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Titulo do Artigo
Autor
Ano XXI • 2004-00-00 • nº 1 •
Política e Poderes
 
palavra-chave
 
   

artigos
Imagens bíblicas da cidade • pág 005
Ravasi, Gianfranco
A cidadania como serviço. Considerações breves • pág 013
Martins, Guilherme d'Oliveira
Religião e poder • pág 019
Maier, Hans
Michel de Certeau. Notas para uma breve apresentação • pág 035
Teixeira, Alfredo
Credibilidades políticas. Autoridades cristãs e estruturas sociais • pág 039
Certeau, Michel de
Percepções contemporâneas do poder dos media • pág 061
Mesquita, Mário
O tigre de papel, ou a natureza do poder da comunicação social • pág 073
Aurélio, Diogo Pires
A justiça e o poder • pág 083
Mota, Francisco Teixeira da
A Paixão de Cristo. A propósito de um filme • pág 089
Galvão, Henrique de Noronha
A paz no Médio Oriente • pág 099
Vakil, Abdool Magid
Entre a inquietação e a esperança. Visita breve aos anos sessenta • pág 105
Rego, António
Vinte anos de actividade do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja • pág 113
Falcão, José António
As formas do Espírito ou a (re)descoberta do sul • pág 116
Picchio, Luciana Stegagno
Turismo e património religioso • pág 121
Fernandes, António A.
Teixeira, Alfredo
Guedes, Maria Natália Correia
Stilwell, Peter


apresentação

MARIA BRANCO
RUI MADEIRA
PETER STILWELL

A COMMUNIO inicia este 21º ano de publicação com algumas alterações importantes. Passa a só publicar 4 números por ano, mas sendo cada um deles de maior volume. Manterá, na 1ª parte, a estrutura que vem detrás – tratamento de uma temática, que neste fascículo será “Política e poderes” – e, na segunda, Perspectivas, apresentará textos diversificados sobre matérias de actualidade.

Segundo Paul Ricoeur, a política é “o conjunto das actividades que têm por objecto o exercício do poder e, portanto, também da conquista e conservação do poder. Pouco a pouco, será política qualquer actividade que tenha por objectivo, ou mesmo simplesmente por efeito, influenciar a distribuição do poder.” (1)

Antigamente, política e poder confundiam-se. As suas características estavam intimamente associadas a um território, a um espaço delimitado por fronteiras, no interior do qual a maioria dos indivíduos partilhavam as mesmas referências culturais, se reconheciam numa mesma história, numa mesma religião. Eram os políticos que detinham o poder de decisãode mudar a maneira como se construíam as relações, como se vivia, como se trabalhava. Hoje, e de modo vincado com a globalização, os lugares em que o poder se exerce foram deslocalizados, multiplicaram-se. Já não se confunde política e poder(es). Assistimos a uma nova repartição da autoridade e da influência.

Na Bíblia, a questão do poder e da política está presente de várias formas. Ora a política desenvolve-se na polis, na cidade. G. Ravasi, numa leitura bíblica original, percorre quatro cidades e dá-nos a conhecer a forma como nelas se apresentam alguns aspectos  ligados ao exercício do poder.

Pode-se dizer, talvez, que actualmente a política não goza de muito boa fama. Sendo o espaço onde se concentram os problemas das sociedades, ela suscita, ao mesmo tempo, entusiasmos e ódios, expectativas e temores. Contra esta atitude de descrença se demarca o artigo de Guilherme d’Oliveira Martins, onde é realçada a dimensão de serviço como essencial à política. Já em 1927, Pio XI, afirmava: “O domínio da política… é o campo da caridade mais vasta – a caridade política.”
Fala-se muito hoje a respeito do poder das religiões, sobretudo das religiões monoteístas. Será que poder da religião exclui a tolerância para com os outros? Hans Maier, partindo dos atentados de 11 de Setembro em Nova York e Washington, propõe-nos uma discussão acerca desta temática.

Em qualquer domínio da nossa vida, na política em particular, para haver seriedade ela tem de partir da credibilidade, do fazer crer. Michel de Certeau, em extractos que apresentamos de dois artigos que escreveu sobre esta questão, apresenta-nos a forma como essa credibilidade é ou deve ser construída. A anteceder estes dois textos, Alfredo Teixeira oferece-nos uma pequena apresentação do autor e do contexto em que os artigos foram produzidos.

Dois dos lugares que no tempo presente são referidos como ligados ao exercício do poder, são a comunicação social e a justiça. A propósito da primeira, publicam-se dois textos, de Mário Mesquita e Diogo Pires Aurélio. Sobre a justiça escreve Francisco Teixeira da Mota, partindo das reflexões feitas e publicadas por Eva Joly, juíza responsável pela instrução do “processo Elf”, em França.

Na rubrica Perspectivas, são apresentados cinco textos: o primeiro, de H. Noronha Galvão, a propósito do filme A Paixão de Cristo. Abdool Vakil, em seguida, fala-nos sobre A paz no Médio Oriente. António Rego, partindo de um livro publicado por João Bénard da Costa sobre os católicos nos anos 60 em Portugal, faz uma pequena digressão sobre a Igreja nessa época. José A. Falcão assinala os vinte anos de actividade do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, diocese que tem desenvolvido um excelente trabalho de defesa e conservação do património religioso. Do seu percurso têm feito parte várias exposições, como a que está agora patente no Palácio da Ajuda, As formas do Espírito, apresentada aqui por Luciana Stegagno Picchio.

Turismo e património religioso, objecto de um curso a realizar em moldes inovadores pela Faculdade de Teologia em Lisboa, é também objecto do nosso interesse.


(1) Histoire et verité, Paris: Seuil 21987, 257.

 
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