ser revistos, eles de modo algum desdizem todo o notável trabalho realizado pelos que puseram à nossa disposição a magnífica versão portuguesa do Missal Romano. Esperamos que este fascículo da COMMUNIO o ajude a compreender e utilizar.

1 Dado que vários autores utilizam siglas que não são, porventura, do conhecimento de todos os leitores faz-se, desde já a sua descodificação: OM= Ordinário da Missa; OLM= Ordenamento das Leituras da Missa; IGLH= Instrução Geral da Liturgia das Horas; IGMR= Instrução Geral do Missal Romano.
2 La foi chrétienne. Essai sur la structure du Symbole  des Apôtres, Paris: Aubier  21970.
3 HYPPOLITE DE ROME, La Tradition Apostolique. D’après les anciennes versions, Trad., intr. et notes par B. Botte  (Sources Chrétiennes 11bis), Paris 1968, 84-87. Cf. John N. D. KELLY, Early Christian Creeds, London 1972.

 
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