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Autor
Ano VIII • 1991-09-15 • nº 5 • Setembro/Outubro
Bem-aventurados os que choram
 
palavra-chave
 
   

artigos
Sofrer para alcançar a vida. Reflexões sobre o sentido redentor do sofrimento

O sofrimento no Antigo Testamento • pág 389
Carvalho, José Ornelas
“Felizes os que choram porque serão consolados” • pág 404
Dias, Geraldo Coelho
“Toma a tua cruz e segue-Me”. Um sentido moderno de ascese • pág 424
Neves, Manuel Carreira das
Lágrimas e sua consolação na doutrina espiritual de Inácio de Loyola • pág 429
Henrici, Peter
É o cristianismo uma moral de fracos? • pág 438
Fidalgo, António
O sofrimento em África • pág 445
Venâncio, José Carlos
Cheia de Graça. Elementos bíblicos da devoção mariana • pág 455
Ratzinger, Joseph
A doutrina social do concílio Vaticano II • pág 468
Schasching, Johannes
Sofrimento. Testemunho • pág 478
Pinto, Matilde


apresentação

ANTÓNIO FIDALGO – MARIA MATHIAS CORTEZ DE LOBÃO


A nossa época é caracterizada pelo facto do sofrimento colectivo e individual nos atingir com acuidade e crueza extremas. Através da comunicação social e em particular da televisão é-nos dado viver quer as misérias da guerra e das intempéries naturais quer as humilhações de um outro ser humano. E se a frequência dos horrores nos tornam algo insensíveis, a verdade é que nos damos melhor conta do mundo a que pertencemos e do nosso lugar nele.
Perante o absurdo do sofrimento nem a submissão nem a revolta dão consolação porque não resolvem as perguntas de base: porquê? para quê? A bem-aventurança diz-nos que é à luz de Jesus Cristo Crucificado que o cristão se põe em condições para fazer outra leitura da realidade. Mergulhando intelectual, emocional e espiritualmente no sofrimento, o cristão encontra o seu Deus de Amor pregado na cruz.
A bem-aventurança dos que choram chama-nos a fazer uma conversão de vida em três dimensões. No sofrimento descobrimos uma realidade diferente de lágrimas e purificação, reveladora de nós próprios, que nos abre à com-paixão. Com o outro ser humano, nosso companheiro de viagem na terra, aprendemos a solidariedade e a ternura do silêncio e da comunhão. Com Deus crucificado entramos no mistério sempre insondável da verdade do Amor, consolação indizível dos milagres da fé.
A COMMUNIO propõe-lhe várias meditações sobre este tema começando com um estudo de José Ornelas Carvalho sobre “O sofrimento no Antigo Testamento”. Partindo da história da criação como reveladora do projecto de amor de Deus e da condição limitada do ser humano, o autor mostra como o povo de Israel foi desenvolvendo os conceitos de justiça, retribuição, libertação, salvação. No Novo Testamento o sofrimento é visto como identificação com o Crucificado. “É dado aos aflitos alguém que os console... Jesus é o paradigma do ‘aflito’ ” diz-nos Geraldo Coelho Dias. Réal Tremblay, no “Sentido redentor do sofrimento” explica como o sofrimento que é fraqueza, se torna no local de encontro do ser humano com o seu Deus. Identificação com o Crucificado que “arranca as raízes do mal e dá acesso ao mundo da alegria e da fecundidade sem limites do Deus que é Agape”.
O artigo de Manuel Carreira das Neves faz um apanhado das circunstâncias em que no Novo Testamento e na história da espiritualidade é feito o chamamento para tomar a própria cruz e seguir a Cristo. Nesta perspectiva de espiritualidade, um dos grandes mestres é sem dúvida Santo Inácio de quem se celebra este ano o quinto centenário do nascimento e que lembramos com o artigo de Peter Henrici.
A visão filosófica é-nos dada por António Fidalgo que responde à crítica de Nietzsche ao Cristianismo segundo a qual a religião de Cristo tem o seu fundamento no ressentimento dos fracos e humilhados que, não conseguindo vencer na vida, invertem os padrões morais do bem e do mal para terem também a sua “recompensa”.
Finalmente, José Carlos Venâncio põe-nos o problema do sofrimento no contexto antropológico da situação em África.
Dois artigos fora de tema enriquecem o número. O estudo de Joseph Ratzinger sobre a “Cheia de Graça” propõe elementos bíblicos da devoção mariana. Por outro lado, neste ano em que se celebram os cem anos da Rerum Novarum, comemorada com a encíclica de João Paulo II Centesimus Annus, a COMMUNIO não podia deixar de consagrar um espaço à doutrina social da Igreja o que faz com o estudo de Schasching que foca particularmente a questão no concílio Vaticano II.
O depoimento de Matilde Pinto dá-nos o ponto de vista médico sobre o sofrimento afirmando que, “se não nos é possível fazer mais nada por quem sofre, pelo menos... asseguremo-nos que ele sabe que percebemos o seu sofrimento”.

 
  KEOPS multimedia - 2006