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Autor
Ano IX • 1992-04-15 • nº 2 • Março/Abril
«Eu sou o Senhor teu Deus»
 
palavra-chave
 
   

artigos
Exigência ética e condição humana

As Dez Palavras de Deus e, mais importante que todas, a Primeira • pág 102
Sales, Michel
Aliança, Decálogo e Evangelho • pág 117
Alves, Manuel Isidro
Por amor da nossa liberdade. Ética bíblica e “primeiro mandamento” do Decálogo • pág 136
Fidalgo, António
Que significa adorar? • pág 153
Fidalgo, António
A racionalidade da fé em Deus. Aspectos filosóficos e pedagógicos • pág 160
Huber, Carl
O nome das coisas, das pessoas e dos demónios. Uma leitura do último livro de J. Saramago • pág 173
Galvão, Henrique de Noronha
Como viver o primeiro mandamento: “Adorar Deus sobre todas as coisas”. Depoimentos • pág 186
Silva, Carlos Baptista da
Munir, David
“Não temos nós um único Pai?” • pág 190
Ben-Chorin, Schalim


apresentação

H. NORONHA GALVÃO


Ética e religião são grandezas que é impossível separar. A dignidade da pessoa humana apenas pode ser considerada como transcendente se assumida em face da Transcendência absoluta de Deus, sua fonte criadora. Ao querer prescindir de Deus, o ateísmo fica sem a possibilidade de fundamentar a dignidade da pessoa humana. Tentando fundá-la em si mesma, confunde a consequência com a causa. O círculo antropológico em que, assim, autocraticamente se encerra é um círculo vicioso.
A interdependência da religião e da ética está sinalizada num momento alto do Antigo Testamento, quando Deus entrega a Sua Lei a Moisés no contexto da teofania do Sinai (Ex 20,1-17). Essas «dez palavras» (Ex 34,28; Dt 4,13; 10, 4) encontram-se, também, no Deuteronómio (5,6-18), inseridas num discurso de Moisés (cf. p. 101).
A tradição judaica, atestada pelo Talmud, considera o primeiro versículo bíblico já um mandamento, contraindo depois os versículos 3 a 6 de Ex 20 (unicidade de Deus e interdição das imagens) a fim de não alterar o número dez. Para os exegetas cristãos, o primeiro versículo constitui um título ou prólogo. St. Agostinho juntou num só os dois primeiros mandamentos. O ensino corrente católico deixou cair a interdição das imagens (cujo sentido bíblico nos será explicado por Christoph Dohmen).
A revista COMMUNIO, com este número, inicia uma nova série que se irá prolongar por vários anos, e na qual se fará o comentário de cada um dos dez mandamentos. As séries anteriores tinham sido as do Credo e  dos sacramentos (que a edição portuguesa, ao começar, já encontrou avançadas), e a das bem-aventuranças. A Reunião Internacional das Edições COMMUNIO, de 1991, em Zagreb, que tomou essa decisão, optou igualmente por seguir a numeração católica habitual que corresponde à catequese de St. Agostinho. O primeiro mandamento é o tema deste fascículo. Juntamente com o prólogo, é ele que nos revela o sentido de todo o Decálogo (termo não bíblico, mas que exprime a noção bíblica de dez palavras ou mandamentos).
Os dados essenciais são-nos expostos pelos dois artigos de Michel Sales (em perspectiva mais compreensiva) e de Christoph Dohmen (de modo mais analítico). O vasto contexto dos dez mandamentos, abrangendo a Aliança e culminando no Evangelho, é-nos apresentado de forma sugestiva por Manuel Isidro Alves.
Mas importa, também, aprofundar filosoficamente os conceitos. «Exigência ética e condição humana» ocupam as reflexões de Manuel J. Carmo Ferreira. Por seu lado, António Fidalgo desenvolve uma fenomenologia da adoração tendo como referência o tema do divino como tremendum et fascinosum. Carlo Huber oferece-nos uma «gramática» da fé e do assentimento racional que esta  implica, completando o seu pensamento com  aspectos do âmbito psicológico e pedagógico.
D. António Ribeiro, Padre sinodal do «Sínodo para a Evangelização da Europa», honra-nos com a apresentação do que foi e significou este acontecimento num momento crucial da vida da Igreja, quando se operam na Europa decisivas transformações.
Impunha-se, ainda, colocar à disposição dos leitores da revista COMMUNIO algumas notas teológicas sobre a tese antiteísta de J. Saramago, no seu último romance. Foi o que pretendi fazer, referindo, a propósito, algumas outras críticas de que tem sido objecto este livro.
Para concluir, três depoimentos sobre o significado vivencial que «adorar a Deus sobre todas as coisas» assume para um cristão (C. Baptista da Silva), um judeu (Joshua Ruah) e um muçulmano (David Munir).

 
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