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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano V • 1988-07-15 • nº 4 • Julho/Agosto
Encontro do Ocidente com o Oriente
 
palavra-chave
 
   

artigos
Testemunhos Históricos: S. Francisco Xavier, Siameses e budistas, o "hino do não ser"
Sousa, P. Francisco de
Barros, João
Vida e obra do cardeal Hans Urs von Balthasar • pág 293
Balthasar, Hans Urs von
O drama da cristandade do Malabar • pág 310
Bragança Joaquim Oliveira
S. João de Brito ou a universalidade do cristianismo • pág 323
Costa, João Paulo
Toynbee e a convergência das civilizações • pág 334
Weinholtz, A. de Bivar
A Ásia e o cristianismo ocidental • pág 344
Wilfred, Felix
Função e significado da teologia negativa na tradição cristã e nas religiões orientais Lei nat • pág 361
Haubst, Rudolf


apresentação

JOAQUIM O. BRAGANÇA – LUÍS FILIPE THOMAZ

ENtrara já no prelo o presente número da COMMUNIO quando, uma após outra, nos chegaram duas notícias, ambas concernentes ao mais prestigiado dos fundadores da COMMUNIO internacional, Hans Urs von Balthasar: primeiro, a da sua elevação ao cardinalato; logo a seguir, a escassos três dias de receber em Roma o chapéu cardinalício, a da sua morte. Não podiamos em tais circunstâncias deixar de lhe prestar uma sentida ainda que singela homenagem. Hans Urs von Balthasar, que é sem dúvida o mais notável teólogo do século XX, esteve por duas vezes em Portugal pronunciando de ambas elas conferências na Universidade Católica Portuguesa. Todos tivemos assim a feliz oportunidade de apreciar directamente não só a profundidade do seu pensamento como a sua forte personalidade, humilde e discreta mas radiante de simpatia. Melhor homenagem lhe não poderíamos render que a de publicar parte de um artigo da autoria de O. Gonzalez de Cardedal, um dos seus melhores conhecedores, que nos dá uma visão do percurso da sua vida, assim como da extensão e profundidade da sua obra.

É o "encontro entre Ocidente e Oriente" o tema central deste fascículo, tema que para nós portugueses, reveste um especial interesse, já que, como é sabido, foram os nossos maiores os primeiros a vivê-lo. É o evento de que estamos comemorando o meio milénio. Ao contrário do que muitas vezes, de forma simplista, se tem pensado e escrito, tal encontro apresenta facetas da mais diversa índole, podendo ir da rejeição à simpatia. Exemplificamo-lo com a análise de dois casos extremos, quasi contraditórios, ambos atinentes à nossa evangelização no Malabar: a latinização da cristandade de S. Tomé, que hoje se nos afigura o fruto deplorável de uma incapacidade para compreender formas de cristianismo diferentes do latino, aqui estudada por Joaquim Bragança; e a obra missionária de S. João de Brito, de que João Paulo Costa nos apresenta uma resenha, e que representa, pelo contrário, um enorme esforço de compreensão e valorização da cultura local. Estes exemplos históricos servem sobretudo para nos mostrar que vem já de longe uma problemática que hoje se continua a pôr, e com crescente acuidade, já que é cada vez maior a pressão da civilização tecnológica e científica do Ocidente sobre as demais, mas cada vez maior, também, a ânsia dos outros povos por preservarem a sua identidade e o seu património cultural. Se o problema se põe a toda as culturas, põe-se de forma especial às do Oriente asiático, as que mais rica, mais profunda e mais antiga sapiência podem contrapor à não menor riqueza da do Ocidente. Como muito bem notou há escassas décadas, em obra que se tornou clássica, o grande filósofo da História Arnold Toynbee, o mundo converge. É das linhas de força do seu pensamento que nos dá conta no artigo imediato António Bivar Weinholtz. Para o cristão, incumbido por Cristo de difundir a Sua palavra até aos confins da Terra, o problema fundamental é a cristianização das várias culturas por inculturação, de modo a que a Verdade possa ser anunciada sem que a cristianização redunde em desculturação. Dessa perspectiva torna-se fundamental o problema do encontro da mensagem cristã com o pletórico universo cultural do Oriente, em especial com o do Hinduísmo e do Budismo. É este o tema dos restantes artigos: Felix Wilfred mostra-nos como o Oriente tem dificuldade em compreender a versão escolástica do cristianismo ocidental, o seu racionalismo e o seu positivismo teológico; Rudolf Haubst mostra-nos, por sua vez, como a teologia negativa ou apofática, cara sobretudo ao pensamento grego, mas não desconhecida do latino, pode, em contrapartida, vir a constituir uma verdadeira ponte entre Ocidente e Oriente. Publicaremos num futuro próximo dois outros artigos em torno deste tema, que o dever de homenagear von Balthasar obriga de momento a pôr de lado. Completamos o fascículo com dois testemunhos históricos desse grande encontro de culturas que foi a nossa expansão dos séculos XV e XVI: um pequeno texto de João de Barros sobre o Budismo do Sião, e um extracto do "Oriente conquistado a Jesus Cristo" que relata uma disputa de S. Francisco Xavier com os bonzos do Japão. Concluimos com a tradução de um célebre hino dos Vedas, eloquente exemplo de quão rica e profunda é a milenar especulação do Oriente.

 
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