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Titulo do Artigo
Autor
Ano XVIII • 2001-12-31 • nº 6 • Novembro/Dezembro
Os Fundamentalismos
 
palavra-chave
 
   

artigos
Riqueza, paradoxo e limites da tolerância • pág 485
Renaud, Michel
Uma palavra na história • pág 495
Armogathe, Jean-Robert
Fundamentalismo, integrismo, modernismo. À volta das palavras • pág 500
Clemente, Manuel
Os fundamentalismos • pág 506
Moreira, Adriano
O fundamento • pág 511
Scola, Angelo
Entre a Escritura e a Palavra de Deus. O que é um dogma? • pág 527
Botas, Mário
Tradição autêntica e inautêntica • pág 538
Dulles, Avery
A tentação do fundamentalismo. Necessidade de mediações • pág 545
Henrici, Peter
O dogmatismo no âmbito das ciências experimentais • pág 555
Formosinho, Sebastião J.
“Meu filho um fundamentalista”. Uma abordagem psicológica e comunicacional • pág 568
Neto, Luís Miguel


apresentação

GRAÇA PEREIRA COUTINHO
JUAN FRANCISCO GARCIA AMBROSIO


Quando na Redacção da revista COMMUNIO pensámos e preparámos os temas para o ano 2001, decidimos dedicar o último número a uma reflexão acerca de algumas questões referentes aos fundamentalismos. Um dos motivos que nos levou a esta decisão diz respeito ao uso, cada vez mais frequente, de expressões estreitamente relacionadas com o fundamentalismo. Já nessa altura tínhamos a convicção de que tais expressões eram utilizadas, geralmente, sem grande rigor e conhecimento.

Estávamos então longe de imaginar como uma reflexão neste âmbito iria ser verdadeiramente actual e urgente. Na verdade, os acontecimentos que ultimamente tivemos ocasião de presenciar, fizeram saltar para as primeiras páginas dos jornais e para os horários nobres dos noticiários  todo um vocabulário que rapidamente nos inundou. E a questão não se   coloca simplesmente ao nível das palavras, ela vai mais longe tocando o âmbito das atitudes, passando pela organização do tecido social, acabando em algo tão importante como é a maneira como nós olhamos para o mundo e para a existência humana, e bem assim a concepção que temos da dimensão religiosa do ser humano.

Apesar de estarmos conscientes de como a temática em questão é muitíssimo vasta e complexa, e de que não dispomos de espaço suficiente para o seu tratamento sistemático com toda a extensão e profundidade que o momento histórico que vivemos claramente exige, a revista COMMUNIO coloca nas mãos dos seus leitores este contributo para a reflexão acerca deste tema tão actual.

Começamos o número com um artigo de Michel Renaud, no qual se reflecte sobre a riqueza, o paradoxo e os limites da tolerância. Quais são os limites da tolerância? Será que temos que tolerar tudo? A resposta surge em termos lapidares: não tolerar o intolerável não é um acto de intolerância e, reciprocamente, tolerar o intolerável não é um acto de tolerância.

Jean-Robert Armogathe expõe como a Palavra que Deus precisa da história para ser proclamada e que é Jesus Cristo quem nos pode ajudar a vencer e ultrapassar os fundamentalismos. Nesta mesma linha, o artigo de Angelo Scola apresenta Jesus Cristo como o fundamento, já colocado, que sempre apela à verdade e à liberdade.

Esclarecer os conceitos de fundamentalismo, integrismo e modernismo é o objectivo do artigo de D. Manuel Clemente o qual, no contexto católico, faz um percurso que nos ajuda a delimitar os diversos campos e significados dessas expressões.
Passando um rápido olhar pela história, Adriano Moreira, reflecte sobre a génese de vários fundamentalismos. As sociedades europeias actuais, onde claramente se faz a afirmação do laicismo, estão no entanto sujeitas a fracturas que podem originar grandes confrontos entre áreas culturais identificadas pela diversidade da fé.

No seu contributo, Entre a Escritura e a Palavra de Deus, Mário Botas procura responder a uma questão muito importante neste contexto: o que é um dogma? Também o tema da tradição não poderia, de maneira nenhuma, ser esquecido a propósito da problemática que abordamos. Uma reflexão sobre esta realidade, no contexto da teologia católica, é o que nos propõe Avery Dulles.

Peter Henrici reflecte sobre a tentação fundamentalista a que muitos católicos estão sujeitos e na qual frequentemente têm caído. Também no campo das ciências experimentais é possível e necessário fazer uma reflexão acerca de um dogmatismo semelhante ao fundamentalismo. Esse é o propósito do artigo escrito por Sebastião J. Formosinho.

Finalmente, e tendo por base a leitura do conto de Hanif Kureishi, Meu filho um fundamentalista, Luís Miguel Neto ajuda-nos a entender por que razão alguém, socializado num contexto cultural de tipo ocidental democrático, opta por um estilo de vida em que a liberdade pessoal é subalternizada a princípios de tipo fundamentalista.

Vamos iniciar um novo ano. Não podemos, por isso, deixar de desejar sinceramente que todos nos empenhemos em descobrir o verdadeiro fundamento da paz, com a capacidade de ser o suporte de um mundo novo.

 
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