Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano IX • 1992-12-15 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Liberalismo e Responsabilidade Social
 
palavra-chave
 
   

artigos
A dimensão comunitária e individual da fé • pág 485
Pinho, José Eduardo Borges de
Liberdade e responsabilidade social • pág 496
Cabral, Francisco Sarsfield
Doutrina social católica. Neoliberalismo e economia social de mercado • pág 512
Müller, J. Heinz
Responsabilidade social e economia social de mercado • pág 524
Pintado, Valentim Xavier
Igreja e Europa • pág 540
Ratzinger, Joseph
Igreja e liberalismo. Um desafio e uma primeira resposta • pág 548
Clemente, Manuel
Da liberdade à libertação. Nota em torno do aborto e eutanásia • pág 554
Peres, Mateus Cardoso
TVI. Um encontro de "absolutos" • pág 562
Liz, Carlos A.F.
Como realizar a solidariedade numa sociedade liberal. Depoimentos • pág 567
Madeira, Rui
Santos, Armando


apresentação

ANTÓNIO BIVAR – ANTÓNIO FIDALGO


O colapso político e económico do chamado «bloco socialista», acompanhado de diversos «processos de democratização» em países do Terceiro Mundo, não obstante as dificuldades, por vezes trágicas, que se seguiram a alguns destes acontecimentos, veio consolidar o sentimento geral de apreço pelo conjunto de valores habitualmente associados ao conceito de Liberalismo. A opinião pública retém como característica fundamental deste ideário o respeito por determinado código de direitos reconhecidos aos cidadãos, destinado a garantir uma autonomia tão extensa quanto possível de cada indivíduo face à intervenção dos poderes públicos, aliada à capacidade de regulação desses mesmos poderes por parte do conjunto dos governados. Evidentemente que a apreciação do possível grau de extensão dessa autonomia e dos valores que a condicionam conduz a conclusões por vezes contraditórias, que se traduzem afinal no conjunto de ideologias de que parece emergir como triunfante a que teria levado mais longe o princípio de deixar, em todos os domínios, livre curso às acções individuais. No entanto, uma análise mais exigente dos fundamentos deste modo de encarar a vida em sociedade levanta diversas questões de natureza ética que perturbam a aparente unanimidade criada em torno de certa forma vaga de "liberalismo".
O liberalismo, tal como o socialismo, com os contornos bem definidos que estas ideologias apresentavam na sua "juventude", foi alvo das condenações da Igreja, a qual, no entanto foi apreciando a evolução das diversas correntes e procurando confrontá-las com a sua doutrina. A revista COMMUNIO pretende, com este número, contribuir para a reflexão em torno destas questões, à luz da fé cristã; nesse sentido, José E. Borges de Pinho começa precisamente por reflectir acerca do enraizamento comunitário da experiência individual da fé com a consequente abertura à solidariedade que comporta esta natureza intrínseca da fé cristã.
Observando a situação actual das sociedades ditas "liberais", Francisco Sarsfield Cabral analisa o papel que os diversos valores dominantes nelas desempenham, procurando discernir a articulação da liberdade com determinado conjunto de princípios éticos, referidos a uma noção, tanto quanto possível consensual, de "bem comum" e responsabilidade social.
O magistério da Igreja produziu, ao longo dos cem últimos anos, diversos documentos fundamentais para a explicitação da doutrina social católica que são analisados por J. Heinz Müller em artigo que procura confrontar esta doutrina com a experiência acumulada neste período, fundamentalmente em sociedades ocidentais "avançadas". Uma análise pormenorizada dos mecanismos da economia de mercado, respectivas virtudes e vícios, e dos problemas éticos por ela levantados é feita no artigo seguinte, da autoria de V. Xavier Pintado.
As questões em debate neste número da COMMUNIO são particularmente sensíveis no quadro europeu, palco das transformações e debates ideológicos que inspiraram grande parte das reflexões em confronto; transcreve-se, a este propósito, a conferência pronunciada pelo cardeal J. Ratzinger na Universidade Católica do Sagrado Coração, de Milão, apresentando o seu livro Svolta per l’Europa, em que se reflecte acerca da articulação entre a identidade cristã da Europa e o pluralismo das modernas sociedades do continente europeu.
A atribulada história das relações da Igreja católica com os poderes liberais emergentes no decorrer do século passado teve em Portugal reflexos profundos que são descritos por Manuel Clemente no artigo seguinte.
A tensão entre ética cristã e pluralismo liberal, abordada em artigos anteriores, cristaliza-se por vezes em debates em torno de temas de premente actualidade como são os casos do aborto e da eutanásia a propósito dos quais Mateus C. Peres nos transmite as suas reflexões.
A presença da Igreja na sociedade torna-se em particular visível através dos meios de comunicação social considerados maos próximos dos meios católicos; a esse propósito impunha-se uma reflexão acerca da televisão vulgarmente dita "da Igreja", o que é feito por um dos consultores externos da TVI, Carlos Liz.
O número encerra com dois testemunhos, de Rui Madeira e Armando Santos, ambos activamente envolvidos no processo produtivo, sobre como realizar a solidariedade numa sociedade liberal.

 
  KEOPS multimedia - 2006