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Autor
Ano VIII • 1991-12-15 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Descobrimentos e mundo de hoje
 
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artigos
Sobre a universalidade no moderno Direito das Gentes

Vida das culturas: a dinâmica do outro. Os descobrimentos portugueses • pág 485
Gonçalves, Joaquim Cerqueira
O mar, o oceano e os Descobrimentos do sec XV • pág 492
Fonseca, Luís Adão da
Gesta Dei per Portucalenses • pág 501
Thomaz, Luís Filipe Rodrigues
Dois universalismos • pág 511
Ruas, Henrique Barrilaro
A teologia da missão à luz da solidariedade entre os povos • pág 518
Neiva, Adélio Torres
Unidade da Fé cristã e sua inculturação plural • pág 531
Galvão, Henrique de Noronha
A inculturação religiosa à luz da experiência medieval • pág 540
Mattoso, José
Antropologia e valor do encontro de culturas Uma leitura dos Descobrimentos • pág 548
Feliciano, José Fialho
Universalismo sem universalidade e universalidade sem universalismo na nossa ficção contemporânea • pág 572
Lourenço, Eduardo
Diálogo actual entre Igrejas irmãs de língua portuguesa • pág 578
Cleto, Albino Mamede
Descobrimentos e encontro de culturas. Depoimentos • pág 581
Gwembe, Ezequiel Pedro
Guterres, Apolinário Maria A.
Coelho, Paulo
Kloppenburg, Boaventura


apresentação

MARIA C. BRANCO


Portugal, ao comemorar os 500 anos do que se convencionou chamar Descobrimentos assinala um acontecimento que deu um novo rosto à história do mundo e em que lhe coube um lugar pioneiro; ao mesmo tempo, a Igreja celebra o papel primordial que a missão e evangelização tiveram nessa construção da civilização actual. Ao recordar a história desse processo lamentamos as injustiças praticadas. Contudo, isso não nos deve fazer perder a memória do que fomos como povo e como Igreja, pois é a memória que suporta a esperança.
É objectivo da COMMUNIO contribuir para a reflexão desse processo de transformação e suas implicações para a actualidade, nos diversos domínios da civilização e da cultura, tomando em consideração os dinamismos da fé cristã.
Abre este fascículo um artigo de Cerqueira Gonçalves que, a propósito das comemorações dos Descobrimentos, nos chama a atenção para as dificuldades que as sociedades actuais têm em se referenciar ao passado assim como de compreender a natureza da relação entre os povos.
Para descobrir o mundo foi necessário libertar os homens de medos remotos. As grandes dimensões do espaço – os oceanos – só lentamente foram sendo reveladas. Disso e do papel desempenhado por Portugal, com uma posição geográfica privilegiada, nos fala o artigo de L. Adão da Fonseca.
Se há época histórica que tem proporcionado discussões apaixonadas, as mais das vezes roçando o simplismo, é a da expansão europeia e suas consequências para os povos colonizados. L. F. Thomaz, em forma de meditação, mostra-nos como é difícil sobre esta questão emitir um juízo justo e, ao mesmo tempo, crítico. As vocações universalistas do Cristianismo e de Portugal não podem ser entendidas como se fossem da mesma natureza. Marcar a diferença entre um universalismo político (o português) e o universalismo cristão é o objectivo do artigo de H. Barrilaro Ruas que se interroga, ainda, sobre a capacidade universalista da actual comunidade lusíada, unida por uma língua comum.
Quando se fala de missão e nos reportamos aos Descobrimentos o seu significado toma de imediato algumas conotações negativas. O concílio Vaticano II, contudo, veio dar um novo dinamismo ao sentido autêntico da missão referenciando-a ao dinamismo missionário da Trindade que une todos os homens numa só origem e destino: é aí que a solidariedade entre os povos tem a sua raiz, como nos diz A. Torres Neiva.
A primeira tomada de consciência da unidade do mundo através da sua diversidade foi consequência do encontro de culturas provocado pelos Descobrimentos, embora algumas condições históricas que envolveram a expansão tenham obscurecido essa consciência. Para o Cristianismo, porém, a questão da unidade na diversidade e da diversidade na unidade remonta ao pensamento bíblico e põe-se, hoje, no contexto da inculturação. O problema da inculturação plural da única Fé cristã é o tema do artigo de H. Noronha Galvão. Ainda a propósito da inculturação religiosa nos fala J. Mattoso através da experiência medieval: a recepção do Cristianismo na Europa dá-nos o exemplo da maleabilidade medieval e pode servir de reflexão aos métodos missionários da Igreja de hoje.
José Fialho refere-nos, também, o encontro de culturas como um ideal que deve assegurar o enriquecimento mútuo e o amadurecimento do homem universal, não devendo nunca servir como força de dominação.
Quando se fala em direitos humanos é corrente identificá-los como uma conquista da Revolução Francesa que esteve na base do Direito Internacional. J. Pureza mostra-nos como é, antes, o Cristianismo que dá um sentido novo à ideia de género humano, radicando-a na igual dignidade dos homens; é o Direito das Gentes, corajosamente defendido por inúmeros missionários e teólogos da época dos Descobrimentos, que está na origem de um direito internacional verdadeiramente universal.
Para E. Lourenço mais importante que discutir a universalidade ou não-universalidade da nossa literatura é perceber a razão da nova visibilidade da ficção portuguesa – participante da aventura criadora de uma cultura que já não comporta espaços privilegiados, onde todos somos centro e margem.
D. Albino Cleto fala-nos das actuais relações entre as Igrejas de língua portuguesa e das actividades comuns nas comemorações dos cinco séculos de evangelização.
A terminar, os depoimentos. A quatro pessoas oriundas de diferentes regiões onde os portugueses chegaram séculos atrás, pedimos que respondessem à pergunta: Na sua tradição religiosa e civilizacional que significado atribui ao encontro de culturas provocado pelos Descobrimentos do sec. XV?
As suas respostas poderão ser um bom tema para reflexão sobre os Descobrimentos, para Portugal e a Igreja se confrontarem com a sua alma e o seu futuro.

 
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