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Autor
Ano XIX • 2002-02-28 • nº 1 • Janeiro/Fevereiro
Esperança para África
 
palavra-chave
 
   

artigos
Pensar o futuro da identidade africana • pág 005
Ukwuije, Bede
O poder de traçar a fronteira. Apontamento histórico • pág 017
Branco, Maria C.
A encruzilhada africana. Crise política e termo de responsabilidade • pág 021
Venâncio, José Carlos
Uma abordagem comum para o desenvolvimento a longo prazo da África • pág 031
Roque, Fátima Moura
Investir em pessoas. Uma prioridade africana • pág 041
Carneiro, Roberto
Sociabilidades e eclesialidade. Reflexões a partir de uma experiência angolana • pág 057
Nunes, José
Festa e expressividade litúrgica africana • pág 067
Lukamba, André
Espaços, diáspora, exílio, nas literaturas africanas de língua portuguesa • pág 075
Carvalho, Alberto
“Não queremos a guerra”. Entrevista • pág 087
Kamwenho, D. Zacarias
Comércio de armas, o reino da hipocrisia • pág 092
Rebelo, José A. Mendes


apresentação

ALFREDO TEIXEIRA
MARIA DA GRAÇA PEREIRA COUTINHO

A revista COMMUNIO abre mais um ano editorial rasgando um olhar sobre África, esse continente tão cheio de promessas e fragilidades. De que África falamos? O leitor encontrará neste fascículo referências à África subsariana. Mas é necessário não perder de vista que não fomos habitados pela preocupação de atingir qualquer exaustividade panorâmica, aliás impossível dada a extraordinária diversidade da geografia humana no continente africano. Fomos habitados sim por uma preocupação: será possível encontrar um olhar de esperança sobre esse continente que diariamente é representado no espaço mediático como o lugar de todas as desgraças? Os autores que convocámos para este desafio respondem, a seu modo, a esta interrogação sem que em algum momento se minorizem as razões do sofrimento por que passa grande parte das populações africanas.

Esta África, que alguns chamam negra, marcada pelos estigmas de uma submodernidade resultante da expansão dos países do hemisfério norte – marca histórica que o próprio traçado das fronteiras torna patente (Maria C. Branco) –, tem-se revelado uma das regiões do mundo com maiores dificuldades em acompanhar as novas figuras da globalização societal contemporânea (José Carlos Venâncio). Indicadores vários parecem apontar para um processo de marginalização desta região em relação ao sistemamundo vigente. A insegurança alimentar é talvez o sintoma mais gritante. A opinião pública europeia tem hesitado entre a descoberta das suas responsabilidades e a condenação das elites políticas africanas. Mas é necessário não iludir o facto de que a resolução dos graves problemas económicos africanos exige transformações no âmbito da cultura política. Como sublinha Fátima Roque, “muitos dos países da África subsariana enfrentam, na primeira década do sec. XXI, dois grandes desafios: alcançar uma paz duradoura baseada na reconciliação, nacional e regional, e construir uma cultura de governação democrática e transparente que os conduza ao desenvolvimento sustentado a longo prazo com justiça social”. Provavelmente, estes desafios só poderão ser cumpridos se, como Roberto Carneiro procura mostrar, se proceder a um grande investimento na educação dos africanos, condição para que possam libertar as suas capacidades de autodesenvolvimento e de criação autóctone de riqueza.

Neste contexto de urgência, é importante celebrar a atribuição do Prémio Sakharov 2001 a D. Zacarias Kamwenho, Presidente da CEAST e do Comité Inter-Eclesial para a Paz (COIEPA). Nele viram-se assim premiados, pelos deputados da União Europeia, os esforços de paz num país que, de geração em geração, aprendeu a pegar em armas. Porque é necessário continuar a falar de paz e de respeito pelos direitos humanos em Angola, publica-se aqui uma entrevista com D. Zacarias Kamwenho.

Um dos caminhos de esperança para África será certamente o da valorização da extraordinária riqueza das culturas, memória viva da diversidade humana. Nesta óptica, será interessante acompanhar Bede Ukwuije nas suas interrogações acerca da africanidade, debate que tem sofrido metamorfoses várias durante o período pós-colonial. Sublinhe-se a convicção de que a identidade é dom e tarefa, ela não existe num lugar, é algo a realizar.
As literaturas africanas, como nos recorda Alberto Carvalho, podem ser um lugar privilegiado de encontro com a memória e a sabedoria africanas: “o Verbo dá ao homem o privilégio da inclusão na Palavra colectiva”.

A diversidade cultural africana tem encontrado eco em alguma reflexão teológica e em certas práticas pastorais marcadas pelo imperativo da inculturação. José Nunes ensaia a aproximação a um modelo de eclesialidade a partir de formas de socialidade autóctones, e André Lukamba procura uma inteligência do acto litúrgico em contexto africano.

Não quisemos deixar de dar voz a uma importante campanha levada a cabo pelas publicações missionárias (Missão Press), com o apoio da agência Ecclesia, da Secção Portuguesa da Amnistia Internacional, da Fundação Pro Dignitate, da Comissão Justiça e Paz dos Institutos Religiosos e da Antena Fé e Justiça, no final do ano que terminou. É um alerta à opinião pública para o problema das armas ligeiras e do seu comércio.

 
  KEOPS multimedia - 2006