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Tema da Revista
Titulo do Artigo
Autor
Ano II • 1985-12-31 • nº 6 • Novembro/Dezembro
A Paz
 
palavra-chave
 
   

artigos
“Dou-vos a minha paz” (Jo 14, 27) • pág 499
Alves, Manuel Isidro
Os cristãos, o poder político e a objecção de consciência • pág 506
Bragança Joaquim Oliveira
Cruzada e anti-Cruzada • pág 515
Thomaz, Luís Filipe Rodrigues
A Paz problema fundamental da ética moderna • pág 529
Ferreira, Faustino Caldas
A paz pela paciência na teologia • pág 550
Balthasar, Hans Urs von
Os cristãos face à violência • pág 559
Seabra, João Maria
Comissão Nacional Justiça e Paz. Uma nota breve • pág 579
Pinto, Mário


apresentação

ANTÓNIO DE BIVAR WEINHOLTZ – FAUSTINO CALDAS FERREIRA

O problema da paz impõe-se hoje talvez mais do que em qualquer outra época, à consciência dos homens, já que estes têm diariamente diante de si o espectáculo da violência à escala planetária, graças à eficácia dos meios de comunicação social. Se à massa de informações somarmos a frequente falta de um justo sentido das proporções, infelizmente característica não rara de algum jornalismo, teremos de concluir que mais difícil se torna exercer um juízo ético acerca de problemas, no entanto prementes, como sejam o das guerras e outras formas de violência, do uso a fazer da legítima defesa, das diversas formas de pacifismo, etc.. Quase se pode afirmar que os próprios conceitos envolvidos em tudo o que diz respeito à paz perdem actualmente o sentido claro que porventura teriam, na medida em que se tornam muitas vezes simples instrumentos de propaganda e manipulação da opinião pública. Torna-se assim evidente que os cristãos têm obrigação de não descurar uma reflexão sobre estes assuntos, sob pena de se verem envolvidos em situações de inaceitável seguidismo ou de apatia não menos perigosa. Neste sentido, a COMMUNIO dedica o último número deste ano ao tema da paz. Antecipa-se assim a toda uma série de considerações que certamente terão lugar ao longo de todo o ano de 1986, declarado pela Organização das Nações Unidas "Ano Internacional da Paz"; teremos ocasião de tomar conhecimento das diversas movimentações que levaram a esta iniciativa através de um artigo da Irmã Marjorie Keenan que será publicado no nº 1 do próximo ano. Qualquer reflexão cristã sobre estes assuntos deve mergulhar as raízes na Sagrada Escritura, pelo que se torna natural começar por analisar a utilização que é feita na Bíblia do conceito de "paz"; é esse o objecto do artigo de Manuel Isidro Alves com que abrimos o número. Desde os primeiros séculos da nossa era que a Igreja se tem vindo a confrontar com o problema da participação dos cristãos nas guerras decididas pelas autoridades constituídas, consequência da atitude mais geral a adoptar face ao poder político. Tratando-se de questões que não perderam actualidade, parece fundamental ter uma perspectiva nítida das posições quanto a elas assumidas pelos autores cristãos da Antiguidade, reflexo da vida da Igreja de então. Joaquim O. Bragança apresenta-nos a parte da obra de Tertuliano relativa a este problema, clarificando as alternativas que realmente se punham aos cristãos dessa época e analisando até que ponto é possível transpor as respostas de então para a actualidade. Outra situação histórica em que o problema da guerra se pôs à Igreja com particular incidência, foi sem dúvida a das cruzadas. Em artigo de Luís Filipe Thomaz é feita uma apreciação das diversas atitudes que acompanharam o desenvolvimento destes movimentos e do entendimento que delas se pode fazer no quadro da História e da Doutrina da Igreja. Focalizando agora a atenção na época presente, concluímos que a situação da humanidade obriga a um aprofundar da reflexão ética cristã no que diz respeito à questão da paz; nesta linha vai o artigo de Faustino C. Ferreira. Em todas as épocas existiram tensões no seio da Igreja, algumas, sem dúvida salutares, mas outras conducentes a situações de real quebra daquela "paz" que sempre deve reinar entre os discípulos de Cristo. A nossa época não é, infelizmente, uma excepção e os conflitos que hoje dilaceram a Igreja são disso prova evidente; Hans Urs von Balthasar apresenta-nos o quadro desses conflitos no campo da Teologia e sugere qual o papel, fundamental, da virtude da "paciência" na salvaguarda da paz entre os crentes. A violência no mundo de hoje reveste inúmeras formas, nem sempre, como acima se acentuava, facilmente perspectiváveis; João Seabra apresenta-nos um panorama destas diversas situações, indicando quais os critérios de avaliação que, face a elas, uma visão cristã do mundo lhe permite estabelecer. Finalmente aproveitamos a ocasião para dar a conhecer os objectivos e principais actividades da Comissão Justiça e Paz pela voz do seu actual presidente, Mário Pinto. Com esta resenha de artigos esperamos contribuir para clarificar um debate em que nem sempre é fácil apreender o que está realmente em jogo; o que não significa, obviamente, que tenha havido a pretensão de esgotar o assunto ou mesmo de apresentar respostas unívocas a todas as questões que é imprescindível colocar.

 
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