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Autor
Ano XX • 2003-12-31 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Deus sofredor?
 
palavra-chave
 
   

artigos
A compaixão de Deus • pág 485
Strukelj, Anton
O mistério de um sofrimento divino • pág 496
Tilliette, Xavier
Deus sofre nos seus amigos: os mártires • pág 503
Lamelas, Isidro Pereira
Proximidade de Deus no sofrimento? Reflexão sobre o significado do axioma teológico da imutabilida • pág 515
Grümme, Bernhard
A teodiceia na perspectiva de Elizabeth Johnson e de Sallie McFague • pág 526
Toldy, Teresa
Mística da cruz. Transfiguração do sofrimento • pág 536
Silva, Carlos
Terá sentido sofrer ? • pág 548
Teixeira, João António
Fé num Deus sofredor e psicanálise • pág 559
Bonnet, Gérard
Fundação Ajuda à Igreja que sofre • pág 570
Bernardino, Paulo


apresentação

M. LUÍSA RIBEIRO FERREIRA
ISIDRO PEREIRA LAMELAS


Se o sofrimento, enquanto experiência humana universal, é uma categoria omnipresente que nos faz solidários na procura de explicações, a questão do sofrimento de Deus nem sempre foi tão evidente, mesmo quando o mesmo Deus foi proposto como a resposta para o padecimento humano. De facto, a pergunta do porquê e para quê do nosso sofrimento não pode ser alheia à questão do sofrimento de Deus. Por outro lado, a tradição teológica judaico-cristã assenta nestes dois pressupostos aparentemente inconciliáveis: a afirmação da total transcendência de Deus (infinito, imutável, omnipotente... impassível), por um lado; e a fé no Deus infinitamente misericordioso, providente e presente na história; o que se traduz no “escândalo” dum Deus feito “homem das dores” (Is 53,3), ou mesmo crucificado (1Co 1,23).
 
Na verdade, negar o sofrimento de Deus significaria reduzir a paixão do homem a uma tragédia sem sentido e a paixão de Cristo a um drama meramente humano. Mesmo assim, a teologia tradicional, por influxo das correntes filosóficas, preferiu sublinhar, com o intuito de distinguir o Criador das criaturas, a apatia em vez da simpatia divina. Em contrapartida, a teologia contemporânea tem-se empenhado em recuperar o sentido teológico do sofrimento. E é neste contexto que se insere a reflexão multifacetada que propomos neste número sobre “Deus sofredor”.

Anton Strukelj fala-nos de um Deus sofredor e compassivo, relevando a misericórdia divina, personificada em Jesus Cristo. É um Deus que sofre porque ama os homens, comovendo-se com as suas fraquezas e redimindo-as na paixão do seu Filho.

À linha ontoteológica que tem prevalecido na teologia cristã e nos revela um Deus impassível, Xavier Tilliette contrapõe outras interpretações, decorrentes da revelação bíblica e da piedade popular. É sobretudo ao meditar sobre o sofrimento de Cristo que tomamos consciência da proximidade humana da divindade. Os santos e os mártires foram o reflexo desse sofrimento que simultaneamente é perpassado de alegria – um tema apresentado por Isidro Lamelas que nos fala do Deus que sofre naqueles que padecem em Seu nome.

Bernhard Grümme revisita o axioma teológico da imutabilidade divina. O “silêncio de Deus” perante o sofrimento dos homens (Auschwitz, o 11 de Setembro, etc.) é analisado, numa abordagem teológico-sistemática que encontra em Karl Rahner um acesso possível a este mistério.

Na linha de uma teologia feminista, Teresa Toldy debruça-se sobre o sofrimento solidário de Deus, considerado  através de metáforas femininas que o procuram dizer. Recorre ao pensamento de duas teólogas: Sallie McFague que considera “Deus amante”, e Elisabeth Johnson que reflecte sobre “Deus mãe”.

Ao abordar a mística da Cruz, Carlos Silva analisa, de um ponto de vista teórico-prático, a transfiguração operada pelo sofrimento, especialmente aquele que se prende com a experiência da cruz.

João António Teixeira interroga-se sobre o sentido do sofrimento. Ao acentuar o enigma irresolúvel do mesmo, conclui que “onde está o sofrimento aí está Deus”, pois ao sofrermos confirmamos o nosso compromisso com Cristo.

Na perspectiva da psicanálise, Gérard Bonnet analisa os benefícios e/ou inconvenientes que a concepção de um Deus sofredor provoca no tratamento dos seus pacientes, apresentando-nos alguns casos.

Fechamos este número com o testemunho de Paulo Bernardino sobre a Fundação  Ajuda à Igreja que Sofre, que se propõe ajudar os cristãos em risco, ameaçados pelas múltiplas circunstâncias que dificultam a prática da sua fé.

 
  KEOPS multimedia - 2006