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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano IV • 1987-01-15 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Religiosidade Popular
 
palavra-chave
 
   

artigos
Religião e maturidade da fé • pág 005
Pinho, José Eduardo Borges de
Religiosidade popular. Desafios e interrogações • pág 020
Marcelino, António Baltasar
Para uma pastoral da religiosidade popular • pág 032
Pinho, Arnaldo Cardoso de
As festas e o homem • pág 039
Lima, José da Silva
A devoção dos portugueses a Nossa Senhora • pág 054
Bragança Joaquim Oliveira
Caminhos da religiosidade popular • pág 071
Martins, Mário
Os ministérios laicais na Igreja do pós-Concílio • pág 079
Manzanares, Julio
Religiosidade cristã e responsabilidade laical • pág 094
Poças, António Carvalho


apresentação

ARNALDO PINTO CARDOSO – M. ISIDRO ALVES

Desde há cerca de vinte anos, o facto da religiosidade popular tornou-se um tema de grande actualidade. Tratado sob o ponto de vista antropológico, sociológico e teológico, é um fenómeno que alguns consideram como um obstáculo na tarefa de evangelização, que é necessário ultrapassar, enquanto outros vêem aí enormes potencialidades para uma formação religiosa das populações, que importa valorizar. Depois dos encontros de Medellín (1968) e de Puebla (1979), na América Latina, e da Exortação Apostólica "Evangelii Nuntiandi" (1975) de Paulo VI (cf. n. 48), seguiu-se uma proliferação de estudos, colóquios e artigos, difícil de controlar, que, se aponta para a diversidade de perspectivas, indica também o relevo que esta "descoberta" tem vindo a merecer. Também o Papa João Paulo II não tem deixado de reflectir, repetidas vezes, as interpelações de tal fenómeno. Em Portugal, a religiosidade popular começou a ser reflectida há poucos anos, tendo sido objecto de vários estudos de ordem sócio-religiosa, dentre os quais merecem especial referência os do bispo de Vila Real. Dois encontros realizados em Fátima (1977 e 1986) são sinal do interesse que o assunto começou a merecer entre nós. Para a sua importância enquanto espaço de evangelização a cuidar cada vez mais, veio também a "Carta Pastoral" dos nossos bispos (1984) chamar a atenção (cf. nn. 20, 25). Nesse sentido, começa a ganhar corpo um estudo mais sistemático e uma reflexão mais alargada, como o demonstram vários planos em curso, tais como o estudo das festas populares religiosas que o Secretariado do Episcopado deseja empreender, o colóquio sobre Santuários e peregrinações (1987) e o tema da próxima Semana de Liturgia: "Religiosidade popular e celebração da fé". Dentro deste espírito, a revista COMMUNIO julga prestar um serviço à reflexão do problema entre nós, com este número monográfico. À coordenada teológica do tema juntam-se a preocupação pastoral e a perspectiva histórica, como os temas em presença o mostram: "Religião e maturidade da fé" (J. Borges de Pinho), "Religiosidade popular: desafios e interrogações" (D. António Marcelino), "Para uma pastoral da religiosidade popular" (Arnaldo de Pinho), "As festas e o homem" (J. Silva Lima), "A devoção dos portugueses a Nossa Senhora" (J. Bragança), "Caminhos da religiosidade popular" (Mário Martins). O presente número não tem, com certeza, uma intenção programática, mas reflecte a preocupação eclesial perante um fenómeno complexo, que importa compreender em profundidade e valorizar nas potencialidades que encerra em ordem à mediação da fé. A redescoberta da religiosidade popular como fenómeno plurifuncional, num mundo orgulhoso do seu secularismo, merece bem o empenho dos estudiosos e dos pastoralistas, para que ela seja, de facto, espaço de evangelização, ou, se quisermos, sinal e instrumento de um homem cada vez mais livre.

 
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