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Autor
Ano XIX • 2002-06-30 • nº 3 • Maio/Junho
Pessoa e Comunidade
 
palavra-chave
 
   

artigos
O diálogo como modelo de comunicação eclesial • pág 197
Pottmeyer, Hermann J.
Origem teológica do conceito de pessoa. Algumas notas • pág 205
Galvão, Henrique de Noronha
A Igreja como pessoa na teologia de Hans Urs von Balthasar • pág 209
Ackermann, Stephan
Espiritualidade de comunhão • pág 220
Andrade, Carlos Garcia
Projectos vocacionais no interface pessoa/sociedade • pág 238
Pinto, Helena Rebelo
Conceito de indivíduo. Esquema de uma definição preliminar • pág 249
Mesquita, A. Pedro
“Comunidade Católica Integrada” • pág 261
Weimer, Ludwig
Vale de Acor - Projecto Homem. Da solidão dos psicofármacos ao encontro na relaçã • pág 267
Aguiar, Carla
Monteiro, Valdemiro Líbano
O Movimento Emaús • pág 273
Boursicaud, Henri Le
A pessoa na comunidade religiosa de clausura • pág 280
Anónimo


apresentação

ALICE MASCARENHAS
JERÓNIMO TRIGO

O que é a pessoa? A resposta à pergunta é difícil, pois não podemos delimitar a sua realidade no espartilho de uma definição que reúna, ordenando de modo mais ou menos aleatório, as suas características essenciais. Uma única frase, mesmo extensa e articulada, não pode conter dentro de si uma realidade tão rica e tão aberta como é a pessoa. E contudo houve ao longo da história, e continua a haver, tentativas de definição; o seu entendimento oscila entre duas acentuações: a substancialidade, mais característica do pensamento essencialista, e o encontro interpessoal, a relação mais própria do pensamento dialógico e existencial.

O que é a comunidade? Também aqui nos encontramos em dificuldade. Dizer que é um conjunto de pessoas que interagem, parece óbvio, mas tudo fica mais obscuro quando nos interrogamos em que consiste tal interacção. De qualquer modo, parece-nos que merece ser destacada como absolutamente fundamental a realidade interactiva pessoa-comunidade.

A pessoa está feita não para a solidão, mas para a comunidade; esta, por seu lado, proporciona-lhe elementos fundamentais para o seu desenvolvimento. Algumas notas: a) O comunitário não se opõe ao pessoal, mas ao individual, e como a pessoa se distingue do indivíduo (embora o inclua), também a comunidade se distingue tanto do individualismo, como do colectivismo. Ambos são limitadores da vida pessoal; aquele porque não vive em relação, este porque resulta de uma soma ou amontoado impessoal e opressor. b) A comunidade não é um fim em si mesma; a pessoa é um fim em si mesma; a dignidade daquela fundamenta-se na dignidade das pessoas que a compõem. Na relação interactiva pessoa-comunidade não se pode deixar de evidenciar a importância da comunidade para a vida pessoal, e a inescusabilidade da vida pessoal para a vida comunitária.

Neste número da COMMUNIO pretendemos indicar alguns aspectos e alguns âmbitos onde a interacção pessoa-comunidade se manifesta. A introdução do conceito de pessoa na sua peculiaridade é fruto do pensamento cristão, a propósito da teologia trinitária; é o que nos explica H. Noronha Galvão. S. Ackermann apresenta a compreensão da Igreja como pessoa na teologia de H. U. von Balthasar: a Igreja é “alguém” e não “uma coisa”; “Igreja como pessoa” significa a sua específica unidade, uma unidade que é abertura e relação; unidade só pensada na diferença pessoal. De carácter mais informativo é o texto de L. Weimer. Fala-nos das “comunidades integradas”, a que pertencem diferentes pessoas, de diferentes estados de vida, idades, profissões… que pretendem conciliar fé e mundo secular, Igreja e sociedade. Que modelo de comunicação eclesial? Responde H. Pottmeyer: a forma de comunicação correspondente ao entendimento da Igreja como comunhão é o diálogo; brota da comunhão dos fiéis e tem uma dimensão interna; mas assume também uma notável relevância para o relacionamento com o exterior.

Carlos Andrade apresenta-nos um sugestivo e extenso texto sobre espiritualidade de comunhão. Em primeiro lugar indica a comunhão como sinal dos tempos na Igreja e na sociedade; depois refere-se especificamente à comunhão cristã: a comunhão eclesial não é um mero facto sociológico, psicológico ou institucional, é, antes de mais, um facto espiritual; é, segundo o autor, um elemento central no projecto da nova evangelização; termina com algumas propostas de uma espiritualidade de comunhão. Noutro âmbito se situa Helena Rebelo Pinto; refere-se aos projectos vocacionais pessoais como organizadores do comportamento individual e de interacção social e institucional, e da importância que advém da sua relevância no horizonte do desenvolvimento. A. Pedro Mesquita apresenta-nos algumas pistas propedêuticas em relação ao conceito de pessoa; considera que antes de responder à pergunta “o que é a pessoa”, é preciso responder à questão do conceito de indivíduo.

Os tipos de comunidades podem ser muito diversos, tal como a experiência pessoal daqueles que as integram. A propósito das comunidades terapêuticas para os toxicodependentes são apresentados os depoimentos da comunidade de Vale d’Acor; acerca dos Companheiros de Emaús fala-nos um dos seus responsáveis. O número conclui com o testemunho de uma carmelita sobre a pessoa integrada numa comunidade religiosa de clausura.

 
  KEOPS multimedia - 2006