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Autor
Ano III • 1986-04-30 • nº 2 • Março/Abril
A Europa e a fé cristã
 
palavra-chave
 
   

artigos
Europa. Uma herança responsabilizante para os cristãos • pág 101
Ratzinger, Joseph
Portugal e a Europa • pág 114
Mattoso, José
O continente cristão • pág 126
Costa, João Paulo
Cristianismo e cultura. Algumas notas de circunstância • pág 140
Brague, Rémi
Fé cristã e sociedade europeia • pág 156
Renaud, Michel
Expiações profana, cultual e eucarística • pág 168
Schenker, Adrien
1º Seminário de Mundividência cristã. Fé e Ciência • pág 175
Bivar, António
Henriques, António Mendo Castro
A segunda evangelização da Europa. Algumas reflexões a propósito do último simpósio dos Bispos • pág 180
Alves, D. João
A Europa e a Fé cristã. Do Concílio ao Sínodo extraordinário • pág 185
Gomes, António Ferreira


apresentação

ANTÓNIO DE BIVAR WEINHOLTZ – LUÍS FILIPE THOMAZ

No passado dia 1 de Janeiro, Portugal entrou oficialmente na Comunidade Económica Europeia. As consequências de tal facto deverão, logicamente, situar-se em especial nos campos social e económico – e apenas por corolário ou consequência indirecta, porque tudo na vida do homem está ligado, no plano cultural e mental. Da gravidade e natureza dessas consequências difícil se torna ajuizar neste momento. Aparentemente não foram feitos (ou se o foram não vieram a público) estudos técnicos sobre esse assunto. Impossível, assim, prever que significará para a sociedade portuguesa esta incorporação na Europa. Há, contudo, aspectos sobre os quais se pode, desde já, reflectir. Que é a Europa? Uma mera comunidade de interesses? Um termo geográfico, um nome desprovido de compreensão e apenas dotado de extensão? Ou, pelo contrário, uma real unidade histórica, uma comunidade de civilização, de cultura e de valores morais? Da resposta que a tais perguntas dermos dependerá o considerar-se a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia como mera consagração jurídica de uma incorporação já de há muito consumada no plano dos valores espirituais ou, pelo contrário, como um evento messiânico, algo como a promoção do país, por distinção, de primeiro-sargento a coronel… Preocupada com tudo o que respeita à mundividência cristã, à inserção dos valores cristãos na vida, decidiu a COMMUNIO portuguesa aproveitar este ensejo para propor à reflexão dos seus leitores o tema "Europa". O número abre com um notável estudo do Cardeal Ratzinger sobre a essência da Europa. Para melhor se clarificar esta ideia aí se começa por analisar o que a Europa não é, o que ressalta sobremaneira claro quando se compara a Europa que é, às alternativas que ao longo da história se lhe quis oferecer. A Europa não é o Islão – o mundo finito, codificado, teocrático dos valores fechados, sem mistério; a essência da Europa não é, tampouco, uma civilização pré-cristã, seja o helenismo puro, sejam as origens pré-helénicas perdidas na bruma dos séculos; mas não é, de igual maneira, uma civilização pré-cristã, em que o cristianismo, relativizado, passa a ser um elemento de um passado já definitivamente transcendido. Na aliança entre o helenismo transfigurado pela mensagem cristã e a modernidade, que desde a Renascença veio acrescentar novos valores humanos ao legado dos séculos precedentes, vê Ratzinger a essência da europeidade: uma herança que se não pode alienar sob pena de destruir nos seus fundamentos a própria Europa. No artigo seguinte o historiador José Mattoso desenvolve, agora da perspectiva da história nacional, o mesmo tema. A Europa aparece aí não como um monólito, mas como um feixe de culturas nacionais, com o seu dinamismo próprio, agindo umas nas outras e todas elas sobre o espírito comum. Nesse conjunto, Portugal é sem dúvida, geograficamente marginal – mas é precisamente essa marginalidade, que partilha com outros mundos de transição, como por exemplo a Grécia pós-bizantina, que constitui a originalidade da sua participação no todo. Com o artigo de João Paulo Costa regressamos a uma perspectiva mais histórica. Aí se analisa o papel do cristianismo na formação da Europa e – nova dimensão que um país como o nosso não poderia esquecer – na expansão europeia pelo mundo. É, no fundo, o mesmo problema que trata no artigo imediato, Rémi Brague mas de um ponto de vista mais filosófico: o delicado problema das relações entre cristianismo e cultura. Se o problema se pôs de longa data aos missionários interessados em cristianizar sem destruir os valores autenticamente humanos das civilizações com que toparam, hoje põe-se com inesperada acuidade nos países que, como a França, comportam alguns milhões de imigrantes oriundos de diversas culturas que legitimamente desejam preservar. Será inconciliável essa preservação com a integração, desejável, nas sociedades onde agora trabalham? A solução não parece ser possível senão da perspectiva de um cristianismo que se não confunde com nenhuma cultura, porque, embora assumido por diferentes culturas, lhes permanece transcendente. O artigo de Michel Renaud glosa o mesmo tema mas de uma perspectiva filosófica ligeiramente diferente. Deixando a problemática da Europa, o artigo de Adrien Schenker retoma um tema inesgotável, porque inefável: o da Eucaristia. A abordagem é, desta vez, feita do ponto de vista genético-comparativo: como da expiação jurídica profana se passa para a expiação cultual veterotestamentária, e como esta ilumina a dimensão expiatória do Sacrifício da Cruz e da sua anamnese eucarística. Depois de uma notícia acerca do 1º Seminário de Mundividência Cristã sobre o tema "Fé e Ciência" encerra-se este número com dois testemunhos. No primeiro, D. João Alves, Bispo de Coimbra, apresenta as reflexões que lhe inspirou o último simpósio dos Bispos europeus; em seguida, D. António Ferreira Gomes, Bispo resignatário do Porto, analisa a vida da Igreja na Europa entre o Concílio Vaticano II e o recente Sínodo Extraordinário dos Bispos.

 
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