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Titulo do Artigo
Autor
Ano VIII • 1991-03-15 • nº 2 • Março/Abril
A vida eterna
 
palavra-chave
 
   

artigos
Que significa “vida eterna”? • pág 101
Lehmann, Karl
A vida eterna nos escritos de S. João • pág 113
Luzarraga, Jesús
Vida terrena e vida eterna • pág 123
Ferreira, Faustino Caldas
Do Tempo e da Eternidade • pág 132
Gonçalves, Joaquim Cerqueira
Uma eternidade diferente. Reflexões sobre a proposta de Spinoza • pág 144
Ferreira, Maria Luísa Ribeiro
Algumas notas sobre o tema da vida eterna na literatura portuguesa • pág 150
Lemos, Esther de
O tempo na eternidade, a eternidade no tempo. Eliot, Balthasar e a vida contemplativa-activa • pág 159
Schindler, David
Pastoral da saúde. Um serviço à plenitude da vida • pág 175
Pinto, Vitor Feytor
“Só nos resta um caminho: a procura”. A propósito de Palavra entre palavras de António Rego • pág 185
Rego, António
Morgado, José Joaquim Lopes
A vida eterrna e vida do dia-a-dia • pág 189
Lobão, Joaquim Cortez de
Leitão, José


apresentação

H. NORONHA GALVÃO – FAUSTINO C. FERREIRA

O Símbolo dos Apóstolos é a mais veneranda profissão de fé da Igreja do Ocidente, é o seu Credo de origem litúrgica por excelência. Tendo-se formado no espaço de língua grega, cedo se desenvolveu na Igreja de língua latina. Desde o sec. VIII, de forma generalizada, ele inclui a afirmação da fé na vida eterna. Mas já no sec. III, St. Ireneu conhece esta inclusão. Com os concílios do sec. IV, em Niceia e Constantinopla, surge um outro Credo “sobrecarregado” de declarações doutrinais, tornadas necessárias para combater várias heresias do tempo. Também ele entrou na liturgia; e foi o único admitido na celebração da Eucaristia pela aplicação a Portugal da reforma litúrgica após o Vaticano II.(1) É, pois, com as suas palavras que costumamos professar a fé na vida do mundo que há-de vir. As expressões dos dois Credos equivalem-se, exprimindo a vida em plenitude que nos foi prometida como dom de Deus, e que é o próprio Deus. Uma promessa que se realizou em Jesus Cristo, pela sua ressurreição de que participamos já mediante o baptismo, mas cuja plena realização nos espera ainda “no mundo que há-de vir”.
Anteriormente às afirmações das confissões de fé, e simultaneamente com elas, o conceito de vida eterna consta dos textos bíblicos e enraíza na experiência humana. A reflexão filosófica, desde sempre, tem tentado dilucidá-lo. A teologia, porém, dispõe da fé cristã como nova luz que o esclarece. É tendo em conta toda esta complexidade de perspectivas, que Karl Lehmann explica como a vida eterna responde a anseios humanos que só no dom de Deus encontram descanso e plenitude. Jesús Luzarraga mostra-nos, por seu lado, a rica e profunda visão de fé que deste tema oferecem os escritos de S. João.
Vida eterna e vida terrena, tempo e eternidade, constituem termos de uma relação que se esclarecem mutuamente, quer no plano da antropologia (artigo de Faustino C. Ferreira), quer no da história da filosofia (estudo de J. Cerqueira Gonçalves). O caso particular de Spinoza, apresentado por M. Luísa Ferreira, ilustra como são possíveis, no campo da filosofia, outras aproximações diferentes a este tema.
Mas também na literatura portuguesa ganha expressão toda a experiência humana ligada à vida eterna, ainda que de modos muito diversos e, por vezes, com sinais contrários, segundo as épocas históricas e, mesmo, consoante os períodos de vida dos autores. Um artigo instrutivo este, de Esther de Lemos, e que é completado, no domínio da literatura inglesa, pelo estudo de David Schindler. Tempo e eternidade, no poeta Eliot, implicam-se mutuamente; uma perspectiva que, surpreendentemente, a teologia de Hans Urs von Balthasar permite aprofundar e precisar do ponto de vista teológico.
Vida eterna é plenitude de vida. O que esta afirmação da fé cristã poderá significar, concretamente, para uma pastoral da saúde que se debruça sobre tantas carências de vida, é o que nos propõe V. Feytor Pinto.
Embora fugindo ao tema central deste número da revista, não anda muito longe dele a recolha de textos de António Rego feita à maneira de entrevista fictícia por J. Lopes Morgado. É que o concílio Vaticano II, a grande fonte inspiradora do autor de Palavra entre palavras, teve como finalidade contrariar todas as forças negativas que alheavam a fé da vida, ameaçando, afinal, tirar à vida a sua dimensão de eternidade.
De uma gama diversificada de depoimentos que havíamos projectado e pedido, só conseguimos obter dois em tempo útil. Eles exemplificam bem, no entanto, como a vida eterna e uma autêntica vida do dia-a-dia, longe de se oporem, só em íntima ligação podem ser entendidas.

(1) Esperemos que nos novos livros litúrgicos, em preparação, o Símbolo dos Apóstolos seja também admitido, como alternativa, para a profissão de fé na Eucaristia. Não se compreende bem qual possa ser a razão litúrgica e pastoral, num país como o nosso, para um tal exclusivismo, contrariando, aliás, a prática da generalidade dos países, incluindo o Brasil.

 
  KEOPS multimedia - 2006