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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano VII • 1990-11-15 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Igreja e pós-modernidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
Fé cristã e pós-modernidade • pág 485
Morão, Artur
Dogmática pós-moderna? Nova discussão sobre os princípios teológicos • pág 496
Kasper, Walter
Trindade e pós-modernidade. A actualidade das confissões trinitárias • pág 506
Farias, José Jacinto Ferreira de
Critérios éticos para o mundo actual • pág 521
Peres, Mateus Cardoso
Pós-modernidade e ciências • pág 531
Catarino, Fernando Mangas
Uma cultura de responsabilidade. Do singular ao solidário • pág 539
Martins, Guilherme d'Oliveira
Identidade eclesiológica do presbítero • pág 550
Corecco, Eugenio
Do urbanismo ao ordenamento do território • pág 569
Telles, Gonçalo Ribeiro


apresentação

MARIA C. BRANCO – MARIA MATHIAS C. DE LOBÃO


Entre o tempo em que o Reino teve a sua realização, em Cristo, e aquele em que alcançará o seu desabrochar definitivo, em toda a humanidade, desenvolve-se o tempo (a história) da expectativa em que se tornam possíveis as condições desta realização plena. No âmago da história actua o Espírito de Deus com vista à transformação do tempo dos homens pela obra de Deus, em Jesus Cristo.
A Igreja é, assim, convidada, pela sua própria missão, a discernir, neste mundo, os sinais dessa presença do Reino de Deus. A referência a “sinais dos tempos”, contudo, não nos pode fazer esquecer o essencial: a nossa história contém no seu íntimo um só sinal que é Jesus Cristo. É nele que a “humanidade de Deus” se manifesta e só nele a liberdade divina revela para quê e porquê solicita a liberdade humana. Mas, esse sinal dado em Jesus Cristo, na sua morte e na sua ressurreição, não implica que esgote em si todo o significado do tempo: ao contrário, é abertura à inteligência de toda a história, e daí que a leitura dos “sinais dos tempos” requeira, por parte dos cristãos, uma atenção reflectida.
A missão profética da Igreja obriga, por isso, a um conhecimento profundo das culturas e das suas mutações o que, hoje significa apreendermos em toda a sua dimensão o movimento conhecido por pós-modernidade.
Este movimento, se tomado num sentido intelectualista, pode não passar de uma moda da cultura ocidental. Contudo, ele é também um indicador de uma mais ampla sensibilidade. Trata-se de todo um processo sócio-cultural que arrasta consigo uma mudança da visão da história e do posicionamento perante a nossa cultura. Quer estejamos, ou não, de acordo com as suas teses, o simples facto de elas encontrarem eco junto da opinião pública indicia que novos tempos se desenham.
A fé cristã deve saber inscrever-se neste contexto, e pode fazê-lo exactamente porque anuncia o Deus de Jesus Cristo, o Deus vivo que actua na história dos homens e a dinamiza. Por isso, a revista COMMUNIO decidiu dedicar este fascículo ao tema “Igreja e pós-modernidade”.
A abrir, A. Morão, em Fé cristã e pós-modernidade, interroga-se como pode o cristianismo ser vivido neste tempo pós-moderno, vocábulo do qual questiona a validade, embora reconhecendo o insucesso parcial do projecto moderno. Esse reconhecimento, porém, deve ser entendido como saudável lição de humildade e de experiência de finitude. Em Dogmática pós-moderna?, Walter Kasper defende que às tarefas mais importantes que a teologia tem de assumir neste tempo, pertence a recuperação da dimensão metafísica para uma problemática ontológica ao serviço de um saber acerca de Deus. Jacinto Farias no artigo Trindade e pós-modernidade, procura retirar o tema da Trindade divina do exílio a que tem estado votado, mostrando o lugar decisivo que tem na nossa prática religiosa e a sua actualidade num mundo pluralista.
A problemática ética tem estado no centro das atenções e preocupações seja da Igreja seja dos que hoje se preocupam com as interrogações e transformações que vivemos. A questão é saber em que instâncias se devem procurar os princípios éticos. Em Critérios éticos para o mundo actual, Mateus Peres realça que a Igreja contribui para essa descoberta com uma luz que lhe é própria. No domínio das ciências, das suas imensas descobertas e incógnitas, diz F. Catarino, no artigo Pós-modernidade e ciências, os cristãos, em fidelidade a Cristo, são chamados a dar testemunho da dignidade do ser humano e de solidariedade. Para G. d’Oliveira Martins, Uma cultura de responsabilidade é, acima de tudo, uma exigência da nossa época, em que se impõe valorizar a singularidade das pessoas e abrir vias de solidariedade voluntária, para que o mundo-da-vida possa beneficiar desse diálogo responsável.
O último artigo de E. Corecco – fora do tema do fascículo – reflecte sobre a Identidade eclesiológica do presbítero. Tendo decorrido no passado mês de Outubro, o Sínodo dos Bispos sobre a formação dos presbíteros, a revista COMMUNIO não quis deixar passar em silêncio este importante acontecimento. O estudo que apresentamos foi escrito justamente como contributo para a reflexão sobre o tema sinodal.
A terminar, o depoimento de G. Ribeiro Telles, sobre a Terra em que, futuramente, queremos viver; uma cidade e um campo à escala do homem e à medida do seu desejo de recuperar o “jardim do Paraíso”.
 

 
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