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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano X • 1993-04-15 • nº 2 • Março/Abril
O Santo Nome de Deus
 
palavra-chave
 
   

artigos
“Qual é o teu Nome?” Exegese de Ex 3,14 • pág 117
Neves, Joaquim Carreira das
Significado da interdição do nome de Deus no judaísmo antigo • pág 127
Lourenço, João
O segundo mandamento no Novo Testamento • pág 136
Carrón, Julián
O nome de Deus e a questão da verdade • pág 149
Farias, José Jacinto Ferreira de
A gramática do divino em Dionísio • pág 162
Blanc, Mafalda de Faria
O nome de Deus na tradição bizantina. Do hesicasmo à onomatolatria • pág 173
Slesinski, Robert
O juramento • pág 183
Trigo, Jerónimo dos Santos
TV e cinema. Valores e critérios • pág 195
Mahony, Roger
Deus na saudação dos homens. Depoimento • pág 206
Domingos, Manuel F.


apresentação

JOSÉ JACINTO FERREIRA DE FARIAS


Esta caderno da COMMUNIO consagrado ao segundo mandamento* trata fundamentalmente da questão teológica da revelação do Nome de Deus, iluminada a partir de diversas perspectivas nas quais é possível relevar a riqueza de conteúdo deste tema fundamental da revelação cristã.
Os primeiros três artigos abordam a temática do nome de Deus, na perspectiva bíblica. Joaquim Carreira das Neves faz um desenvolvido comentário de Ex 3,14, o texto fundamental em que se narra a revelação do Nome de Deus a Moisés, na sarça ardente. Estamos em presença do acontecimento decisivo que distingue a tradição bíblica em relação às culturas médio-orientais do seu tempo. Sem Ex 3,14 não existiria Israel como povo e como cultura e, por conseguinte, o próprio cristianismo.
Ainda dentro do Antigo Testamento, mas agora no quadro da tradição do Judaísmo Antigo, João Lourenço explana o tema da interdição do Nome de Deus, isto é, os limites da sua invocabilidade, como forma de defender a santidade divina do Nome de qualquer uso mágico abusivo. O nome de Yahveh não é um instrumento mágico a que o homem possa recorrer, mas sim um dom de revelação e, por isso, a sua invocação estava preceituada.
Passando ao Novo testamento, J. Carrón analisa o sentido cristológico do Nome de Deus indicando também o alcance ético do conceito,  no que respeita fundamentalmente a duas questões essenciais: a questão da veracidade do dizer — “que o vosso sim seja sim e o vosso não seja não” —, e a questão do juramento tal como é posta em alguns textos evangélicos, nomeadamente na tradição do Sermão da Montanha.
O segundo conjunto de reflexões representa um ensaio de relacionar a temática do Nome de Deus com a reflexão teológica sobre a questão da verdade. Esta coloca-se não em termos abstractos, mas sim históricos, e, teologicamente, como mistério de presença e de comunhão. É nesta direcção que nos aponta a reflexão de Jacinto Farias sobre a dimensão trinitária da revelação do Nome de Deus. Mafalda Blanc, situando-se na perspectiva filosófica, convida-nos a acolher a grande riqueza da tradição da teologia apofática e, pela mão de Dionísio Areopagita e de S. Gregório de Nissa, a vermos como o Nome Divino por excelência é o Bem no qual todos os seres, e sobretudo o homem, são chamados a participar.
Daqui transitamos para a mística orante do Nome, na tradição bizantina, onde R. Slesinski nos conduz à hesiquia, a essa natural serenidade onde a voz de Deus pode ser escutada. É aí, na oração do Nome, na Oração de Jesus, que o coração fala ao coração.
Uma questão prática, o juramento, recorrente na moral do segundo mandamento, é abordada por Jerónimo Trigo. Uma exposição muito sugestiva da sua história, das razões da sua queda em desuso e das lições que, mesmo assim, dela se devem retirar, para o sentido prático do respeito devido ao Nome Santo de Deus. Este é, aliás, o tema do depoimento de Manuel Domingos, pároco de Ferro e Peraboa (Covilhã): o Nome de Deus nas saudações populares, nas quais o respeito pelo Nome Santo de Deus se traduz no respeito e na cordialidade das relações sociais.
Fora do tema apresentamos parte da carta pastoral do arcebispo de Los Angeles (USA) sobre TV e cinema, por a considerarmos uma proposta de reflexão muito oportuna, sobre o sentido humanista e cristão destes importantes meios de comunicação social, não só nos Estados Unidos, mas também, na hora actual, para o nosso espaço cultural português.


* Ver os dez mandamentos ou Decálogo, nas suas duas versões (Ex 20,2-17 e Dt 5,6-18) no nº 2 da Communio de 1992, p. 101.

 
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