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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano VIII • 1991-01-15 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Movimentos eclesiais
 
palavra-chave
 
   

artigos
Movimentos no pós-Concílio. Anotações sociológicas • pág 005
Antunes, Manuel Luís Marinho
Movimentos na história da Igreja. Exemplos do fim da época medieval • pág 012
Almeida, Artur Roque de
Unidade e pluralidade na Igreja • pág 021
Pereira, Teresa Martinho
Critérios de eclesialidade para as associações laicais • pág 032
Policarpo, D. José da Cruz
Movimentos e evangelização da cultura • pág 038
Gouveia, Maurílio de
Força e fraqueza dos movimentos na Igreja • pág 046
Pinho, José Eduardo Borges de
Juventude e espiritualidade. Associações, movimentos e obras laicais. Breve panorâmica • pág 056
Stilwell, Peter
Depoimentos • pág 083
Lopes, P. Vítor
Martins, Maria João
Catarino, Lucília
Delgado, Bernardo Mira
Sarmento, João Morais
Rural, Equipa Nacional da Acção Católica
Depoimentos • pág 092
Falcão, P. Miguel
Lopes, P. Vítor


apresentação

JOSÉ E. BORGES DE PINHO – TERESA MARTINHO PEREIRA


No primeiro número deste ano, a Revista COMMUNIO projectou oferecer aos seus leitores uma reflexão sobre os movimentos eclesiais. Trata-se, como é sabido, de uma realidade marcante na vida eclesial dos nossos dias. Uma realidade, porém, até agora pouco reflectida nas diversas dimensões que engloba, com prejuízo para uma mais adequada compreensão do seu significado para a Igreja. Daí que a COMMUNIO tivesse entendido que, não obstante alguns (óbvios) riscos inerentes a este projecto, valeria a pena esboçar alguns elementos de reflexão, sempre e só no objectivo de contribuir para uma maior maturidade da fé, em Igreja.
Sendo um fenómeno iniciado antes do Concílio Vaticano II, a experiência de organização dos leigos que os movimentos proporcionaram deu um contributo ao próprio Concílio, nomeadamente na linha da teologia do laicado. No pós-Concílio, os movimentos desenvolveram-se procurando constituir lugares de aprofundamento e de concretização da sua doutrina, esforço coroado de maior ou de menor êxito, mas reconhecido pelo Sínodo sobre a Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no Mundo como um dos sinais demonstrativos de “como o Espírito tem continuado a rejuvenescer a Igreja” (ChL 2). Pode dizer-se que a identidade dos movimentos acentua duas dimensões da vida cristã. Por um lado, constituem uma forma específica de experimentar a fé, visto que são grupos organizados em torno de uma determinada espiritualidade ou linha de acção, inspirada no Evangelho e escolhida como pólo aglutinador. Por outro lado, a sua identidade adquire significado eclesial quando comunga na experiência plena da Igreja, mais lata do que os horizontes do próprio movimento.
Na abordagem do tema procurou-se situá-lo, antes de mais, na realidade eclesial que temos. O primeiro artigo, de Marinho Antunes, debruça-se precisamente sobre o perfil sociológico dos movimentos no pós-Concílio. Pretendeu-se que a análise do seu rosto concreto proporcione o quadro da situação a partir da qual há um contexto adequado para a reflexão teológica. No entanto, acentuar a importância do fenómeno para a actualidade, ou para a história mais recente, não significa que se ignorem a importância e o significado que tiveram movimentos de renovação espiritual surgidos na história da Igreja. Essa memória é-nos reavivada pelo artigo de Artur Roque de Almeida.
Uma das questões colocadas pelo Sínodo de 87 sobre os leigos foi a da “necessidade de ‘critérios’ de discernimento sobre a autenticidade eclesial das suas formas associativas” (ChL 29). De facto, nos “frutos eclesiais” que os movimentos derem, se revela a forma como equacionam o problema da unidade e da pluralidade na Igreja. Essa aferição supõe o estabelecimento de critérios de eclesialidade dos movimentos. Neste sentido, o artigo de Teresa M. Pereira aborda a questão da unidade e da pluralidade de experiências eclesiais, mostrando como ambas as realidades podem ser vividas de uma forma “salutarmente” tensiva, procurando o diálogo como via para uma pastoral fraterna. D. José Policarpo, que participou no Sínodo de 87, oferece-nos, por sua vez, uma reflexão sobre os critérios decisivos no que diz respeito à eclesialidade dos movimentos.
Uma das dimensões dos movimentos mais realçada pela Exortação Apostólica Christifideles Laici é a sua “incidência cultural” (n. 29), isto é, o seu papel de interventores na cultura numa linha de humanização evangelizadora da mesma. Disto mesmo nos fala o artigo de D. Maurílio de Gouveia. Nesta mesma linha, a pastoral dos movimentos juvenis constitui um desafio à capacidade de ler a cultura de uma forma diferente e mais evangélica. O artigo de Peter Stilwell debruça-se sobre esta tarefa.
Num número sobre os movimentos eclesiais, realidade em permanente evolução, será útil fazer um balanço, ainda que breve, das suas forças e fraquezas, em ordem a um aprofundamento da sua identidade, tanto em termos eclesiais como no que diz respeito à sua relação com o mundo circundante. Isso mesmo procura fazer o artigo de José E. Borges de Pinho.
Completando esta reflexão apresenta-se ainda uma breve resenha do rosto concreto do fenómeno dos movimentos tal como ele se apresenta em Portugal. Por isso mesmo se faz uma sucinta apresentação dos mesmos, a partir dos dados referidos no Anuário Católico. Nesta mesma linha, exemplificam-se, na habitual secção de depoimentos, formas de espiritualidade e atitudes de inserção eclesial-pastoral. Uma vez que seria inviável a publicação de testemunhos de todo o espectro de movimentos existentes em Portugal, optámos por recolher testemunhos capazes de tipificar precisamente a variedade que aqui se manifesta.

 
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