Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano IV • 1987-11-15 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Santidade e renovação da Igreja
 
palavra-chave
 
   

artigos
Teologia e santidade • pág 487
Balthasar, Hans Urs von
Vida religiosa. Testemunho de santidade • pág 496
Ribeiro, Abílio Pina
Vagabundo do Absoluto. A conversão de Agostinho de Hipona • pág 504
Bragança Joaquim Oliveira
S. Máximo Confessor e os valores fundamentais do Ocidente • pág 516
Thomaz, Luís Filipe Rodrigues
Edith Stein mulher da Igreja • pág 530
Nota, John H.
Para uma Teologia de Fátima • pág 542
Galvão, Henrique de Noronha
Chamados a ser santos. Um Sínodo na senda do Concílio • pág 550
Rego, António
Santidade e mundo contemporâneo • pág 560
Jorge, Ana Maria
Bizarro, Álvaro
Pastoral de Fátima. Elementos fundamentais • pág 563
Guerra, Luciano


apresentação

LUÍS FILIPE F. R. THOMAZ

Conta a lenda que quando S. Francisco de Assis começou a viver como pobrezinho e a ajuntar discípulos em seu torno o quiseram dar por herético. Preparava-se o Papa para aceder à sua condenação quando em sonhos viu a basílica de Latrão, igreja mãe da cristandade romana, ameaçar ruína, inclinada, e S. Francisco, com a mão, restituí-la à verticalidade. Compreendeu assim que do movimento franciscano havia de sair não a perdição, mas a renovação da Santa Igreja. Presença viva de Deus entre os homens, a santidade é, com efeito, as mais das vezes, escândalo para o"mundo" – retomando uma expressão do Padre António Vieira, quer para o "mundo" do mundo, que são as vaidades e paixões mundanas, quer para o "mundo" da religião, que são os bens eclesiásticos e o poder, os graus académicos, as dignidades e as prelaturas… Mas, por escandalosa que, à imagem da do próprio Cristo, seja, é para ela que a Igreja existe, é por ela que a cristandade respira. A santidade não pode, evidentemente, existir contra a Igreja, nem mesmo fora dela. A disponibilidade do homem à graça é uma resposta ao apelo de Deus – e o apelo de Deus é na Igreja, guardiã da sua Palavra, que se faz ouvir. À Igreja, igualmente, foram confiados os instrumentos de santificação – os sacramentos – que Deus colocou à disposição do homem, para que se possa nutrir da graça. É por isso que a teologia, conquanto seja um saber, não é uma ciência, nem queda como a filosofia ao alcance do homem que se não abriu à Fé: a sua essência é ser uma reflexão sobre a Fé previamente aceite, logo, um testemunho sobre Deus, um testemunho na santidade. É o que Hans Urs von Balthasar nos explica no artigo com que abrimos este número da COMMUNIO. Ora, porque a santificação é dom de Deus, livre e gratuito, ao homem que livremente se dispõe a ser santificado, não pode haver receitas para produzir a santidade. Como no artigo seguinte nos explica A. Pina Ribeiro, a vida religiosa é, fundamentalmente, um testemunho existencial de santidade não uma receita para a produzir – de onde a sua utilidade social, o seu papel profético, a sua função eclesial. Santos não são, como vulgarmente o crê um moralista tacanho de ressaibos pelagianos, os que se souberem comportar de uma forma exemplar: são os que, por um esforço constante de transparência à graça, se deixaram inabitar pela presença divinizante do Espírito que os tornou, já neste mundo, premícias da Parusia, sinais vivos do Reino do Amor. Os santos são assim os profetas da Nova Lei. Deus – ensina-nos S. João Evangelista – é Luz, e n'Ele não existem trevas; ou, por outras palavras, em Deus só existe o sim. É o que a teologia exprime ao afirmar que Deus é "acto puro". Aos que se Lhe tornam permeáveis o Espírito Santo torna semelhantes a Deus, misteriosamente partícipes na sua santidade, na sua ciência, na sua caridade, na sua perfeita "actualidade". O cristão divinizado pela graça (ainda que só em premícias neste mundo) torna-se assim, como Deus, puro acto, isto é, perfeitamente ele próprio, sem que quede por actualizar alguma das potencialidades do seu ser. Como pessoas humanas, hipóstases únicas e irrepetíveis, os Santos não são pois modelos; o que neles é modelar é a santidade de Deus que os abrasou e os torna participantes do modo de existência intemporal da divindade. Os santos passam; a santidade fica, pois é de Deus. Os três artigos que se seguem focam, dos inúmeros que se poderiam aduzir, três exemplos de Santos que por tal razão permanecem entre nós: Santo Agostinho, o maior doutor do Ocidente, S. Máximo Confessor, teólogo da liberdade na crise monotelita e Edith Stein, uma mulher de nossos dias que a Igreja acaba de reconhecer como digna dos altares. Mas os Santos não constituem na Igreja como que uma raça à parte. Se a santidade é a participação da criatura na vida incriada de Deus, não é possível neste mundo senão de forma imperfeita, num antecipação misteriosa da vida do século venturo, da vida na plenitude do amor, futuro divino do homem. É a este chamamento universal à vida no amor divino que dedicamos a segunda parte do nosso número. Aí nos fala H. Noronha Galvão da teologia de Fátima, cuja mensagem nada mais é do que um apelo à penitência, à oração, numa palavra, à santidade. O tema é retomado, de um prisma pastoral, mais pragmático, por Luciano Guerra na parte final da revista. Entretanto António Rego fala-nos de um outro apelo à santidade, o do recente sínodo episcopal, que acompanhou de perto. Completam o número dois testemunhos, de Ana Maria Jorge e de Álvaro Bizarro, sobre "santidade e mundo contemporâneo".

 
  KEOPS multimedia - 2006