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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano XXV • 2008-03-31 • nº 1 •
Novos olhares sobre Maria
 
palavra-chave
 
   

artigos
25 anos da Communnio • pág 007
Galvão, Henrique de Noronha
Maria ícone do Mistério • pág 011
Forte, Bruno
Veneração hoje a Maria • pág 027
Balthasar, Hans Urs von
Maria no diálogo ecuménico • pág 035
Pinho, José Eduardo Borges de
Fátima para o século XXI, ou o significado permanente de Fátima • pág 055
Marto, António dos Santos
Maria e o "Eterno Feminino" - Lendo Teilhard Chardin • pág 059
Ferreira, Maria Luísa Ribeiro
Sermão de Nossa Senhora do Ó • pág 065
Vieira, Padre António
Encontro com Maria na linguagem do cinema. • pág 087
Carnicella, Maria Cristina
Avenida Barbosa du Bocage • pág 107
Bento, José
As minhas peregrinações a Fátima a pé • pág 109
David, Pedro Morais
Como Nossa Senhora de Schoenstatt me mostrou Deus Pai • pág 113
Roquette, Maria Luísa Anahory
Maria, uma mulher judia. Recensão. • pág 117
Rodrigues, Maria José
Deus ou Darwin? As cruzadas dos criacionistas • pág 121
Arnould, Jacques


apresentação

M. da Graça Pereira Coutinho - João Marques Eleutério

A importância do papel de Maria no projecto salvífico de Deus para a humanidade foi sendo apreendida e explicitada de uma forma progressiva na história do cristianismo. Desde a sobriedade da afirmação de S. Paulo na carta aos Gálatas (cf. 4,4), passando por todo o debate em torno da condição de Maria enquanto Mãe de Deus e de todos os homens, até à diversidade das invocações marianas na piedade popular, verifica-se o dinamismo próprio do sentido da fé dos crentes em que a consciência da relevância de Maria na vida das comunidades cristãs se afirma em consonância com o aprofundamento do mistério de Jesus Cristo.

Na celebração dos 25 anos da fundação da COMMUNNIO em Portugal, o concelho de redacção decidiu dedicar o primeiro número de 2008 ao tema "Novos olhares sobre Maria." Bruno Forte, actual bispo de Chieti-Vasto, propõe-nos um olhar sobre Maria a partir da teologia do ícone, de inspiração oriental. Assim como  o "ícone é a visão das coisas que não se vêem, também a Virgem Mãe é, no olhar puro da fé, o lugar da presença divina". Um outro lugar onde se verifica a redescoberta da importância de Maria é o diálogo ecuménico. José Eduardo Borges de Pinho apresenta-nos a complexidade da questão mariológica na relação entre as Igrejas cristãs sublinhando:" Perante os desafios de um mundo que questiona o sentido humanizador da fé e corre o risco de perder indicativos fundamentais  de humanidade, os cristãos das diversas confissões têm de se perguntar sobre o significado que pode ter Maria na construção de uma verdadeira humanidade, mais livre, mais justa, mais fraterna."

Nos primeiros anos da recepção do Concílio Vaticano II, Hans Urs von Balthasar, reagindo a alguma contestação na compreensão do papel de Maria na vida da Igreja, afirma que "Maria não está num espaço vazio como pessoa isolada, ela está no coração da Igreja, tão solidamente aí enraizada que, sem ela, não podemos pensar a Igreja em toda a sua profundidade", desafiando-nos a redescrobir o mistério da sua virgindade, da sua esponsabilidade e da sua maternidade. Na mesma linha, publicamos também a intervenção do actual bispo da diocese  de Leiria-Fátima, D. António Marto, no encerramento do Congresso "Fátima para o século XXI", comemorativo dos 90 anos das aparições. Neste texto notável somos convidados a descobriros aspectos permanentes da mensagem de Nossa Senhora de Fátima: o primado de Deus e do seu Amor trinitário, a possibilidade de vencer o mal com a graça da conversão, a misericórdia e a ternura de Deus perante os sofrimentos do homem, o desafio ao testemunho, o crescimento do empenho pela paz.

Maria Luísa Ribeiro Ferreira partilha connosco as suas impressões da leitura de um texto de Pierre Teilhard de Chardin, L'Éternel féminin, onde somos confrontados com um olhar inesperado sobre Maria e a condição feminina. Também o padre António Vieira, de quem se comemora este ano o 4º centenário do nascimento, num sermão de 1640 sobre Nossa Senhora do Ó, nos convida a entrar no mistério da encarnaçao do Verbo a partir das Antífonas do Ó recitadas na hora das Vésperas a partir do dia 17 de Dezembro até à festa do Natal.

Através da análise de algumas obras cinematográficas contemporâneas, Maria Cristina Carnicella verifica que "sem dúvida o cinema poderá ser, pela sua própria essência e intrínseca finalidade, um instrumento que a teologia estética pode utilizar para entrar em, diálogo com o homem contemporâneo, e para fazer com que a via pulchritudinis abra o homem do terceiro milénio ao mistério de Deus...". No caso concreto de Maria, esta autora italiana afirma que "no panorama cinematográfico a beleza de Maria se traça como farol que atrai e fascina mais no interior do universo não crente do que no crente. A linguagem cinematográfica sobre Maria, como tal, presta-se portanto não só a aproximar principalmente os crentes á figura de Maria, mas também a 'seduzir' aqueles que não crêem, através da categoria da beleza simples e ao mesmo tempo misteriosa, através da categoria do testemunho do amor quotodiano, através do seu estar sempre presente mas, ao mesmo tempo, do seu permanecer sobretudo na sombra".

Concluimos a secção dedicada ao tema com um poema de José Bento, "Avenida Barbosa du Bocage, Lisboa", dedicado à imagem de nossa Senhora que se encontra no exterior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, e pode ser vista a partir da Av. Barbosa du Bocage.

Na secção dos testemunhos, apresentamos a experiência de Pedro Morais David, peregrino de Fátima, e a de Maria Luíza Anahory Roquette no movimento de Schoenstatt. Ambas as experiências nos desafiam a perceber como a relação com Maria  nos deve conduzir ao amâgo da vida cristã: o encontro com Cristo que nos revela o rosto do Pai. Incluímos ainda a recensão da obra Maria, uma mulher judia. Feliz és tu que acreditaste, de Fréderic Manns.

A concluir este número da revista, na secção "Perspectivas", Jacques Arnould, dominicano francês, engenheiro agrónomo e teólogo - actual membro do Centre Nationale d'Études Spatiales, onde se dedica ao estudo da dimensão ética, social e cultural das actividades espaciais - propõe-nos no seu artigo  que revisitemos a relação entre a teoria da evolução de Charles Darwin e a teologia da criação.

Resta-nos ainda agradecer ao Santuário de Fátima, na pessoa do Reitor Mons. Lucianmo Guerra, o subsídio que concedeu à publicação deste número dedicado a Nossa Senhora, associando-se deste modo à celebração dos 25 anos que a revista COMMUNNIO conta no seu serviço à Igreja e à cultura em Portugal.

Do Colóquio comemorativo que teve lugar na Universidade Católica Portuguesa, a 30 de Abril, serão publicadas as comunicações no próximo número da revista.                 

 

 

 
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