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Titulo do Artigo
Autor
Ano VI • 1989-03-15 • nº 2 • Março/Abril
Bem-aventurados os pacíficos
 
palavra-chave
 
   

artigos
“Bem-aventurados os que fazem a obra da paz” • pág 101
Gnilka, Joachim
A paz bíblica como plenitude • pág 108
Lourenço, João
A guerra santa e o anátema na Bíblia • pág 117
Lohfink, Norbert
Francisco de Assis e a Paz • pág 127
Neves, Manuel Carreira das
A acção pacificadora da Igreja e o diálogo com as outras religiões • pág 141
Domingues, Bento
A educação para a paz • pág 152
França, Maria Luísa
Pereira, Teresa Martinho
Notas para uma leitura cristã dos Direitos do Homem • pág 161
Pureza, José Manuel
Para uma cultura da reconciliação e da penitência • pág 169
Marto, António
A Igreja perante o racismo • pág 176
Comissão Pontifícia Justiça e Paz
Que solidariedade para a paz? • pág 185
Comunidades dos religiosos dos Sagrados Corações
Como se vive a bem-aventurança dos pacíficos em Angola • pág 190
Mimel


apresentação

TERESA MARTINHO PEREIRA

"Bem-aventurados os pacíficos". Esta bem-aventurança proclamada por Jesus Cristo no Sermão da montanha adquire uma ressonância particular nas nossas sociedades contemporâneas sujeitas, de formas variadas, a agressões desfigurantes da humanidade. A proposta da COMMUNIO neste número passa pelo aprofundamento do significado desta palavra de Jesus Cristo e das suas consequências para o crente, para toda a Igreja, para o mundo. Colocar-se na via da imitação de Cristo através de uma atitude pacífica não se confunde com a adopção de comportamentos passivos, de uma aparente tranquilidade que possibilita, afinal, a infiltração de todas as ideologias. Seguindo o destino de Jesus Cristo, os cristãos são chamados a um compromisso activo pela paz, nas suas três dimensões: com Deus, com o próximo e consigo mesmo. Tal é o tema que Joachim Gnilka nos propõe. Este empenhamento, no entanto, está consciente de que a Paz, ("shalom") é, antes de mais, dom de Deus, ela é parte da Sua própria identidade. Aproxima-se do conceito bíblico de salvação, é apelo escatológico à construção de um mundo novo, à imagem do projecto divino para a humanidade (como veremos no artigo de João Lourenço). A dinâmica lançada pela bem-aventurança dos construtores da paz leva os crentes a uma atitude de não-violência activa que desmascara todas as estruturas pecaminosas da violência. Por isso, a guerra santa não pode ser critério ou modelo de afirmação da fé num Deus que é Paz. Para lá de leituras mais ou menos fáceis do Antigo Testamento como ponto de apoio para qualquer cruzada, Norbert Lohfink faz-nos ver o que ele representa de condenação (isso, sim) da violência pelo Povo de Deus. A Igreja é chamada a viver o caminho da construção da paz como desafio à sua própria pacificação (pensemos na tarefa ecuménica e no diálogo intra-eclesial) e à sua capacidade de relacionamento aberto com as outras religiões, para o bem de toda a família humana, uma vez que ela é discípula do Excluído que a todos inclui para todos salvar (de acordo com as palavras de Bento Domingues). Daqui se segue a possibilidade de construir uma cultura de reconciliação num contexto civilizacional de crescente perda de consciência do bem e do mal, traduzida, tantas vezes, em verdadeiros pecados sociais. Esta a reflexão que nos propõe António Marto. Criar uma cultura de reconciliação supõe uma pedagogia capaz de nos educar para a paz, com a consciência clara do mundo em que vivemos e a ânsia, radicada na fé, do mundo que queremos. Alguns dos caminhos deste processo educativo são-nos testemunhados por Luísa França e Teresa Martinho Pereira. Viver a bem-aventurança dos pacíficos é solidarizar-se com todos os ultrajados na sua dignidade humana, na sua condição fundamental de filhos de Deus. Daqui decorre uma releitura exigente dos Direitos Humanos à luz de uma antropologia cristã que radicaliza ainda mais a necessidade de se empenhar no seu cumprimento, na perspectiva de José M. Pureza. Um dos direitos mais desrespeitados é, certamente, o do reconhecimento da igualdade de todos os homens, expressa, tantas vezes, no racismo. A COMMUNIO publica um excerto da Declaração da Comissão Pontifícia Justiça e Paz acerca deste grave problema. Em última instância, aceitar o caminho da construção da paz é seguir a via da santidade, como S. Francisco de Assis (disso nos fala Manuel Carreira das Neves), mesmo no meio da guerra ou da violência latente e da discriminação patente, como testemunham alguns irmãos nossos directamente envolvidos em tais experiências. A COMMUNIO agradece a colaboração do Secretariado da secção portuguesa da Pax Christi para a elaboração deste número.

 
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