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Autor
Ano XX • 2003-04-30 • nº 2 • Março/Abril
Religiões e cidadania
 
palavra-chave
 
   

artigos
A religião como factor de integração social • pág 101
Pereira, Fernando Micael
Motivação religiosa e decisão política • pág 112
Stilwell, Peter
Igreja e Estado no Novo Testamento • pág 119
Neves, Joaquim Carreira das
Liberdade religiosa e Concordatas • pág 132
Franco, António Sousa
Dois iluminismos: o continental e o anglo-saxónico • pág 159
Espada, João Carlos
Pertença religiosa e cidadania. As mulheres como transmissoras de uma matriz cultural • pág 171
Coutinho, Ana Paula
Motivação religiosa na educação para a cidadania • pág 179
Keshavjee, Faranaz
Judia e portuguesa • pág 184
Mucznik, Esther
Relações Igreja e sociedade no pós-Vaticano II • pág 188
França, Maria Luísa


apresentação

PETER STILWELL
M. GRAÇA PEREIRA COUTINHO


No meio da anarquia e pilhagem que se seguiram à queda de Saddam Hussein, emergiram ilhas de resistência ao caos iraquiano. Entre elas, a voz de dirigentes religiosos muçulmanos, apelando à entrega dos bens roubados… E foram ouvidos! Os pátios das mesquitas atravancados de objectos devolvidos são bem um símbolo para os nossos tempos do potencial civilizador da religião.

Mas, simultaneamente, decorria na Igreja Católica um curioso debate. Figuras que esperaríamos correspondessem aos apelos do Papa à paz, apresentaram subtis argumentos para explicar que ao papa compete apelar e aos dirigentes políticos a responsabilidade de decidir. E a decisão assenta não só em ideais, mas numa informação sobre as possibilidades de acção que a cidade comporta. Entretanto, outros sectores, normalmente mais sensíveis à mediação da consciência nos campos da moral pessoal e sexual, manifestaram-se chocados agora por esta flagrante recusa em atender à condenação da guerra pelo Papa. Nas franjas de uns e de outros, pairam as sombras ameaçadoras de aspirações religiosas integralistas que sonham uma passagem, sem mediação, das doutrinas à prática da cidadania.
O presente número da COMMUNIO aflora alguns aspectos desse grande debate contemporâneo sobre a articulação da vivência religiosa com a cidadania.

Comecemos pela constatação de que o religioso continua a ser um factor de integração social. Fernando Micael Pereira apresenta as principais características do actual retorno ao religioso, e detém-se nas consequências do esvaziamento do conceito de Deus pelo pensamento racionalista do século XIX. Quanto ao desafio actual do pluralismo religioso nas sociedades ocidentais, propõe que se fomente uma tolerância – a não confundir com sincretismo redutor ou relativismo dos valores – que procure o que há de comum, sem descurar a racionalidade da fé nem, sobretudo, o amor ao próximo.

No artigo Motivação religiosa e decisão política, alerta-se, à luz dos antecedentes da II Guerra do Golfo, para o perigo de uma motivação destrutiva no plano religioso – mecanismo que se conhece igualmente no plano da ideologia política e dos nacionalismos. Para lhe fazer frente, cada qual terá de empreender um processo de discernimento, lançando mão dos dinamismos de lucidez, sentido do outro e solidariedade, recolhidos de entre o rico património de sabedoria da humanidade.

Confrontando o Iluminismo continental com o anglo-saxónico, João Carlos Espada argumenta que o relativismo ético dos nossos tempos não é fruto do pluralismo liberal, mas sim de um racionalismo dogmático.

Existe uma relação estreita entre vivência religiosa e cidadania, na opinião de Ana Paula Coutinho; e destaca o papel que, por motivos sócio- -culturais, tem sido o da transmissão feminina dos valores, incluindo o da fé. Impõe-se, por isso, a seu ver, uma mudança de paradigma civilizacional para um que assente no discernimento, na responsabilidade, na solidariedade e na tolerância.
Joaquim Carreira das Neves analisa o conceito bíblico de Reino de Deus e desfaz possíveis confusões com o poder temporal, tentação que percorre toda a história do Cristianismo.

O contributo da perspectiva islâmica chega-nos através de Faranaz Keshavjee. A autora propõe a inclusão da motivação religiosa num projecto integrado de educação para a cidadania. Considera ainda a experiência religiosa uma forma privilegiada de recuperar para o âmbito da educação a linguagem poética, essencial para se dizer a realidade e unificar existencialmente os vários saberes.

De A. Sousa Franco publicamos um extenso texto sobre Liberdade religiosa e concordatas. De facto, constitui dois artigos: um sobre a história das concordatas, outro acerca da revisão em curso da Concordata de  1940. Excepcionalmente, dada a flagrante actualidade do tema, a íntima relação entre os aspectos tratados e a intervenção directa do autor no processo de negociação entre a Santa Sé e Portugal, publicamos o texto integral neste mesmo número da COMMUNIO.

Incluímos ainda os testemunhos de Esther Mucznik, dirigente da Comunidade Israelita de Lisboa, sobre a experiência de cidadania de uma judia portuguesa, e de M. Luísa França, vice-Presidente da secção portuguesa da Pax Christi, sobre as relações entre Igreja Católica e sociedade no pós-Vaticano II.

 
  KEOPS multimedia - 2006