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Titulo do Artigo
Autor
Ano VI • 1989-09-15 • nº 5 • Setembro/Outubro
Deus e o Mal
 
palavra-chave
 
   

artigos
O problema do mal na filosofia contemporânea • pág 389
Duarte, Joaquim Cardozo
O mal na Bíblia • pág 401
Neves, Joaquim Carreira das
Sobre o mistério do mal • pág 409
Lehmann, Karl
O diabólico como expressão do mal • pág 419
Carvalho, Maria Manuela da Conceição Dias de
O crente perante a interpelação do mal • pág 430
Pinho, José Eduardo Borges de
Mal e responsabilidade moral • pág 444
Ferreira, Faustino Caldas
O conceito e a actualidade da evangelização • pág 457
Cardoso, Arnaldo Pinto
Que fazer da Sida? Algumas orientações • pág 477
Archambault, Jean-Luc
Archambault, Laurie


apresentação

FAUSTINO CALDAS FERREIRA – JOSÉ EDUARDO BORGES DE PINHO

Há questões que acompanham permanentemente o viver humano sem que o homem as consiga alguma vez pôr de lado como se estivessem já totalmente resolvidas. O problema do mal, na dramaticidade existencial que comporta e na opacidade com que se apresenta ao esforço de compreensão teórica, é uma dessas questões. Nela se manifesta, afinal, o mistério do homem, animado por enormes esperanças mas sempre ameaçado por poderes externos ou pelos seus próprios fracassos. Da permanência e da acuidade da questão do mal nos dão testemunho ao longo da história tanto a linguagem do mito como a experiência das religiões, tanto os tacteamentos da razão que pensa como os projectos da vontade que quer dominar o mundo pela técnica ou pelo esforço político. Prevista inicialmente para o programa comum das diversas edições da Revista COMMUNIO no ano em curso, a abordagem desta temática acabaria por ser adiada à última hora pelas edições congéneres. Apesar disso, a edição portuguesa abalançou-se ao tratamento do tema, mesmo sabendo que o plano inicialmente previsto não poderia ser integralmente cumprido. Este fascículo começa por oferecer uma síntese da forma como o problema do mal foi pensado e reflectido nalgumas das principais figuras da filosofia contemporânea. Cardozo Duarte apresenta assim as coordenadas gerais dominantes nessa reflexão e também as linhas de evolução que se podem detectar na perspectivação do problema. Um segundo artigo é dedicado ao testemunho bíblico. Carreira das Neves destaca algumas das tematizações mais significantes da problemática do mal ao longo da Bíblia. Aí se entrevê o que a Palavra de Deus oferece de interpretação e de iluminação da existência humana face ao drama do mal. Nos momentos seguintes procura-se oferecer um conjunto de reflexões de ordem sistemática que ajudem a discernir a atitude cristã diante do mistério do mal. Numa abordagem filosófico-teológica Karl Lehmann, actual bispo de Mainz e presidente da Conferência Episcopal Alemã, analisa os pressupostos fundamentais que devem ser tidos em conta na consideração do mistério do mal, pondo em relevo alguns indicativos que nos são dados pelo caminho percorrido até agora na reflexão sobre este problema. Em certa continuidade com este artigo, M. Manuela de Carvalho analisa o que significa o diabólico como expressão do mal. Depois de mostrar como o diabólico, por essência "não-pessoa", foi sendo "personificado", a autora sublinha que o mistério central da fé cristã marginaliza o diabólico, na consciência de que a força e a paz do cristão estão no Senhor Jesus do qual força alguma o poderá separar (Rm 8,38). Por seu turno, Borges de Pinho tenta reflectir algumas das interpelações que o problema do mal coloca à existência crente. A consciência aprofundada dessas interpelações deve levar precisamente a uma ideia mais correcta de quem é, afinal, o Deus em que os cristãos acreditam e, assim também, a uma atitude de maior coerência prática com essa mesma fé. Nesta mesma linha, Faustino C. Ferreira procura acentuar como, na perspectiva cristã, o mal não pode ser afastado da responsabilidade do agir humano. Daí decorrem algumas exigências fundamentais para a acção. Este fascículo da COMMUNIO oferece ainda um amplo estudo de Arnaldo P. Cardoso sobre o conceito e a actualidade da evangelização. Embora à margem do tema central, a importância desta reflexão é manifesta. Basta pensar na tarefa de uma "segunda evangelização" de países tradicionalmente cristãos. Mas a circunstância de em Novembro ocorrer a abertura oficial das comemorações dos cinco séculos da evangelização portuguesa e do encontro de culturas acrescenta-lhe uma nota de particular oportunidade. Uma oportunidade que não é menor, bem pelo contrário, para o breve depoimento sobre a Sida que se insere neste número, a partir dum texto publicado no último fascículo da edição francesa da COMMUNIO.

 
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