Pgina Inicial  
revistas artigos autores noticias  
Página Inicial
Direcção e Redacção
Conselho de Redacção
Estatuto Editorial
Condições de assinatura para 2014 e 2015
Edições noutros países
Livrarias onde Adquirir
Publicações Communio
Nota Histórica
Ligações
Contactos
Pesquisa
Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano III • 1986-02-28 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Creio no Espírito Santo
 
palavra-chave
 
   

artigos
Porei em vós um Espírito Novo • pág 005
Alves, Manuel Isidro
O Crisma, sacramento do Espírito • pág 022
Bragança Joaquim Oliveira
O Espírito que procede do Pai e do Filho. Sentido do Filioque • pág 033
Scheffczyk, Leo
Comunhão, Igreja e Pessoa • pág 046
Santos, Manuel Costa
1986, Ano Internacional da Paz • pág 065
Keenan, Marjorie
Evocação do P. Júlio Fragata. Partiu com um propósito: Fazer bem • pág 086
Morujão, Manuel
Vivendo no Espírito Santo. Momentos • pág 090
Cunha, Maria de Jesus


apresentação

JOAQUIM O. BRAGANÇA

Todos os domingos e festas solenes, os católicos do Ocidente professam a sua fé, na celebração da Eucaristia, recitando o Credo. Talvez nem todos saibam que o "Símbolo" que recitam é o de Niceia-Constantinopla, herança viva – e vivida – do II Concílio ecuménico, celebrado em Constantinopla no ano de 381. Reuniu-se este Concílio para condenar a heresia dos pneumatómacos (= os que combatem o Espírito) e proclamar a divindade do Espírito Santo. Por mais paradoxal que possa parecer, a teologia do Espírito Santo apresenta-se como um dos pontos de maior fricção doutrinal entre o Oriente e o Ocidente, e uma das maiores dificuldades de aproximação ecuménica para a unidade da Igreja. Os orientais acusam a teologia ocidental de centrar a sua reflexão só em Jesus Cristo, esquecendo o lugar e a acção do Espírito Santo no mistério da Redenção, da Igreja e dos Sacramentos. Por outro lado, eles afirmam – e esta constitui sem dúvida a acusação mais grave – ter o Ocidente alterado a doutrina definida em Constantinopla, introduzindo no Credo o "Filioque"; por outras palavras, os cristãos do Ocidente proclamam que o Espírito Santo procede do Pai "e do Filho", quando o Concílio só definiu que procede do Pai. Ao ocorrer em 1981 o XVI centenário do Concílio de Constantinopla, decidiu o Santo Padre, João Paulo II, celebrá-lo co toda a solenidade na festa de Pentecostes e convidou para isso os bispos das Igrejas orientais. Estes enviaram uma delegação e convidaram por seu turno o Papa a mandar representantes às suas celebrações. O Papa decidiu também comemorar o acontecimento com um Congresso teológico internacional de Pneumatologia, a fim de se aprofundar a doutrina do Espírito Santo. Encarregou os Reitores das Universidades Pontifícias de Roma dessa tarefa, e nomeou como presidente da comissão um português, o P. José Saraiva Martins, Reitor da Universidade Urbaniana. O Congresso realizou-se de 22 a 26 de Março de 1982, e nele tomaram parte teólogos do mais alto prestígio internacional, vindos de todas as Igrejas cristãs, protestantes, orientais e católica. As actas, que reúnem os trabalhos apresentados no Congresso e ocupam dois grossos volumes, têm por título: "Credo in Spiritum Sanctum". É este também o indicativo e tema global do presente fascículo de COMMUNIO, bem como o seu objectivo: aprofundar a teologia do Espírito Santo, a fim de melhor se viver o Seu Mistério, pois, como dizia S. Justino nos meados do sec. II, em frase lapidar: Cristo reina, até à Sua segunda vinda, dando o Espírito. Não seria possível, em simples fascículo de uma revista – e, para mais, de limitados recursos – aflorar os principais temas da Pneumatologia. Limitar-nos-emos a alguns; e desejaríamos chamar a atenção sobretudo para o admirável espólio do pensamento teológico que neste sector nos legou a antiguidade cristã. Os mais belos tratados sobre o Mistério da Trindade foram escritos por pensadores ocidentais: Novaciano (sec. III), St. Hilário de Poitiers (sec. IV), St. Agostinho (sec. V), sem esquecer o tratado sobre o Espírito Santo de St. Ambrósio de Milão (sec. IV), réplica ocidental do belo tratado de S. Basílio o Grande, que preparou o Concílio de Constantinopla. Traduções em línguas modernas permitem hoje o acesso a todo este manancial do pensamento cristão ocidental. O primeiro artigo do presente fascículo não poderia deixar de ser sobre a revelação – e acção – do Espírito Santo no AT e NT (M. Isidro Alves). Este trabalho reveste-se de particular significado para a COMMUNIO portuguesa, porque foi escrito a pedido e para a COMMUNIO internacional. Seguem-se dois trabalhos de reflexão e espiritualidade respeitantes à presença do Espírito Santo no mistério da Igreja. Uma aborda a doutrina do sacramento da Confirmação ou Crisma, perspectivando-o na linha da história da salvação e da "economia" da redenção (Joaquim O. Bragança); outro aprofunda o sentido da "comunhão" no mistério da Igreja, pois o Espírito Santo é comunicação, "koinônia", comunhão (M. Costa Santos). Tendo em atenção o escaldante problema teológico do "Filioque" entendeu a direcção da revista apresentar um trabalho sobre esse ponto concreto do Mistério Trinitário (Leo Scheffczyk). A COMMUNIO não poderia esquecer que 1986 é o Ano Internacional da Paz, e oferece aos leitores uma reflexão sobre esse tema de permanente actualidade para todos os povos (Majorie Keenan). Finalmente, e como é hábito, a última parte é dedicada aos testemunhos. Desta vez, dois: um sobre a experiência do Espírito Santo no concreto da vida; outro sobre o impressionante exemplo de serenidade diante da morte iluminada pela fé, que nos deixou o Prof. Doutor P. Júlio Fragata S.J., falecido há cerca de dois meses.

 
  KEOPS multimedia - 2006