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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XXXI • 2014-06-30 • nº 2 •
Saúde e questões sociais
 
palavra-chave
 
   

artigos
As desigualdades sociais fazem mal à saúde. Uma reflexão ético-teológica • pág 135
Almeida, José Manuel Pereira de
Saúde. Escolhas, custos e valor • pág 145
Fernandes, Adalberto Campos
O direito à protecção da saúde no Estado Social • pág 153
Deodato, Sérgio
Sustentabilidade em saúde, um novo paradigma de cuidados. Que caminhos para o futuro? • pág 161
Melo, João Queiroz e
O Observatório Português dos Sistemas de Saúde • pág 169
Escoval, Ana
Barbosa, Patrícia
A saúde das pessoas pode ser assegurada pelas políticas de saúde? • pág 179
Durand-Zaleski, Isabelle
Quem tem competência para falar da doença e da saúde? Alguns aspectos da medicina tradicional • pág 185
Neckebrouck, Valeer
Emergência das políticas sociais e de saúde pública • pág 201
Abreu, Laurinda
Os sentidos da hospitalidade ou a medicina narrativa ao serviço da "nova medicina" • pág 209
Fernandes, Isabel
Pastoral da Saúde • pág 219
Pinto, Vitor Feytor
O Fiel Jardineiro por John Le Carré. Recensão • pág 231
Falcão, Maria Luísa
Saúde, o bem supremo? Riscos e efeitos colaterais de uma nova religião • pág 237
Lütz, Manfred
1914-1918. Defesa ou autodestruição da civilização? • pág 245
Chaline, Olivier


apresentação
J. M. PEREIRA DE ALMEIDA – M. GRAÇA P. COUTINHO – CARLOS SALEMA

“Paz, pão, saúde, habitação”. Vem já de longe este canto. Corresponde a um sonho. Teremos desistido dele? Numa oração ainda mais antiga, pedia-se ao Senhor que nos concedesse “a saúde, a alegria e a paz”. Estas referências permitem-nos recordar as complexas inter-relações entre as múltiplas dimensões da vida humana. Para que seja verdadeiramente humana. O tema deste número da revista COMMUNIO, “Saúde e questões sociais”, pretende apoiar, com perspectivas diferentes, os diversos debates em que nos envolvemos na difícil situação em que nos encontramos. Não se abordam aqui todas as questões sociais (é claro!) que terão implicações nos cuidados de saúde. Como não se trata também de todas as dimensões que os cuidados de saúde revestem. Um número de uma revista, quando bem sucedido, será apenas uma sugestão, um apelo, um convite. Esperamos que o leitor possa encontrar aqui alguns subsídios para as suas conversas. E para o seu discernimento. Para ler os sinais dos tempos. Para viver uma vida mais humana, mesmo nas condições difíceis que conhecemos. Uma vida que faça viver à sua volta. No início deste ano de 2014 – a 20 de Fevereiro, dia Mundial da Justiça Social – a Cáritas Europa reflectia a partir dos dados disponíveis (“as estatísticas mais recentes”): 124,5 milhões de pessoas nos 28 países da União Europeia viviam em risco de pobreza ou exclusão social; em Portugal, mais de 2,6 milhões pessoas (25,3%). José Manuel Pereira de Almeida, no primeiro artigo – As desigualdades sociais fazem mal à saúde –, faz-se eco de como as situações de injustiça se reflectem na saúde. E de como a nossa consciente liberdade é chamada a tornar-se responsabilidade pela vida de todos. No artigo de Adalberto Campos Fernandes, Saúde. Escolhas, custos e valor, pensa-se a complexa questão da sustentabilidade, equacionada igualmente, sob outro ponto de vista, por João Queiroz e Melo, que a apresenta como “um novo paradigma de cuidados” de saúde e nos deixa a interrogação sobre o futuro. Por sua vez, O direito à protecção da saúde no Estado Social é-nos excelentemente explanado no texto de Sérgio Deodato. O trabalho do Observatório Português dos Sistemas de Saúde e, em particular, o seu relatório deste ano de 2014, é-nos dado a conhecer de forma clara pelo artigo de Ana Escoval e Patrícia Barbosa. A questão dos limites usados para estabelecer o que é um tratamento “demasiado caro” é tratada por Isabelle Durant-Zaleski – A saúde das pessoas pode ser assegurada pelas políticas de saúde? –, a partir da premissa de que uma política de saúde define as prioridades para que o dinheiro gasto “produza” um máximo de saúde para a população do país. A medicina tradicional, nas sua dimensões farmacológica, psicológica, social e religiosa é ilustrada, com casos reais, no artigo de Valeer Neckebrouck – Quem tem competência para falar da doença e da saúde? Alguns aspectos da medicina tradicional – que conclui com uma interrogação entre a contradição e a complementaridade com a medicina científica ocidental. A emergência das políticas sociais, a criação dos hospitais, as misericórdias e a identificação da pobreza como o principal problema da saúde pública são-nos expostos por Laurinda Abreu, em A emergência das políticas sociais e de saúde pública –, com referências importantes à história portuguesa. É com grande satisfação que podemos apresentar, neste número, a reflexão de Vítor Feytor Pinto sobre a Pastoral da Saúde, revelando o conhecimento e a experiência de quem foi, a nível nacional, o responsável por este sector durante mais de trinta anos. No artigo Os sentidos da hospitalidade ou a medicina narrativa ao serviço da "nova medicina", Isabel Fernandes destaca a importância de lidar com o doente como um todo, o que requer por parte dos profissionais de saúde uma atitude de “hospitalidade”, de respeito e atenção ao outro. Para esta autora, o recurso a áreas de estudo como a Filosofia, a Bioética ou a Literatura constitui um contributo importante na formação dos profissionais da saúde para o desenvolvimento desta atitude perante o doente. Isabel Fernandes corrobora esta ideia com o exemplo da leitura literária, que exige que o leitor se deixe interpelar pelo texto, à semelhança do que acontece com o profissional de saúde, que se deve deixar interpelar pelo doente, para uma leitura mais abrangente da situação em que este se encontra. Os interesses e jogos de poder no mundo de uma indústria farmacêutica que se deixa levar pela ambição desmesurada do lucro constitui o cerne do romance de John Le Carré O fiel jardineiro. Apresentamos uma recensão desta obra, de M. Luísa Falcão, em que o autor denuncia as formas de corrupção e prepotência subjacentes a estes interesses, com especial destaque para a utilização de pessoas indefesas como cobaias humanas. A forma como hoje em dia se encara a saúde como bem supremo e a estreita ligação que se estabelece entre saúde e felicidade levam o médico Manfred Lütz, no seu testemunho, a questionar se não estaremos perante uma nova religião, orientada para a medicina e a psicoterapia como meios para atingir o bem-estar físico e mental. Lütz defende que se deve preservar a saúde, mas de forma moderada, sem “fundamentalismo”, chamando a atenção para a importância de se desenvolver a “arte de encontrar fontes de felicidade nas situações-limite da existência humana”, que ajudem a conferir toda a dignidade merecida ao doente crónico, ao deficiente, às pessoas de idade avançada, com as limitações e sofrimentos inerentes. Assinalando o 1º centenário do início da 1ª Guerra Mundial, incluímos na secção Perspectivas um artigo do historiador francês Olivier Chaline sobre leituras actuais desse conflito. Reflectindo sobre a confusão frequente entre memória e história, este autor apresenta os dinamismos sócio-políticos que estiveram na origem das duas Grandes Guerras Mundiais, referindo também o papel da Igreja Católica e as diferentes expressões religiosas que resultaram da vivência de fé nos diversos cenários de guerra.

 
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