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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano I • 1984-10-30 • nº 5 • Setembro/Outubro
Pecado, Patologia e Perdão
 
palavra-chave
 
   

artigos
O pecado, face negativa da humanidade • pág 409
Matias, Joaquim Calmeiro
O homem e o pecado • pág 423
Coelho, Armindo Lopes
“…Assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Considerações filosóficas sobre o sacram • pág 430
Henrici, Peter
A consciência moral. Critérios para a sua formação • pág 446
Ferreira, Faustino Caldas
O pecado e o perdão na fronteira do normal e do patológico • pág 458
Gameiro, Aires
Pastoral da reconciliação • pág 468
Dias, A. Gomes
Reconciliação e Penitência. Questões práticas • pág 480
Comissão Teológica Internacional
A nossa medida está em Deus • pág 489
Léonard, André
A mensagem cristã do perdão. Depoimentos • pág 494
Bernardo, Fr.
Lambers, Dâmaso
Felício, Manuel da Rocha
Sousa, José Carlos da Silva
Serrazina, José Mendes


apresentação

FAUSTINO C. FERREIRA

São muitos os motivos de interesse a chamar a atenção dos leitores para este quinto número da revista COMMUNIO, cujo tema versa sobre "Pecado, patologia e perdão". A presente situação histórica reclama da parte de todos uma reflexão profunda sobre a realidade do pecado e das suas consequências no mundo moderno. "Quem quiser reflectir sobre a realidade moral [do tempo presente], vê-se sempre directamente implicado na reflexão sobre o pecado."(1) A Bíblia diz-nos que, desde as suas origens, a história dos homens está marcada por uma "falha ou fracasso".(2) O homem, livre para decidir e escolher conforme vontade do Criador. preferiu passar sem Deus; quis construir por si mesmo a sua maneira de viver. É o pecado original. Por isso, dizia Schopenhauer, o pecado original consiste propriamente na afirmação que o homem faz de si mesmo e na negação dos outros (e do totalmente Outro). Deste drama humano que é o pecado, tratam os artigos de J. Calmeiro Matias e do Bispo de Viana do Castelo, D. Armindo Lopes Coelho. Todavia, embora se sinta profundamente penetrado pelo "poder do pecado", não só como mal colectivo da humanidade mas também como mal próprio e pessoal, todo o homem tem, no entanto, capacidade para dominar esse poder e discernir entre o bem e o mal. É a consciência moral que responsabiliza o ser humano por todos os seus actos. Neste sentido vai o artigo de Faustino C. Ferreira. Não obstante toda a boa vontade do homem, somente Deus pode triunfar definitivamente sobre o mal; por isso, foi preciso que Deus se convertesse em seu Salvador e viesse em sua ajuda com imenso amor. A história dos homens é um combate permanente entre o desejo do mal e o desejo do bem; não pode sair vencedor a não ser pela intervenção de Cristo. Nenhum home é capaz de possuir a Vida de Deus, perdida pelo pecado das origens. Para reencontrar a amizade com Deus e a sua Vida divina, tem de "passar", com Cristo, da morte à vida. O que acontece nos sacramentos do Baptismo e da Reconciliação ou Penitência, como nos referem os artigos de Peter Henrici, A. Gomes Dias e Comissão Teológica Internacional. Mas os homens não são todos iguais. Muitos nascem ou vivem profundamente afectados por problemas de integração pessoal. Como responsabilizá-los pelas suas deficiências e malogros? Até que ponto se sentem abaixo da medida que lhes foi indicada? Com Aires Gameiro, e munidos dos imprescindíveis instrumentos da prudência e da compreensão, poderemos tentar a difícil travessia da inóspita fronteira do moral e do patológico. E, finalmente, como nos adverte o último Sínodo dos Bispos (1983), não se pode afirmar que os homens e a humanidade de hoje se tornaram mais "imorais ou amorais" do que nas épocas passadas. Ninguém poderá dizê-lo. Não existem elementos suficientes para se poder afirmar que o homem actual se encontra, com respeito ao passado, num momento de progresso ou de regressão moral. Existe hoje, isso sim, uma outra compreensão, uma outra vivência ou experiência do pecado. O homem contemporâneo tem uma ideia diferente do pecado e do seu perdão. Alguns testemunhos manifestam a necessidade de se chegar a uma concepção do pecado e do seu perdão que seja mais antropológica, mais referida ao homem, às suas relações sociais e ao mundo.

(1) A. Moser, "O pecado ainda existe?", 2ª edição, São Paulo 1977, 6.

(2) Cf. M. Horkheimer, "La nostalgia del totalmente Altro", trado do alemão, 2ª edição, Brescia 1977, 78: "A primeira coisa que o homem fez foi cometer um grande pecado no paraíso, e é a partir desta base que toda a história da humanidade necessita de uma explicação teológica … A doutrina mais grandiosa da religião judaico-cristã é a doutrina do pcado original. Porque foi ela que determinou até hoje a história e continuará a determiná-la para todos aqueles que pensam."

 
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