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Titulo do Artigo
Autor
Ano XXIII • 2006-03-31 • nº 1 •
Ética económica e globalização
 
palavra-chave
 
   

artigos
Para uma globalização mais humana. Ética numa economia globalizada. • pág 007
Pintado, Valentim Xavier
Globalização e transição de sistemas. • pág 017
Ferreira, Eduardo de Sousa
Para além da miragem dos sucessos da globalização • pág 027
Silva, Manuela
Globalização financeira. • pág 039
Mendes, Américo M. S. Carvalho
A vida económica e social na Doutrina Social da Igreja segundo o Compêndio • pág 055
Calvez, Jean-Yves
Crise do ambiente e globalização. Tarefas para o futuro. • pág 063
Soromenho-Marques, Viriato
Código de Ética dos empresários e gestores • pág 073
ACEGE -
Economia de Comunhão. Da experiência a uma nova cultura. • pág 083
Sepúlveda, Francisco
Importância crescente dos investimentos socialmente responsáveis. • pág 091
Coffey, Clare
Escritura - tradição - Igreja. A revelação divina no Concílio Vaticano II • pág 097
Lehmann, Karl
Percurso teológico de Joseph Ratzinger. I - De St. Agostinho à Eclesiologia • pág 111
Galvão, Henrique de Noronha


apresentação

M. Graça Coutinho - Rui Madeira - Maria C. Branco

Num brain trust global, que, em 1995, teve lugar num hotel de S. Francisco, EUA, grandes cérebros da economia, da gestão , da informática, das ciências, e outros, reuniram-se para discutir o futuro da civilização. Um quadro dirigente de uma empresa informática norte-americana abre o debate sobre "tecnologia e trabalho na economia global". Nessa altura a sua empresa era considerada uma das grandes estrelas do sector. Afirma que, aí, cada um pode trabalhar tanto quanto queira e, em relação aos estrangeiros, esses nem sequer precisam de visto. Segundo ele, num mundo global, as regras impostas pelos governos ao mundo do trabalho perderam o seu significado. Este homem emprega o seu pessoal quando quer, em função das necessidades: contrata os empregados por computador, estes trabalham por computador e são despedidos por computador. Mesmo assim, recebem milhares de candidatos vindas do mundo inteiro.

Neste século, estima-se que sejam apenas necessários dois décimos da população, ou pouco mais, para manter a actividade da economia mundial. E, então, os outros 80%? O mesmo dirigente retoma a palavra e é incisivo: esses vão ter grandes problemas, sendo previsível que, no futuro, o lema seja "ter algo para comer ou ser devorado" ( to have lunch or be lunch). Terreno aberto à turbulência social, mas essa é questão que deverão ser outros a procurar resolver, pois este quadro dirigente e outros similares, tão-só estão preocupados com a concorrência feroz, e a competitividade que é necessária para vencer.

Quando estudiosos avançam razões para estas previsões nada animadoras, todos vão dar à mesma palavra: globalização - palavra que nos suscita sentimentos diversos e contraditórios, manifestando-se com ela desejos e inquietações. Sobretudo o desejo de tirar proveito das vantagens do progresso, e a inquietação pelo que esse mesmo progresso possa significar contra a humanidade pois não parece acompanhado da imprescindível orientação para valores.

Que temos nós, cristãos, a dizer sobre a maneira de encarar tal evolução sem prescindir da ética?. Foi esta a ideia que presidiu à escolha do tema "Ética económica e globalização", para iniciar o 23º ano de publicação da COMMUNIO. Reflectir com  os leitores sobre a situação económica e financeira no contexto de um mercado globalizado, aproveitando também a publicação recente de um novo compêndio de Doutrina Social da Igreja num tempo em que muitos cristãos parece terem perdido o hábito de se interrogarem sobre a sua vida profissional à luz do Evangelho e dos ensinamentos sociais que daí advêm: " O dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos. Estes, enquanto cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública. Não podem, pois, 'abdicar da  múltipla e variada acção económica, social,  legislativa,  administrativa e cultural, destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum' " (Papa Bento XVI, Carta encíclica Deus é Amor, 29). Religião e Incarnação, o cristianismo é, por sua natureza, solicitado pelo conceito de globalização, pois se a fé anuncia a salvação gratuita de Deus também actua como fermento das culturas, de todas as realidades humanas.

O número abre com dois artigos  (V. Xavier Pintado e Eduardo S. Ferreira) que nos apresentam visões diferentes de uma economia globalizada, mas ambos com a preocupação de uma maior humanização neste domínio. Na mesma linha vai o artigo de  Manuela Silva, refreando os entusiasmos e as miragens dos sucessos da globalização e dando voz aos excluídos e mais pobres.

Uma das consequências da globalização tem sido a crescente financiarização da economia, em que o valor do dinheiro se tem sobreposto a uma economia que deveria procurar o maior bem estar para a maior número possível. Hoje, o que  verificamos é que são os agentes anónimos dos mercados financeiros qua asseguram a condução da economia, e os políticos e os cidadãos verificam que o papel que lhes é concedido é o de serem espectadores impotentes. O processo que levou a esta situação de preponderância do dinheiro, é-nos explicado por Américo Mendes.

Jean-Yves Calvez S.J. um dos maiores peritos cristãos em questões sociais, oferece-nos um texto em que faz uma exposição dos capítulos que no recente Compêndio de Doutrina Social da Igreja são dedicados à vida económica e social, congratulando-se com a opção de ter sido colocado à cabeça do capítulo dedicado à economia um subcapítulo sobre o "trabalho humano". Sublinha ainda a parte considerável dedicada à ecologia e à defesa do ambiente.

Da crise do ambiente, das tarefas que nos incumbem nestes domínio e das instituições a criar no futuro, de forma a combater as tendências protagonizadas pela Organização Mundial do Comércio, fala-nos Viriato Soromenho Marques.

Como já referimos acima, o grande progresso no plano técnico e científico que vamos vivendo neste contexto de globalização parece não ter equivalente no que diz respeito à questão de valores. A dimensão global de problemas, entre outros, como a corrupção, exclusão social, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, levou em Portugal a que a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) apresentasse um Código de Ética dos empresários e gestores portugueses, código esse destinado a contrariar o que há de negativo na globalização. 

Dois depoimentos dão testemunho de experiências que têm sido levadas a cabo com sucesso e apontam novos caminhos. Uma, descrita por Francisco Sepúlveda, conta-nos como foi nascendo e evoluindo o projecto Economia de Comunhão, criado por Chiara Lubich, fundadora do Movimento Focolares. Ele foi-lhe sugerido por uma visita feita ao Brasil onde se deparou com a miséria das favelas de São Paulo. Este projecto é uma das novas experiências económicas que, estando direccionada para o mundo da empresa e da produção, tem como característica o facto de ter nascido de uma espiritualidade. A outra diz respeito aos investimentos socialmente responsáveis, experiência que nos é narrada por Clare Coffey.

Nas Perspectivas apresentamos dois artigos de fundo: o primeiro, do cardeal Karl Lehman, é dedicado à Constitução sobre a Revelação divina, Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, e faz parte de um conjunto de artigos que pretendemos ir publicando nesta secção para comemorarmos os 40 anos do Concílio. O segundo, de H. Noronha Galvão, é a reprodução da primeira de duas lições que o autor deu, na Universidade Católica, sobre o pensamentop teológico de Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI. A segunda lição será publicada nom próximo número de COMMUNIO.

 

 

 

 

 
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