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Autor
Ano V • 1988-11-15 • nº 6 • Novembro/Dezembro
O Homem e o sofrimento
 
palavra-chave
 
   

artigos
O sentido do sofrimento na Sagrada Escritura • pág 485
Alves, Manuel Isidro
Valor redentor do sofrimento • pág 496
Dias, Manuel Madureira
O sofrimento do cosmos • pág 507
Langan, Thomas
A Virgem Maria no Auto português da Paixão • pág 518
Bragança Joaquim Oliveira
Pastoral da saúde. Presença da Igreja no desenvolvimento integral da pessoa • pág 533
Pinto, Vitor Feytor
A dinâmica do hinduísmo e o diálogo cristiano-hindu • pág 549
Smet, R. De
A homilia num funeral • pág 563
Calster, Stefaan van


apresentação

FAUSTINO CALDAS FERREIRA

Perturba-nos sobremaneira a todos esta pergunta de Job: "Se tudo depende do bom Deus, porque consente Ele o sofrimento?" É sempre mais fácil dizer: "onde está Deus?" do que viver ou assumir um sofrimento profundo ou ver alguém sofrer sem lhe poder valer. Principalmente se esse alguém é uma criança ou um ser inocente e débil. Nesses momentos surge sempre em nós a mesma questão: porquê, mas porquê, de facto? Se Deus fosse realmente bom, poderia permitir isto? M. Isidro Alves com a sua reflexão acerca do sentido do sofrimento na Sagrada Escritura ajudar-nos-á certamente a encontrar uma resposta. Cristo, como dizia muito bem P. Claudel, não veio propriamente ao mundo para suprimir o sofrimento e nem sequer para explicá-lo. Ele veio para mitigá-lo com a sua presença. A partir da vinda de Jesus ao mundo, podem existir muitas dúvidas acerca da sua missão e do conteúdo da sua mensagem, mas há uma coisa de que ninguém jamais pode duvidar: que Ele não perceba nada do que é o sofrimento. A bondade de Deus não consiste em endireitar tudo o que está torcido no universo, mas "em partilhar" o nosso sofrimento, tornando-o assim sacramento eficaz da sua redenção, como refere D. Manuel Madureira, bispo do Algarve. Deus acompanha-nos até ao fim do nosso sofrimento e para além dele. Deus, especialmente depois de Jesus ter sido suspenso no madeiro da Cruz, está real e solidariamente presente naqueles que sofrem. E a essência do Cristianismo é exactamente a capacidade de assimilar esse sofrimento. O sofrimento não se explica, assimila-se. Todavia, uma das grandes objecções à existência de Deus continua a ser o sofrimento e a morte, o sofrimento do Cosmos e a morte das crianças e dos inocentes. A. Camus, no seu livro "A Peste", faz uma terrível acusação a Deus: visto que a ordem do mundo está regulada pelo sofrimento e pela morte, talvez seja melhor para Deus não acreditarmos n'Ele e lutarmos com todas as nossas forças contra o sofrimento e contra a morte, sem levantarmos os olhos para o céu onde Ele está calado. Thomas Langan explica-nos as razões do sofrimento do Cosmos. O sofrimento é uma forma de amadurecer. O crescimento dói. Todo o indivíduo que está em evolução física, psicológica e interior sofre muito. A vitória do homem sobre o sofrimento só pode ser atingida neste mundo pela fé. "A fé é a humilde certeza de que deve existir uma chave e que ela cairá um dia nas nossas mãos trémulas de alegria." Maria tinha nas suas mãos a chave deste segredo. Por isso, o Povo de Deus e o povo português, em particular, como se pode ver no artigo "A Virgem Maria no Auto português da Paixão" de Joaquim Bragança, atribuiu sempre a Nossa Senhora uma percepção muito especial do valor do sofrimento. São três as posições que o homem pode admitir diante do sofrimento: recusá-lo simplesmente, como se isso fosse possível; deixar-se vencer ou invadir pelo absurdo da dor, caindo no desespero; ou esperar firmemente que a vida e a alegria serão a "última palavra". Os cristãos e a Igreja assumem a terceira posição, como se deduz claramente do trabalho de Feytor Pinto sobre a pastoral da Saúde. Por seu lado, Stefan Van Calster testemunha toda a sensibilidade que nos deve acompanhar na nossa solidariedade com os que sofrem, particularmente dos que sofrem a separação de um ente querido. Finalmente, como que fora da colecção, por assim dizer, fugindo um pouco ao tema proposto, apresentamos o artigo de R. De Smet sobre "A dinâmica do hinduísmo e o diálogo cristiano-hindu", onde se podem ver certas afinidades destas duas grandes Religiões, mormente no valor que atribuem (ou não) ao sofrimento.

 
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